O plenário do Tribunal de Contas da União aprovou nesta 4ª feira (15.jul.2026), por unanimidade, a abertura de uma fiscalização para acompanhar a implementação do 1º leilão brasileiro de reserva de capacidade dedicado a sistemas de armazenamento de energia em baterias. A Corte poderá avaliar a modelagem e as regras do certame enquanto elas ainda estão sendo estruturadas, antes da consolidação das principais decisões regulatórias e operacionais. Eis a íntegra da decisão (PDF – 379 kB).
O leilão contratará a disponibilidade de potência de novos sistemas de baterias, que poderão armazenar eletricidade e devolvê-la ao SIN (Sistema Interligado Nacional) quando houver necessidade. A tecnologia é considerada uma forma de ampliar a flexibilidade e a segurança da rede diante do crescimento da geração solar e eólica, cuja produção, que varia conforme as condições climáticas, nem sempre coincide com os horários de maior consumo.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seCom isso, a Corte de Contas passa a acompanhar o desenho regulatório, os critérios técnicos, econômicos e operacionais e a condução da disputa. A auditoria deverá verificar se o modelo permitirá contratar de forma eficiente a capacidade necessária ao sistema elétrico e reduzir riscos de sobrecustos, judicialização, atrasos e baixa concorrência.
Entre os pontos que serão analisados estão:
publicidade a definição do preço-teto; a metodologia de remuneração dos empreendimentos; a divisão dos custos do Encargo de Reserva de Capacidade; as regras de operação e disponibilidade dos equipamentos; o tratamento da degradação das baterias e a distribuição dos riscos contratuais.O TCU também avaliará os estudos que justificam o volume a ser contratado, os critérios de habilitação dos projetos, o acesso à rede elétrica e a coordenação entre MME (Ministério de Minas e Energia), EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
publicidadeSegundo o relator, ministro Jorge Oliveira, a fiscalização foi autorizada ainda na fase de estruturação para permitir uma atuação concomitante do tribunal. O MME informou ao TCU considerar relevante o acompanhamento durante a instrução do leilão e colocou suas equipes técnicas à disposição para apresentar as diretrizes da contratação.
2 LEILÕESO governo dividiu a contratação em duas disputas. O LRCAP 2026 Armazenamento Nacional será realizado em 2 de dezembro e aceitará só projetos que atendam aos critérios de “conteúdo nacional” do sistema de credenciamento do BNDES: parte dos componentes, assim como as baterias, precisa ter sido produzida no Brasil. Já o LRCAP 2026 Armazenamento, marcado para 4 de dezembro, admitirá equipamentos importados e não exigirá nacionalização.
publicidadeOs vencedores firmarão contratos de potência de reserva de capacidade com duração de 15 anos e início de fornecimento em 1º de agosto de 2028. A remuneração será paga pela disponibilidade da potência das baterias. Ou seja, os vencedores do certame receberão um valor correspondente ao que podem fornecer de energia em momentos críticos, e não à quantidade de energia efetivamente entregue.
Esse modelo é adotado por conta do papel que o governo deseja que as baterias cumpram no sistema elétrico nacional, que é o de evitar cortes e dar segurança elétrica em momentos de baixa geração de renováveis.
Atualmente, o Brasil desperdiça energia solar e eólica em momentos de alta geração dessas fontes por não ter para onde escoar essa produção. As baterias visam a armazenar essa eletricidade para depois liberá-la no sistema em momentos de baixa geração e alta demanda, como ao escurecer, por exemplo, quando painéis solares deixam de produzir e as pessoas chegam em seus domicílios depois do trabalho.
IMPACTO FINANCEIROA área técnica do TCU classificou o leilão como de elevada materialidade financeira e estratégica. Com base em estimativas da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), o tribunal afirma que o mercado espera a contratação de 2 GW a 6 GW, com receita fixa anual de R$ 1,2 milhão a R$ 1,7 milhão por megawatt.
No cenário de contratação de 6 GW, a remuneração anual poderia variar de R$ 7,2 bilhões a R$ 10,2 bilhões. Ao longo dos contratos de 15 anos, o montante ficaria entre R$ 108 bilhões e R$ 153 bilhões. Os valores são estimativas citadas pelo TCU e não representam o orçamento já definido pelo governo para os leilões.
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