A USA Rare Earth anunciou nesta 6ª feira (4.set.2026) a conclusão da compra da mineradora Serra Verde, que opera em Minaçu, em Goiás. A companhia é a única que explora terras raras comercialmente no Brasil.
A aquisição havia sido divulgada em abril e foi aprovada pelos acionistas da empresa norte-americana em 28 de agosto, por meio de um aumento de capital que possibilitou a operação. Leia a íntegra do comunicado da USA Rare Earth ao mercado (PDF – 149 kB).
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seO acordo estabelece o pagamento de US$ 300 milhões e 126.849 milhões de ações ordinárias recém-emitidas da USA Rare Earth pela compra de 100% da SVRE Holdings, controladora da Serra Verde. O valor final da transação é de cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões), a partir da cotação das ações da empresa à época em que o negócio foi fechado.
publicidade publicidadeA compra faz parte de uma estratégia da USA Rare Earth para construir uma cadeia de terras raras fora da China, responsável atualmente por mais de 90% da exploração e transformação desses materiais.
Segundo a norte-americana, a Serra Verde é a única companhia fora da Ásia a produzir os 4 elementos magnéticos essenciais de terras-raras. O objetivo é juntar a operação de extração de terras raras pesadas da empresa com as capacidades de processamento, metalização e fabricação de ímãs da USA Rare Earth.
Em atividade desde 2024, a Serra Verde está em processo de expansão das operações. A meta é atingir taxa de produção de aproximadamente 4.000 toneladas de TREO (óxidos de terras-raras totais) até o final de 2026. Em uma 2ª fase, o objetivo é chegar a 6.400 toneladas por ano. “A longo prazo, a Serra Verde tem o potencial de dobrar a produção bruta por meio de uma expansão”, disse a USA Rare Earth.
publicidadeA Serra Verde passa a integrar o portfólio de ativos da USA Rare Earth, que inclui operações nos setores de exploração, produção, processamento e refino, espalhadas atualmente por Estados Unidos, Reino Unido e França.
A aquisição parte de uma avaliação da empresa de que é necessário criar uma cadeia de terras-raras para atender à demanda dos setores público e privado em áreas como energia renovável, inteligência artificial, semicondutores, aplicações aeroespaciais e defesa.
“A oferta fora da Ásia permanece fraca, pois novas fontes, especialmente de terras-raras pesadas, levam tempo para serem desenvolvidas e produzidas. Com a conclusão da combinação com a Serra Verde, nosso foco agora se volta para a execução, integração das operações e avanço eficiente rumo a um fornecimento estável e confiável”, afirma Michael Blitzer, presidente executivo da USA Rare Earth.
O executivo Thras Moraitis, ex-CEO da Serra Verde, foi nomeado presidente da USA Rare Earth e passará a integrar o Conselho de Administração da empresa. Assumirá em 1º de outubro o lugar de Barbara Humpton, a atual CEO. Mick Davis, presidente do Conselho da Serra Verde, também passará a integrar o Conselho da companhia norte-americana.
“A combinação com a USA Rare Earth acelera nossa ambição de garantir que nossos elementos de terras raras pesadas cheguem aos clientes finais na forma de materiais avançados, tornando-nos um elo importante em uma cadeia de suprimentos integrada”, disse Moraitis.
GOVERNO TRUMP DE OLHOEm 24 de agosto, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou investimento de US$ 750 milhões em um veículo financeiro criado para comprar a produção de terras raras da Serra Verde. O valor representa um acréscimo de US$ 250 milhões em relação aos US$ 500 milhões inicialmente projetados.
O governo norte-americano apresentou a medida como parte de uma iniciativa para “assegurar” elementos críticos de terras-raras produzidos pela Serra Verde. Os recursos serão aplicados na US SIIE LLC, uma SPV (sociedade de propósito específico) responsável por comprar os carbonatos mistos de terras-raras produzidos pela mineradora.
A capitalização cumpre uma das condições para a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth. O investimento direto do governo dos EUA na sociedade é separado do preço atribuído à mineradora.
EMPRESA NUNCA FOI BRASILEIRAA aquisição da mineradora suscitou questionamentos no Brasil sobre soberania e controle estrangeiro de recursos minerais estratégicos. Congressistas alertaram para o risco de o país perpetuar um modelo baseado na exportação de matéria-prima de menor valor e na importação de tecnologia mais cara.
Em requerimento enviado ao governo, deputados também questionaram se a transação não representaria uma transferência do controle de um recurso nacional apresentada formalmente como uma reorganização societária.
Em abril, a operação virou alvo de críticas de representantes da esquerda e do governo federal, que difundiram a ideia de que o negócio enfraqueceria a soberania brasileira ao entregar uma operação nacional para os EUA.
No entanto, conforme mostrou o Poder360, a companhia que atua em Goiás desde 2010, nunca foi brasileira. Antes da aquisição pela USA Rare Earth, pertencia aos grupos de private equity Denham Capital e EMG (Energy and Minerals Group), com sede nos EUA, e Vision Blue, do Reino Unido. A operação transfere o controle de uma empresa formada por investidores norte-americanos e britânicos para outra companhia dos Estados Unidos.
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