A biotecnologia está ampliando as possibilidades de melhoramento genético. É o caso da edição gênica, que permite modificar trechos específicos do DNA para alterar determinadas características dos animais.
Entre as possibilidades está a de aumentar a tolerância dos bovinos ao calor.
O tema será discutido na 5ª feira (15.out.2026), no Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte (SIMFertCorte), em Campo Grande (MS), pelo pesquisador Luiz Sergio Camargo, da Embrapa.
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publicidade publicidadePara entender a edição gênica, é preciso lembrar que o DNA funciona como um conjunto de instruções biológicas para o desenvolvimento e o funcionamento dos organismos. Os genes são segmentos desse material genético que participam da determinação de características dos animais, embora muitas delas também dependam de vários genes e da interação com o ambiente.
A edição gênica utiliza ferramentas de biotecnologia para modificar pontos específicos do DNA. É como fazer uma alteração direcionada em uma instrução genética, em vez de depender exclusivamente do cruzamento de animais que já apresentam determinadas características.
Na pecuária, essa tecnologia pode ajudar a desenvolver animais com características desejáveis, como maior tolerância a doenças ou a condições ambientais adversas. A aplicação, porém, depende de identificar quais alterações genéticas são capazes de produzir o efeito esperado sem comprometer outras características importantes.
publicidadeUma das dificuldades enfrentadas pela pecuária tropical é o estresse térmico, provocado pela combinação de temperatura e umidade elevadas. O problema afeta particularmente raças de origem europeia, selecionadas por seu desempenho produtivo, mas que podem apresentar maior sensibilidade ao calor.
É o caso do Angus, utilizado na produção de carne, e do Holandês, especializado na produção de leite. Em condições de calor excessivo, esses animais podem apresentar queda de desempenho, redução da fertilidade, menores taxas de concepção e aumento do intervalo entre partos.
A pesquisa conduzida por Luiz Sergio Camargo busca aumentar a tolerância dos bovinos ao calor sem perder as características produtivas valorizadas pelo melhoramento convencional.
A proposta não é tornar os animais completamente imunes às altas temperaturas, mas ampliar sua capacidade de enfrentar condições ambientais desfavoráveis. Os resultados iniciais indicaram diferenças de comportamento e de resposta térmica entre bovinos editados e animais que não receberam a alteração genética.
Os resultados ainda são preliminares. A próxima etapa estima ampliar a população de animais, produzir a geração seguinte e realizar avaliações em condições de campo com um número maior de indivíduos. Essas etapas serão importantes para verificar a consistência dos resultados e avaliar a aplicação prática da tecnologia.
A edição gênica não elimina, portanto, a necessidade de seleção genética, manejo adequado, sombra, ventilação e outras medidas de conforto térmico. Ela pode se tornar mais uma ferramenta à disposição dos programas de melhoramento.
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