A deputada e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara (Psol-SP) disse que guarda cocares em suas residências em Brasília, São Paulo e no Maranhão. Em entrevista concedida ao Poder360 na 3ª feira (14.jul.2026), relatou que parte do cuidado se deve ao fato de já ter tido um dos artefatos furtado.
A assessoria de Guajajara afirmou que ela mantém cerca de 25 cocares em sua coleção. Parte foi encomendada, e parte foi recebida como presente. Os artefatos são usados em cerimônias, rituais e mobilizações.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se“Hoje, com residência em Brasília, em São Paulo e a minha casa mesmo, original, no Maranhão, eu deixo em todas essas casas, porque, quando eu chego, eu já tenho algum pronto para usar. Mas sempre guardado cuidadosamente para não quebrar, sujar ou outras pessoas levarem, como já aconteceu. Já levaram algum cocar meu sem que eu percebesse. Então, eu tomo cuidado para não ter isso”, disse.
publicidadeGuajajara afirmou que usa artefatos de diferentes povos. A deputada diz vestir cocares que recebeu de presente de maneira adequada à cultura de cada etnia.
publicidade“A gente usa para festa, para o ritual, para a luta, para as mobilizações. São os momentos em que a gente usa. A gente não usa toda hora, todo dia na aldeia. A gente usa também nos momentos apropriados. Mantenho em casa mesmo, todos muito bem guardados”, declarou.
Assista à entrevista (46min59s):
“SUPERFATURAMENTO” DE COCARESA deputada afirmou ser favorável à lei 5.197 de 1967, que proíbe o comércio de partes de animais silvestres usadas na confecção de artefatos e acessórios, mas estabelece exceção para povos originários.
publicidadeDesde 1998, uma portaria do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) permite que indígenas confeccionem peças para fins de intercâmbio científico e cultural. Pela lei brasileira, o comércio de espécimes da fauna silvestre e de produtos e objetos que impliquem caça, perseguição, destruição ou apanho tem pena de reclusão de 2 a 5 anos.
Apesar disso, é possível encontrar artefatos como cocares à venda em marketplaces e plataformas on-line.
“Ali, qualquer pessoa pode comprar e até comercializar também em preços muito abusivos. Eu acho que isso tem levado inclusive a um superfaturamento, a uma superinflação dessa venda dos cocares. Eu acho que tem que ter um rigor mesmo da lei, nessa fiscalização por venda na internet, para evitar que todo mundo possa comprar de qualquer jeito. Há uma fiscalização, sim, sobretudo nos aeroportos, nas regiões de fronteira da Amazônia, para ver quem leva e quem traz esses artefatos”, disse Guajajara.
Nas plataformas de venda, cocares descritos como fabricados com penas naturais são vendidos por mais de R$ 1.000:
“Tem que ter esse cuidado de saber tratar o indígena que está transportando esses artefatos e o não indígena que está levando, que precisa ter uma abordagem diferenciada. E não violar um direito de um indígena que tem a permissão para usar. Já aconteceu também de indígenas serem abordados de forma muito equivocada, de forma autoritária, por esses fiscais”, declarou Guajajara.
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