Até 2030, as fontes não fósseis devem gerar 50% da eletricidade da China, ante os 42,3% registrados no fim do plano quinquenal anterior. Os dados constam em documento divulgado na 2ª feira (3.ago.2026) pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pela Administração Nacional de Energia do país.
O plano estabelece que o sistema elétrico chinês comporte mais de 2,8 bilhões de kW (quilowatts) de capacidade de novas energias e suporte uma rede de recarga capaz de atender a mais de 110 milhões de veículos elétricos. A China também tem a meta de concluir, em grande parte, um mercado nacional unificado de eletricidade até o fim da década.
publicidadeAs metas integram o esforço da China para construir um sistema de energia mais seguro, limpo, resiliente e flexível. O país asiático expandiu rapidamente a sua geração renovável, mas a localização e a intermitência dos recursos eólico e solar têm dificultado o equilíbrio entre a oferta e a demanda de eletricidade.
publicidade publicidade SOLUÇÃO DE GARGALOSGrande parte da energia eólica e solar mais barata do país é gerada nas regiões ocidentais, longe dos centros industriais e populacionais que mais consomem eletricidade. O comércio entre as províncias é frequentemente limitado pela capacidade restrita de transmissão e por regras locais fragmentadas. Isso impede que compradores de regiões com alta demanda adquiram o volume desejado de energia verde.
O novo plano busca resolver esses gargalos ao fortalecer a coordenação entre redes de transmissão, redes de distribuição e microrredes. Também exige sistemas locais de distribuição mais resilientes e maior flexibilidade do lado da demanda.
publicidadeUm elemento central é a promoção de projetos que consumam eletricidade renovável perto de onde ela é gerada. Os órgãos reguladores incentivarão conexões diretas de energia verde, microrredes inteligentes e projetos que combinem geração, distribuição, consumo e armazenamento de energia.
Esses arranjos podem abastecer parques industriais, edifícios comerciais, áreas remotas, indústrias voltadas à exportação, companhias de uso intensivo de energia e instalações de computação sem depender totalmente da rede pública.
Para data centers e outras infraestruturas de tecnologia, o plano exige uma coordenação mais estreita entre os projetos elétricos e os locais de instalação de inteligência artificial, supercomputação e de uso geral. Nos polos de computação designados, as autoridades apoiarão projetos que integrem os data centers à geração renovável, ao armazenamento e a conexões diretas de energia.
publicidadeO objetivo é aumentar a parcela de eletricidade verde consumida pelas instalações de tecnologia, permitindo, ao mesmo tempo, que a energia renovável seja agregada e comercializada localmente.
O documento também estabelece diferentes papéis para as microrredes em todo o país. Em partes do Tibete, na região autônoma uigur de Xinjiang e em Qinghai, onde a expansão da rede principal pode ser difícil, as autoridades incentivarão microrredes que combinem energia eólica, solar, armazenamento e demanda local para melhorar a segurança energética.
Os reguladores também planejam esclarecer os padrões técnicos, os requisitos de entrada no mercado e a divisão de responsabilidades entre operadores de microrredes e empresas tradicionais de transmissão. A incerteza sobre investimentos, operações, despacho e responsabilidades legais tem atrasado projetos de energia verde direta e integrada.
O plano busca estabelecer limites físicos e regulatórios mais claros entre os novos negócios de energia e a rede pública, o que pode facilitar a participação de investidores privados e desenvolvedores de fontes renováveis.
REFORMA DO MERCADOA reforma do mercado de eletricidade é outra parte central da estratégia. A China pretende aumentar a parcela de eletricidade comercializada por meio de mecanismos de mercado para cerca de 70% até 2030, ante os quase 64% projetados para 2025.
As autoridades continuarão a construir um mercado nacional unificado, vão alinhar as regras provinciais mais estreitamente aos padrões nacionais e ampliar a participação de novos tipos de fornecedores e consumidores de energia.
O plano pede a expansão dos mercados à vista (spot) de eletricidade, nos quais os preços respondem mais rapidamente às mudanças de curto prazo na oferta e na demanda. Também propõe negociações de médio e longo prazo mais frequentes e flexíveis, mercados adicionais para serviços de suporte à rede e possíveis mecanismos de mercado de capacidade que remunerem os geradores por manterem um fornecimento confiável.
O país também planeja avançar na precificação baseada no mercado para a geração hidrelétrica, nuclear e a gás natural.
Um comércio inter-regional maior exigirá mais conexões físicas entre as redes das províncias. Durante os próximos anos (até 2030), a China planeja adicionar cerca de 40 milhões de kW em capacidade de suporte de energia interprovincial e acelerar vários projetos de transmissão ligando regiões vizinhas.
O texto também determina um apoio de emergência mais robusto entre as regiões e um uso maior de suprimentos complementares de eletricidade entre bacias hidrográficas e áreas geográficas distintas.
A China buscará atrair uma gama mais ampla de investidores, incluindo empresas privadas, para polos de energia limpa e infraestrutura elétrica. Simultaneamente, os reguladores planejam intensificar a supervisão das operadoras de rede, distinguindo suas operações de monopólio natural dos negócios competitivos e fortalecendo os requisitos para um acesso justo ao mercado.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 4 de agosto de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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