Quando falamos em prevenção do câncer, algumas recomendações já estão bastante consolidadas. Evitar o tabagismo, controlar a obesidade, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, proteger-se da exposição excessiva ao sol e diminuir o consumo de bebidas alcoólicas são medidas fundamentais para diminuir o risco de desenvolver diversos tipos de tumores.
Mas o congresso anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) de 2026 trouxe uma reflexão importante: será que estamos dando a devida atenção a outros fatores de risco que também afetam a saúde de toda a população?
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seMudanças climáticas, poluição do ar, da água e do solo, além de exposições ocupacionais, foram temas de destaque em diversas discussões do evento. Embora muitas vezes recebam menos atenção do que hábitos pessoais, esses fatores podem influenciar significativamente o desenvolvimento e a evolução do câncer, além de serem muito mais difíceis de controlar do ponto de vista individual.
publicidadeUma das sessões dedicadas à prevenção e à redução de riscos abordou justamente a relação entre o ambiente, as desigualdades sociais e o câncer. Entre os trabalhos apresentados, um estudo discutiu a maior incidência de câncer em bombeiros norte-americanos, profissionais frequentemente expostos a substâncias químicas potencialmente carcinogênicas e ao sol durante sua atividade laboral.
publicidadeNa mesma sessão, pesquisadores chamaram a atenção para os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana. O aumento das temperaturas globais, a piora da qualidade do ar em grandes centros urbanos, os eventos climáticos extremos e a contaminação ambiental foram citados como desafios que precisarão ser incorporados às estratégias de controle do câncer nas próximas décadas.
publicidadeNesse contexto, um dos estudos mais relevantes apresentados no congresso avaliou a relação entre a poluição atmosférica e a gravidade do câncer de pulmão no momento do diagnóstico. Diferentemente de pesquisas anteriores, que já haviam demonstrado a associação da poluição com o aumento da incidência da doença, os pesquisadores buscaram responder uma nova pergunta: pessoas expostas a níveis mais altos de poluição têm maior probabilidade de receber o diagnóstico em estágios mais avançados?
Para investigar essa questão, os investigadores analisaram dados de mais de 1 milhão de pacientes com câncer de pulmão nos Estados Unidos. Os resultados mostraram que níveis mais altos de exposição a partículas finas presentes na poluição atmosférica estavam associados a maior chance de diagnóstico em fases avançadas da doença. O estudo também identificou que comunidades socioeconomicamente mais vulneráveis apresentavam taxas mais altas de diagnóstico tardio, independentemente dos níveis de poluição.
Segundo os autores, esses achados reforçam que fatores ambientais e sociais podem atuar simultaneamente, contribuindo para diagnósticos mais tardios e, consequentemente, para piores desfechos clínicos. A explicação provavelmente não está relacionada só a um comportamento biológico mais agressivo do tumor, mas também às dificuldades de acesso aos serviços de saúde, ao rastreamento, ao acompanhamento médico e ao diagnóstico precoce.
A discussão ganha ainda mais relevância quando observamos que a poluição atmosférica já é reconhecida como um importante fator de risco para câncer de pulmão. A Organização Mundial da Saúde afirma que, além do tabagismo, a poluição do ar e determinadas exposições ocupacionais estão entre os principais fatores de risco evitáveis para a doença.
À medida que a ciência amplia a compreensão sobre as causas do câncer, torna-se cada vez mais evidente que cuidar da saúde exige olhar não só para os hábitos pessoais, mas também para os ambientes em que vivemos, trabalhamos e envelhecemos.
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