O presidente do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo), Jorge Gonçalves Filho, afirmou, em entrevista ao Poder360, que a falta de coerência do governo atrapalhou a discussão sobre o fim da taxa das blusinhas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe econômica, então chefiada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defenderam a aprovação da taxa das blusinhas em 2024. Integrantes do governo argumentavam que a medida garantiria isonomia tributária para as empresas brasileiras.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seO Congresso Nacional aprovou nesta 5ª feira (3.set.2026) a proposta que permite ao Executivo zerar o imposto de importação em compras de até US$ 50 e reduzi-lo a até 30% em compras de até US$ 3.000. As alíquotas mínimas são 20% e 60%, respectivamente.
publicidade publicidadeO IDV é contrário ao fim da cobrança. Em 24 de agosto, o instituto entrou com um mandado de segurança coletivo contra a medida provisória 1.357 de 2026, que estabelece o fim da taxa das blusinhas. A entidade pede que a medida seja considerada inconstitucional por violação da isonomia tributária.
De acordo com Gonçalves Filho, havia, no Legislativo, congressistas que queriam criar um projeto de lei para zerar a taxa das blusinhas. A informação teria sido levada ao Planalto pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), o que fez com que o governo, em ano eleitoral, se apressasse para sugerir e aprovar a medida.
“Foi de atropelo”“O governo quis antecipar da noite pro dia. Quer dizer, foi de atropelo. Então, todo mundo foi pego de surpresa”, declarou.
publicidadeO setor ficou sem justificativa, de acordo com o presidente do IDV. “O próprio governo falou que era justo, que tinha que ser por conta do emprego, da indústria nacional. Então, quem falou ontem que era justo, que era certo, que não era o mínimo para proteger o emprego e a indústria. Não tem coerência”, disse.
Segundo ele, “fica mais difícil discutir e conversar quando não se tem coerência. Chega num momento que não tem argumento”.
Gonçalves Filho também afirma que o fim da taxa aumenta a diferença de competitividade entre produtos importados e nacionais. Segundo ele, a carga tributária média dos produtos importados era de 45% com a taxa das blusinhas, enquanto os produtos brasileiros têm carga média de 100%.
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