oMelhor.Net

UE investiga venda da divisão de níquel da Anglo American no Brasil

UE investiga venda da divisão de níquel da Anglo American no Brasil
Compra das operações pela MMG, subsidiária de estatal chinesa, foi formalmente notificada à Comissão Europeia em setembro. Leia no Poder360.

A Comissão Europeia deu início a uma investigação aprofundada para analisar a proposta de compra da divisão de níquel da Anglo American no Brasil pela MMG, subsidiária da estatal chinesa CMC (China Minmetals Corporation).

A decisão foi tomada na 3ª feira (4.nov.2025) após o órgão regulador identificar possíveis problemas de concorrência no mercado de ferroníquel, liga metálica utilizada na fabricação de aço inoxidável.

publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se

A investigação, chamada de “Fase II”, foi instaurada porque a Comissão considerou os compromissos apresentados pela MMG insuficientes para solucionar as questões de competição.

publicidade publicidade

Segundo a Comissão informou em nota, as propostas tinham caráter “puramente comportamental e não incluíam mudanças estruturais no negócio que pudessem reduzir os riscos competitivos”.

De acordo com a investigação preliminar, a compra pela MMG poderia prejudicar o fornecimento de ferroníquel produzido no Brasil aos produtores europeus de aço inoxidável. A análise indica que a empresa alvo da aquisição detém posição relevante no mercado de ferroníquel de baixo carbono, onde os clientes europeus têm acesso limitado a fontes alternativas.

“O ferroníquel é um insumo fundamental para os produtores europeus fabricarem aço inoxidável de alta qualidade e de baixa emissão a preços competitivos, o que é crítico para muitos setores”, afirmou Teresa Ribera, vice-presidente executiva para Transição Limpa, Justa e Competitiva da Comissão Europeia.

publicidade

“Nossa investigação tem como objetivo verificar se essa concentração poderia comprometer o acesso contínuo e confiável na Europa a esse importante recurso”, completou, em nota.

A transação entre a MMG e a Anglo American foi formalmente notificada à Comissão em 16 de setembro de 2025. Com o início da “Fase II”, o órgão regulador europeu tem 90 dias úteis –até 20 de março de 2026– para tomar uma decisão final.

A situação poderia resultar em aumento nos custos de produção e afetar a capacidade dos fabricantes europeus de competir tanto dentro da UE (União Europeia) quanto globalmente.

A MMG atua na exploração, desenvolvimento e produção de metais básicos, principalmente cobre e zinco, para mercados industriais globais, com operações na Austrália, Botsuana, República Democrática do Congo e Peru.

O alvo da aquisição compreende duas instalações operacionais de ferroníquel e 2 projetos de desenvolvimento localizados no Brasil. O principal ativo é a operação Barro Alto (Barro Alto, Goiás), uma mina a céu aberto integrada com instalações de fundição e refinamento que produzem ferroníquel de baixo carbono.

O negócio também inclui as operações da Codemin (Niquelândia, Goiás), e os projetos não desenvolvidos Jacaré, (São Félix do Xingu, Pará), e Morro Sem Boné (perto de Vilhena, na fronteira entre Rondônia e Mato Grosso).

A Comissão Europeia tem o dever de avaliar fusões e aquisições envolvendo empresas com faturamento acima de determinados limites, conforme estabelecido no Artigo 1º do Regulamento de Fusões da UE. O órgão normalmente dispõe de 25 dias úteis para decidir se concede aprovação (“Fase I”) ou se inicia uma investigação aprofundada (“Fase II”).

publicidadeTodo conteúdo