O senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) defendeu sua aliança com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. As declarações foram feitas durante sabatina da Folha/UOL, na 6ª feira (7.ago.2026). O senador se filiou ao partido em março deste ano em uma reaproximação com o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Moro, o presidente do partido já pagou por “erros que cometeu no passado”, referindo-se às condenações no escândalo do mensalão. Além disso, Costa Neto foi citado durante a operação Lava Jato, na qual Moro foi juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e condenou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à prisão.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-sePara justificar a aliança, Moro recorreu ao argumento de que o dirigente partidário já teria quitado sua dívida com a Justiça. “Os erros que ele cometeu no passado ele já pagou, inclusive cumpriu sua pena naquele período. E ele evidentemente se encontra em outra situação no momento”, disse o senador.
publicidade publicidade Aproximação com o PLDurante a conversa, Moro foi questionado sobre a alegada interferência do ex-presidente Bolsonaro na Polícia Federal, episódio que, segundo ele próprio declarou em 2020, motivou sua saída do Ministério da Justiça.
O senador afirmou não retirar o que disse no passado sobre o ex-presidente, mas disse ter se reaproximado dele em 2022 com o objetivo de derrotar o PT. “É o momento de olhar o presente e o futuro e o meu projeto para o Paraná”, declarou.
publicidadeQuestionado se acredita que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também tentaria interferir na Polícia Federal caso chegasse ao Planalto, Moro evitou responder. “Isso é fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não se realizou”, disse.
Pesquisa Quaest divulgada em 27 de julho mostrou Moro liderando a disputa pelo governo do Paraná em todos os cenários testados para o 1º e o 2º turno. Ele aparece com 39% das intenções de voto no 1º turno.
Como foi o rompimentoBolsonaro convidou o então juiz federal Sergio Moro para assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública em novembro de 2018, com a promessa de atuar como um “superministro”, com autonomia para o combate à corrupção e ao crime organizado.
publicidadeAs divergências entre o ministro e o Palácio do Planalto começaram no 1º ano da gestão, envolvendo principalmente o projeto de lei conhecido como “pacote anticrime”. A gota d’água, porém, se deu em abril de 2020, quando Bolsonaro decidiu demitir o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, indicado por Moro.
Moro afirmou que o presidente buscava substituir o comando da superintendência da corporação no Rio de Janeiro para proteger familiares de investigações. O Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para apurar as declarações. Em depoimento à PF, Bolsonaro negou interferência e acusou Moro de “denunciação caluniosa”.
Moro pediu demissão do cargo em 24 de abril de 2020. Em pronunciamento no Ministério da Justiça, declarou que o governo deixou de dar apoio à agenda anticorrupção e relatou ter ouvido do presidente o interesse em indicar nomes de contato pessoal para cargos de chefia na Polícia Federal.
Depois da saída do governo, aliados de Bolsonaro passaram a classificar Moro como “traidor”. Na preparação para as eleições de 2022, quando o ex-ministro tentou construir candidatura à Presidência da República, as críticas públicas entre ambos se intensificaram, com trocas de acusações entre Moro e os filhos do ex-presidente.
Durante o 2º turno das eleições de 2022, Moro declarou apoio à candidatura de reeleição de Bolsonaro. Eleito senador pelo Paraná, o ex-ministro passou a atuar na oposição ao governo de Lula. Em 2026, Moro se filiou ao PL com o objetivo de disputar o governo do Paraná com o apoio de Flávio.
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