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Eduardo Cunha Marchas, paradas e benesses

Eduardo Cunha Marchas, paradas e benesses
Manifestações cristãs enfrentam questionamentos que não alcançam outras mobilizações políticas. Leia o artigo no Poder360

A Marcha para Jesus é um evento anual mundial, voltado aos cristãos, que começou em 1987 no Reino Unido. Depois, foi estendida, passando a reunir católicos e protestantes, historicamente em conflito na região.

Em 1994, 7 anos depois, ela já alcançava 170 países. No Brasil, a Marcha começou em 1993, por iniciativa do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.

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Se consultarmos a Wikipédia sobre a Marcha, veremos ao final da descrição a seguinte frase: “A teologia do evento tem sido criticada por sua ênfase em reconquistar território por meio da tomada de autoridade sobre os espíritos territoriais. Conceito que faz parte da guerra espiritual em nível estratégico.”

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Ou seja, estamos vendo uma Marcha que foi concebida mundialmente para o combate espiritual, unindo inclusive católicos e evangélicos (protestantes) com objetivo em comum: a espiritualidade das pessoas e a preservação das famílias. Trata-se de uma festa cristã, onde as diferenças teológicas ou de igrejas, ficam em 2º plano.

Ela é efetivamente uma confraternização cristã, com o objetivo claro político de contrapor a quem não acredita em Jesus Cristo como filho de Deus.

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Mais tarde, no Brasil, em 1997 teve início a Parada da Comunidade Gay. O movimento seguia os protestos ocorridos em 1969 no Stonewall Inn, em Nova York, visando a defesa de direitos, que eles acreditavam ser necessário buscar.

Esse também se tornou um movimento de larga escala, principalmente nos Estados Unidos, que acabou sendo seguido pelo Brasil.

As duas festividades são hoje realizadas em momentos próximos em junho, criando uma espécie de disputa de comparação de público, mas com uma grande diferença.

Enquanto a Parada Gay faz todo e qualquer proselitismo político, visando a defesa do que pensam e inclusive pintando os seus adversários como diabólicos –como foi o caso nessa última Parada, quando Bolsonaro apareceu representado por uma figura demoníaca, sem que ninguém criticasse– na Marcha para Jesus, se criticou de forma hipócrita as manifestações políticas, por serem do outro lado, não apoiado pela parte da sociedade que rejeita a direita.

Já teve ano em que a Parada tinha afronta e agressão aos símbolos cristãos, querendo estabelecer, diferente do seu propósito, um confronto religioso, desnecessário.

Todos têm o direito de se manifestarem para defender o que pensam, enaltecer o que querem, mas sem necessidade de confronto que não seja o de ideias ou posições políticas.

Afinal, se a Parada Gay pode rotular Bolsonaro de diabo, qual razão impediria que a Marcha pudesse dar o mesmo tratamento a Lula ou ao PT?

O fato de Flávio Bolsonaro levantar o tema que vivemos em uma guerra espiritual –perfeitamente de acordo com o espírito da Marcha– resultou em críticas daqueles colunistas que já viram nisso a politização da religião. Estavam com medo da caracterização de que o seu candidato é o objetivo do combate da guerra.

A guerra espiritual, além de ser a razão da existência da própria Marcha pelo mundo afora, é contra tudo ou todos que atuem de maneira contrária à pregação dos valores defendidos pelos que lá participam.

Aqueles que defendem esses valores não tem nada a temer com essa guerra.

Por óbvio as duas manifestações, não são só de caráter cultural, religioso ou de costumes, são em síntese manifestações de natureza política.

A própria existência delas, por si só, já trata-se de um movimento político. Por isso, nada mais natural do que poder exercer a sua cidadania, se manifestando da forma que melhor lhe convier, desde que se respeitem as pessoas, os símbolos religiosos, e que não sejam financiadas pelos pagadores de impostos.

A essência da independência é a ausência de patrocinadores oficiais.

Assistimos para festas não cristãs ser comum o financiamento público. Enquanto isso, as festas cristãs são hipocritamente boicotadas pelo poder público, com medo de serem questionados sobre a violação da laicidade do Estado.

Aliás, essa laicidade do Estado deveria ser muito contestada, já que temos uma população majoritariamente cristã. Não seria democrático termos de viver debaixo de conceitos laicos quando a maioria prefere outra coisa.

Afinal, o Vaticano não é um Estado católico? Alguém prega a laicidade por lá?

E nós ao mesmo tempo que declaramos essa laicidade, não temos oficialmente símbolos ou conceitos religiosos?

Quando se abre uma sessão do Congresso, não se declara: “ Debaixo da proteção de Deus”?

Graças a Deus por isso, porque ao menos para mim, quero que tudo que ocorra no nosso país esteja debaixo da proteção de Deus.

Quando eu proferi o meu voto no processo de impeachment da Dilma, não busquei a misericórdia de Deus para a nossa nação?

A opção é de cada um, mas realmente podemos sim ter uma posição, ao menos de cristãos, independente se católicos ou protestantes, mas irmanados no mesmo princípio majoritário na nossa nação.

Os mesmos críticos que dizem que se está usando da religião para fazer política, criticando as manifestações em eventos, cultos, etc, não abrem a boca para criticar as manifestações políticas da Parada Gay ou outras semelhantes. Principalmente quando querem estereotipar Bolsonaro como figura demoníaca.

Parece até o diabo se fantasiando de Jesus. Quem está nesse movimento realmente não comunga dos pensamentos cristãos, ou no mínimo não tem na sua educação o saber do que é ser cristão.

É curiosa essa tentativa do PT de se aproximar de movimentos evangélicos, quando as pautas que defendem são totalmente contrárias aos princípios cristãos.

Aqueles que se dizem evangélicos e topam posar de adeptos do PT, ou são oportunistas, ou simplesmente estão errados na interpretação dos princípios cristãos.

Mas isso é posição de cada um, e todos têm o direito de ter, sejam adeptos da direita, do centro ou da esquerda.

Engraçado que de repente, surgiu um movimento de se criar um tipo inexistente na nossa legislação eleitoral de abuso de poder religioso. O que seria isso?

Impedir as igrejas de terem manifestações políticas? Por que essa tentativa de amordaçar as igrejas?

Será que vão proibir também os não religiosos de se manifestarem de forma igual?

Se existe abuso de poder religioso, não vai existir abuso de poder do ateísmo?

Então fica combinado assim, para combater a direita –por ser conservadora com os ideais cristãos– temos que amordaçar as igrejas e os seus líderes. Mas, temos que deixar aqueles que querem o Estado laico ou ateu se manifestar sobre isso.

Ou seja, aqueles que estão do outro lado da guerra espiritual tem carta branca para tudo. Isso é democracia?

Será que não deveríamos fazer um plebiscito sobre isso?

Será que não deveríamos tratar na legislação eleitoral os limites dos ataques à religiosidade da mesma forma que querem dar limites aos que a defendem?

Estamos vivendo um verdadeiro ataque à democracia, a livre manifestação de pensamentos e ideias.

Afinal, um sindicalista não faz campanha nos sindicatos? Um atleta não faz campanha na sua comunidade esportiva? Um profissional não faz campanha na sua associação de classe? Um líder comunitário não faz campanha na sua comunidade? Um professor não faz campanha nas escolas? Um médico não faz campanha em um hospital?

Qual a maneira de se fazer campanha, se for em uma eleição de representação proporcional, que não seja o meio em que se vive?

Se eu passo grande parte do tempo na igreja, por que não posso fazer campanha na igreja? Ela é proibida para mim, mas em compensação os concorrentes não têm vedado o acesso a seu meio de convivência.

Aqueles que frequentam igrejas, passam grande parte do seu tempo livre em atividades de natureza religiosa, qual a razão de não fazerem política nesse meio?

Se a desculpa é que as igrejas são territórios de bens de uso comum, então ninguém vai poder fazer campanha em lugar algum. As ruas e praças não são bens de uso comum também?

Essa tentativa de alterar a legislação eleitoral –por meio de interpretação de similaridade com abuso de poder político e econômico– é uma tentativa clara de distorcer o processo eleitoral em desvantagem da direita conservadora, que prega a manutenção de costumes e ideias, assim como nos púlpitos de igreja, ou em manifestações de líderes em eventos públicos.

A campanha terá de ser secreta para os cristãos agora?

Quando o PT começou a surgir, todos sabem que uma parte da igreja católica os apoiava, as chamadas comunidades de base eclesiásticas. Faziam campanha nas igrejas de forma ostensiva, sem que ninguém reclamasse disso.

A recente decisão do TSE sobre suposto abuso de poder religioso, em similaridade ao abuso de poder político, é perigosa e tem que ser discutida no como violação constitucional à liberdade de expressão.

É claro que teve o caso específico julgado, que poderia até ser enquadrado de outra forma, pois houve um benefício a uma igreja, aparecendo em seguida o candidato para comemorar isso pedindo votos.

A decisão poderia ter se dado sim por abuso de poder político, pois pode realmente ter sido, mas jamais pelo fato de estarem na igreja recebendo apoio político.

Estamos em um momento da pré -campanha eleitoral, em que o candidato a reeleição Lula, pratica toda a sorte de distribuição de benesses. Vemos patrocínio de desfile de escola de samba em sua homenagem, com dinheiro público, sem qualquer oposição da Justiça Eleitoral.

Se formos descrever as benesses recentes dadas com dinheiro público o artigo viraria um livro. Tudo debaixo das barbas da Justiça Eleitoral, que nada faz para impedir. 

A divulgação dos números dessas benesses por meio de um estudo do INSPER, na última 6ª feira, mostrou que o tamanho somente neste ano eleitoral, foi de só R$ 215 bilhões. Destes, só 4% estão dentro do arcabouço fiscal, ficando o restante dos 96% caracterizados como despesa financeira fora do orçamento fiscal. Isso aumenta a dívida pública, sangrando ainda mais os brasileiros.

Tudo sendo feito para tentar reverter a impopularidade do atual presidente, que inclusive usa a sua polícia pública para atuar em desfavor dos não aliados, ou para divulgar os famosos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro.

Vale tudo pela reeleição, até mesmo a distribuição de generosas verbas publicitárias para calarem os meios de comunicação.

É claro que Lula conta com a ajuda do inconstante Trump, que ora sinaliza de um lado, ora de outro, além da ingenuidade dos articuladores da direita, que marcam um encontro com Trump às vésperas de divulgarem o tal relatório da investigação comercial, que pode impor tarifas aos produtos brasileiros.

Como não ter tratado desse tema naquele encontro? Ou ao menos não ter divulgado previamente essa posição antes do anúncio do governo norte-americano de ser contra as tarifas?

Todos sabem que a atuação da família de Bolsonaro no exterior foi a responsável pela mudança dos rumos da opinião pública, ficado com a imagem de responsáveis pela aplicação das tarifas impostas por Trump.

Isso deu de presente a Lula o discurso da soberania.

Qual a razão desse encontro com Trump agora, se não fosse para tentar passar a imagem de busca de reversão das tarifas a serem impostas aos brasileiros?

É claro que o tema de colocar as organizações criminosas como terroristas foi uma boa sacada para se contrapor a Lula. Mas, esse possível ganho foi totalmente diluído pela divulgação das novas tarifas, associadas à divulgação simultânea das fotos do encontro de Flávio com Trump.

Qual o problema de ter tratado do tema das organizações criminosas? Mas ter tratado também do apelo para que não se impusesse tarifas aos produtos brasileiros?

Se tratou, porque não divulgou?

Assim, com essa infantil articulação internacional, eles vão acabar dando de presente a eleição a Lula, a menos que Trump resolva mudar tudo de novo atribuindo a Flávio essa situação de virada.

Como Trump é inconstante, se move pelos seus interesses, ele pode tanto acabar ajudando Flávio, ou ajudando Lula. Pela influência de Joesley Batista, padrinho dos encontros do seu delatado Lula, mas regenerado pelos interesses mútuos.

Ainda se soma a isso o combate ao Pix com, pasmem, a sugestão de utilização de um sistema norte-americano, o Zelle, em alternativa ao já bem sucedido Pix pelos brasileiros. Pix esse, que foi criado no governo Bolsonaro, mas graças a essa incompetente atuação internacional, está jogando o benefício no colo de Lula.

Para completar a situação, as benesses dadas pelo governo Lula têm se tornado verdadeiras pautas bombas para destruírem o país no futuro. Mas, para Lula nada importa, a não ser a sua reeleição.

Ainda vem a cara de pau do Ministro da Fazenda, alertar para as pautas bombas que estão sendo produzidas pelo Congresso, ameaçando recurso ao judiciário, caso sejam aprovadas, sem contestar entretanto, a maior das pautas bombas, que é o fim da escala 6 X 1.

Como essa pauta é a preferida para a reeleição de Lula, ele omite os seus efeitos, dando discurso para os idealizadores de outras pautas bomba darem curso a elas.

Afinal, se Lula pode por uma pauta bomba para se reeleger, porque outros integrantes do Congresso não podem produzir as deles e ajudar nas respectivas reeleições?

Isso tem o condão também de provocar uma discussão sobre o tema, para que se proíba determinadas pautas em anos eleitorais. Assim, seria possível evitar a quebradeira do país, que não aguenta essa competição de benesses com fins meramente eleitoreiros, como tem sido feito.

A Justiça Eleitoral, ao invés de tentar impedir as manifestações das igrejas, deveria se preocupar em evitar as manifestações orçamentárias, decorrentes da ambição da reeleição a qualquer custo.

Os críticos ao invés de se preocupar com a marcha falando da guerra espiritual, deveriam se preocupar com a guerra pelo orçamento combalido pelas benesses de Lula, agora em competição com as propostas do Senado.

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