O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, defendeu nesta 5ª feira (27.ago.2026) parcerias com países estrangeiros para desenvolver tecnologia de processamento de minerais críticos. Em entrevista ao TMC 360, negou que os memorandos firmados com Estados Unidos e Japão comprometam a soberania brasileira e afirmou que a autorização para exploração mineral é competência da União.
Caiado explicou que os acordos firmados durante sua gestão em Goiás tinham como objetivo atrair empresas estrangeiras para levar tecnologia ao Estado e permitir o processamento dos minerais em território brasileiro. Segundo ele, a intenção é deixar de exportar a matéria-prima em estado bruto.
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se“O que eu disse foi o seguinte: ‘Olha, eu criei uma lei que o Brasil não tem até hoje’. Disse que ia criar uma Terra Brasil –eu já criei, chama Minerais Críticos do Estado de Goiás, Autoridade Minerais Críticos do Estado de Goiás.”
publicidade publicidadeO candidato afirmou também ter editado um decreto relacionado à exploração dos minerais críticos em Goiás. Segundo ele, a medida estabelece que a matéria-prima não seja simplesmente retirada do Estado sem que haja processamento.
“Você explorou a matéria bruta aqui, eu não aceito que ela saia dessa forma. Eu quero que vocês venham do Japão ou dos Estados Unidos, ou de outro país que desejar, mas eu assinei memorando com os 2. Venham pra cá, implantem aqui tecnologia para eu poder comercializar, não em forma bruta, mas que eu possa separar esses minerais críticos, esses elementos químicos.”
publicidadeCaiado afirmou que a estratégia busca aumentar o valor dos minerais a partir do processamento. Como exemplo, disse que determinado material poderia passar de cerca de US$ 70 por quilo na forma bruta para entre US$ 1.000 e US$ 5.000 depois de processado.
publicidade publicidade Brasil exporta matéria-primaCaiado afirmou que o Brasil mantém há décadas uma economia baseada na exportação de matérias-primas. Citou exemplos históricos como pau-brasil, ouro, café, cacau e algodão e disse que o país ainda segue esse modelo com produtos minerais.
Segundo o candidato, o Brasil exporta minério de ferro e nióbio para a China e depois compra produtos industrializados que utilizam esses materiais.
“Então, eu sou um país que forneço matéria-prima e trago aquilo industrializado.”
Caiado citou o nióbio para defender a necessidade de desenvolver tecnologia nacional. Segundo ele, o Brasil possui quase 100% do nióbio do mundo, mas não desenvolveu internamente tecnologias suficientes para transformar o mineral em produtos de maior valor.
O candidato também mencionou aplicações industriais como aço, baterias, semicondutores, ímãs, carros elétricos, equipamentos de ressonância magnética e turbinas eólicas para questionar a capacidade brasileira de transformar seus próprios minerais.
publicidade“Você conhece algum metal brasileiro que tenha sido desenvolvido no Brasil, na siderurgia, na transformação, na tecnologia, no semicondutor, no ímã, no carro elétrico, na arma sofisticada, no aparelho de ressonância magnética, na turbina eólica, cê já viu algum? Não.”
Para Caiado, o mesmo problema ocorre com as terras-raras. Ele afirmou que o Brasil tem concentrações desses minerais, mas não desenvolveu o conhecimento necessário para processá-los.
SoberaniaQuestionado sobre as críticas de que os acordos com estrangeiros poderiam comprometer a soberania brasileira, Caiado afirmou que não tem competência para autorizar a exploração mineral. Segundo ele, essa atribuição pertence ao governo federal.
“Eu não sou responsável por autorizar o cidadão a explorar. Isso quem faz é a União. Eu nunca desrespeitei a União.”
Caiado também afirmou que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o DFC (Development Finance Corporation), dos Estados Unidos, investiram na mesma mina mencionada durante a entrevista. Usou os investimentos para argumentar que a participação estrangeira em projetos de minerais não significa, por si só, perda de soberania.
“Trazer inteligência, fazer parceria com tecnologia é avançar. Isso não é comprometer soberania brasileira.”
O candidato citou ainda o CEIA (Centro de Excelência em Inteligência Artificial), em Goiás, como exemplo de desenvolvimento tecnológico durante sua gestão. Segundo ele, o centro foi apoiado no 1º ano de seu governo, em 2019, e se tornou uma referência internacional.
Caiado afirmou que pretende levar essa estratégia para o governo federal caso seja eleito. Disse que o objetivo é fazer com que o Brasil deixe de apenas exportar matéria-prima e passe a desenvolver conhecimento e tecnologia para agregar valor aos minerais produzidos no país.
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