“Eleição da rejeição”, “indecisos são a chave”, “polarização”, “Estados-pêndulo podem surpreender” e “redes sociais serão decisivas”. Quem tem paciência ou obrigação de acompanhar as sessões de sonoterapia protagonizadas pela multidão de comentaristas políticos que entopem o noticiário já ouviu coisas do gênero sobre o pleito de outubro. O essencial, porém, fica de fora: o que está em jogo mais uma vez é a disputa entre capital e trabalho.
A direita concorre com uma penca de candidatos, Flávio Bolsonaro à frente. Em maior ou menor grau, abraçam a bandeira golpista defendendo a anistia aos que investiram violentamente contra a democracia. Chamam isso de pacificação.
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publicidade publicidadeDa mesma forma, pregam a ampliação das desigualdades sociais. Querem mexer no salário mínimo, reduzir o valor de aposentadorias desindexando os reajustes e acabar com os pisos de gastos em educação e saúde. O fim da escala 6/1 apavora todos eles. Zema propõe legalizar o trabalho infantil. Renan Santos não sabe direito o que falar, a não ser baixar o nível em debates.
O apocalipse fiscal é outra bandeira. A turma da direita afirma que o país está quebrado, pois a dívida pública estaria na casa de 80%-90% do PIB. Curioso: nos Estados Unidos este indicador alcançou a marca de 130% e ninguém fala que o país está à beira da insolvência. Nem que o Brasil tem reservas de US$ 300 bilhões e hoje é credor, e não devedor, do FMI.
publicidadeQuando o assunto é segurança pública, o paradigma passou a ser Nayib Bukele, aquele que transformou El Salvador numa masmorra internacional. Caiado tira da cartola a criação de uma polícia multinacional. Quem quiser entender que diabos será isso não pergunte ao ex-governador de Goiás, pois nem ele sabe explicar.
publicidade publicidadeA corrupção, como sempre, é tema recorrente. Neste, Flávio Bolsonaro supera a si mesmo em desfaçatez e mentiras. O rei das rachadinhas até o momento não esclareceu sua intimidade financeira com Daniel Vorcaro. Tampouco trouxe a público o destino da dinheirama que recebeu do banqueiro mafioso.
Nada disso. Bolsonarinho tenta contra-atacar declarando que quem deve explicações é Lula, citando supostos delitos do filho do presidente. Para infortúnio do senador, a única coisa que a Polícia Federal conseguiu provar até agora é que não há provas contra Lulinha, já que nenhum dos contratos tidos como irregulares chegou a ser assinado com a administração federal.
Ninguém em sã consciência vai concluir que o Brasil está às 1.000 maravilhas, mesmo o desemprego em níveis baixíssimos e a inflação cadente. Problemas como juros na estratosfera, desenvoltura do crime organizado e a iniquidade social, para citar alguns, permanecem tirando o sono do povo trabalhador. Mas, se não está bom, o certo é que só pode piorar caso a direita venha a triunfar nas eleições.
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