O presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Olavo Noleto, afirmou acreditar que o fim da escala 6 X 1 é a defesa da economia brasileira.
“É a defesa do futuro do Brasil. Se o Brasil não avançar na escala de trabalho, ninguém vai querer ser CLT”, disse em entrevista ao Poder360.
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seSegundo ele, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata do fim da escala será aprovada no Senado e será necessário só “pequenos ajustes” porque há alguns setores que precisarão excepcionalizar a regra para que “continuem rodando”.
publicidade publicidade“Esse é um diálogo que a área técnica vai fazer no Congresso. Vamos chegar a um bom acordo. Mas, em geral, é o mesmo argumento que usaram para não ter férias, para não ter 13º salário. ‘O Brasil vai quebrar’. O Brasil quebrou? Não quebrou. O Brasil continua forte”, disse Noleto.
O presidente da ABDI declarou que é preciso fazer com que a carteira assinada seja um “bom negócio” para os jovens ou o sistema vai quebrar.
“Se o sistema quebrar, o que que vai acontecer com a economia brasileira? Para quem a indústria vai vender? Algo que pode parecer para alguns setores ruim, para o conjunto da economia brasileira é estratégico: fortalecer o emprego, carteira assinada, contribuição previdenciária e o sistema conseguir girar”, disse.
Assista à entrevista (49min16s):
publicidade Tarifaço e acordo Mercosul-UE
Sobre as novas tarifas impostas em julho pelos EUA ao Brasil a diversos setores, Noleto declarou que a questão é uma “guerra comercial”.
“O governo brasileiro não quer enfraquecer a relação com os EUA. Pelo contrário, queremos fortalecer as relações comerciais, econômicas e diplomáticas com os EUA. Acontece que o 2º escalão do governo norte-americano tem sido irresponsável, atribuindo mentiras ao Brasil para justificar uma guerra comercial que eles abriram. O governo brasileiro nunca saiu da mesa de negociação. A questão é política comercial”, disse.
O presidente da ABDI afirmou acreditar que, do ponto de vista geopolítico, o acordo União Europeia-Mercosul fica mais forte com o tarifaço dos EUA.
“Do lado europeu, ajudou a acelerar essa confusão que os EUA estão armando no mundo. Do lado brasileiro, vira uma grande oportunidade. Todo mundo entendeu que a geopolítica mudou e que seria importante para os 2 lados acelerar com esse acordo”, disse.
PrivatizaçõesO presidente da ABDI também comentou sobre a fala do candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, de privatizar a Petrobras e o BNDES caso seja eleito.
“Repercutiu uma posição de um candidato à Presidência falando em privatizar o BNDES e a Petrobras. É um imbecil. Como a indústria ia se financiar nos dias atuais sem o BNDES? O Brasil não suportaria a venda do BNDES e da Petrobras. O setor produtivo não suportaria. A indústria não suportaria. O agro não suportaria. Não ia conseguir o recurso que consegue para se financiar com o juro que tem hoje”, disse Noleto.
JurosNoleto declarou também que os juros altos são um desafio para o empresariado brasileiro. “Os juros têm que baixar e o Brasil já tem condições macroeconômicas para isso. Ter a taxa Selic que tem hoje não justifica”, disse.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu em 5 de agosto a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com a decisão, os juros do Brasil passam de 14,25% para 14% ao ano. Foi o 4º corte consecutivo.
“O meu papel de presidente da ABDI é defender a indústria. E a indústria sofre com o juro de quase 15% na Selic. É um absurdo”, afirmou Noleto.
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