A ECON (Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários) do Parlamento Europeu aprovou nesta 3ª feira (22.jun.2026) um plano para criar versões on-line e off-line do euro digital. O BCE (Banco Central Europeu) pretende lançar a moeda até 2029.
A votação abre caminho para as negociações finais entre o Parlamento Europeu, os governos nacionais e a Comissão Europeia. O projeto é considerado essencial pela União Europeia para reduzir a dependência de provedores de meios de pagamento norte-americanos, como Visa, Mastercard, American Express, Apple Pay, Google Pay e PayPal.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se publicidadeO relator Fernando Navarrete Rojas (PPE, ES) afirmou: “Com o pacote da moeda única, estamos protegendo a liberdade dos cidadãos de escolherem como pagar. Estamos reforçando o acesso e a aceitação do dinheiro em espécie, ao mesmo tempo que disponibilizamos o dinheiro do Banco Central em formato digital. O euro digital complementará o dinheiro em espécie, nunca o substituirá. Ninguém deve ser forçado a abandonar o dinheiro em espécie, e ninguém deve ficar sem uma opção de pagamento digital segura, resiliente e genuinamente europeia.”
publicidadeA iniciativa foi lançada em 2021, mas enfrentou atrasos por divergências entre governos nacionais e dentro do próprio Parlamento Europeu. Neste ano, os receios de dependência excessiva de empresas norte-americanas deram novo impulso ao projeto.
publicidadeA expansão das stablecoins (criptomoedas de valor estável), em sua maioria denominadas em dólares e promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), aumentou a preocupação entre os governos da União Europeia. Ações do governo norte-americano também acenderam alertas entre autoridades europeias. No ano passado, os EUA impuseram sanções contra juízes do TPI (Tribunal Penal Internacional), entre eles o francês Nicolas Guillou, que ficou impedido de usar seu cartão de crédito Visa.
A proposta original da Comissão Europeia data de 2023. Foram necessários mais de 2 anos para que os Estados-membros chegassem a uma posição comum e, depois, para que o Parlamento alcançasse consenso interno. Um dos principais pontos de discordância foi a defesa, por parte de alguns legisladores, de uma solução desenvolvida pelo setor privado. Prevaleceu a decisão de que o BCE comandará a infraestrutura da moeda digital.
Comparação com o PixAssim como o Pix brasileiro, o euro digital viabilizará transações fora do alcance de empresas norte-americanas dominantes no mercado global. O Pix, porém, é um sistema de pagamentos instantâneos, não uma moeda eletrônica. No Brasil, a infraestrutura do Pix é pública, operada pelo Banco Central, assim como o BCE comandará a do euro digital.
Navarrete reforçou que a criação do euro digital não eliminará o uso do dinheiro físico. “O objetivo não é empurrar ninguém para uma forma específica de pagamento, mas oferecer mais opções e preservar a liberdade de escolha”, disse. “Queremos que aqueles que desejam continuar usando dinheiro em espécie possam fazê-lo e que aqueles que preferem meios digitais também disponham de uma alternativa europeia segura, fornecida pelo Banco Central Europeu”, acrescentou Navarrete.
O BCE também se manifestou sobre a decisão. “Saudamos o fato de que a comissão Econ do Parlamento Europeu tenha definido sua posição sobre o pacote referente à moeda única, que protegerá o dinheiro em espécie em euros como moeda de curso legal e, ao mesmo tempo, estabelecerá as bases para o euro digital”, afirmou o banco central em comunicado.
Antes do lançamento definitivo, o BCE conduzirá uma fase piloto de 12 meses para avaliar uma versão beta do euro digital em situações reais de uso. Participarão do teste prestadores de serviços de pagamento selecionados e licenciados na zona do euro, além de comerciantes escolhidos para o programa.
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