Vai longe. Essa é a única certeza que se tem sobre o processo de autocombustão que vem consumindo o Supremo Tribunal Federal nas últimas semanas. O fogo se alastra e atinge o que estiver pela frente.
A vítima mais recente é a Polícia Federal. Num ato flagrantemente ilegal, o terrivelmente bolsonarista André Mendonça afastou o diretor da Polícia Federal. Agiu como o vizinho que decide demitir o jardineiro da casa ao lado, embora não o tenha contratado.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seAndrei Rodrigues contou então com a ajuda de Flávio Dino para voltar ao trabalho, tão flagrante era a atitude de Mendonça. O presidente da Corte, Edson Fachin, resolveu se mexer e desautorizou Dino. Foi mais adiante: suspendeu a reunião plenária que decidiria sobre a refrega. Quer um armistício que ninguém enxerga no horizonte.
publicidade publicidadeFeitas as contas, o resultado prático até agora é a desmoralização daquele tribunal decisivo para assegurar o funcionamento de uma democracia tão frágil quanto a brasileira. O clima de vale-tudo inquieta o cidadão comum. A turma da toga, sempre expedita para espetar o custo de penduricalhos no lombo do pagador de impostos, faz questão de enlamear-se num curso desenfreado.
O pano de fundo, diz-se, são as eleições oficiais. Difícil saber ao certo. O certo é que os contendores do momento são candidatos de si mesmos. Pretendem ter a liberdade infinita para manter seus cargos e as benesses que eles propiciam.
Alexandre de Moraes está encrencado com as finanças multimilionárias do escritório de advocacia da mulher. É suspeito de consultoria jurídica ao banqueiro bandido. Não conseguiu dar explicações, nem inconvincentes, sobre as trocas de mensagens perigosas com Daniel Vorcaro.
publicidadeAndré Mendonça, que supostamente ajudaria a colocar a casa em ordem, foi pilhado em conversas pouco republicanas com o ladrão de casaca do sistema financeiro. Talvez por isso tenha até surgido um alfaiate na história. O mesmo Mendonça criou um instituto cujos maiores fregueses são órgãos públicos. Nada de negócios à parte: negócios SÃO parte.
Não será surpresa caso novos nomes sejam arrastados para a sujeira acumulada por baixo do tapetão. Por incrível que pareça, quem está em melhor situação é o banqueiro amaldiçoado. Mesmo na coxia de um presídio, assiste aos desmandos jurídicos e junta munição para anular o processo que o tirou de circulação pública. A depender deste Supremo esfrangalhado, tal epílogo jamais pode ser descartado.
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