O Banco Central ampliou a participação do ouro nas reservas internacionais ao longo de 2025, de acordo com o Relatório de Gestão das Reservas Internacionais divulgado nesta 3ª feira (31.mar.2026). A commodity passou a representar 7,19% do portfólio —cerca de US$ 26 bilhões. O valor é praticamente o dobro do registrado no fim de 2024 (3,55%). Leia a íntegra (PDF – 4 mB).
No período, as reservas internacionais cresceram de US$ 329,7 bilhões para US$ 358,2 bilhões. O montante representa o total de ativos administrados pelo BC, como ouro e títulos soberanos (papéis de dívida emitidos por governos).
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se publicidade publicidadeAs reservas internacionais funcionam como um colchão de proteção para a economia. Assim, o país pode enfrentar crises externas, garantir o pagamento de dívidas em moeda estrangeira e atuar no mercado de câmbio para reduzir a volatilidade interna. Além disso, reforçam a confiança de investidores ao sinalizar solidez financeira e dão maior autonomia ao Brasil em momentos de instabilidade global.
Busca por segurançaA expansão ocorre em um cenário global marcado por maior incerteza econômica, em razão de tensões comerciais, tarifas e conflitos geopolíticos, o que tem provocado volatilidade nos mercados. Com isso, o BC optou por reforçar a segurança da carteira.
Apesar dos riscos, a autoridade monetária declarou que, ao longo de 2025, houve melhora gradual dos mercados, queda da inflação e redução dos juros no cenário global.
publicidadeO ouro é tradicionalmente considerado um ativo de segurança, sobretudo contra inflação, desvalorização cambial e crises. No período, a commodity acumulou alta de quase 50%.
Entretanto, o ouro não gera rendimento por juros —fator que limita ganhos em cenários de estabilidade financeira. Ainda assim, o BC mantém como prioridade os critérios de segurança e liquidez, seguidos pela rentabilidade.
O risco do portfólio das reservas internacionais caiu. Segundo a métrica VaR (Value at Risk), que estima o risco potencial de perda, passou de 5,2% em 2024 para 4,4% em 2025.
Rentabilidade das reservasA expansão das reservas internacionais é explicada pela rentabilidade de 9,18% em dólar dos investimentos —sendo 5,26% provenientes de juros e da marcação a mercado dos títulos e 3,92% da variação cambial entre as moedas que compõem a carteira.
Já o resultado em reais foi negativo em 2,97%, devido à valorização do real no período, o que reduz o valor das reservas quando convertido para a moeda brasileira, mesmo diante do ganho em dólar.
Composição das reservasEm ativos financeiros, a composição é a seguinte:
Títulos soberanos: de 74,3% para 71,7% Supranacionais: de 16,9% para 15,3% Ouro: de 3,55% para 7,2% Outros ativos (ETFs e depósitos): de 5,3% para 5,8%Esses ativos estão distribuídos nas seguintes moedas:
Dólar: de 76,8% para 72% Ouro: de 3,55% para 7,19% Euro: de 5,3% para 6,6% Yuan chinês: de 4,8% para 5,94% Tendência mundialA mudança acompanha movimento observado entre bancos centrais ao redor do mundo, que têm ampliado suas posições em ouro nos últimos anos como forma de proteção diante de choques externos e de possíveis restrições ao uso de moedas fortes em cenários de tensão geopolítica.
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