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Anita Krepp Cannabis é o novo álcool

Anita Krepp Cannabis é o novo álcool
Uso diário de maconha é maior que o de bebidas e cigarro nos EUA Brasil segue a mesma tendência. Leia o artigo no Poder360.

Por mais surpreendente que possa parecer, tem mais gente consumindo cannabis diariamente do que bebidas alcoólicas. Bom, pelo menos nos Estados Unidos, onde uma pesquisa do Instituto Nacional de Drogas foi divulgada no fim de julho, apontando que 21,4 milhões de pessoas usam a erva –nas suas mais diversas formas de consumo–, enquanto 17,2 milhões tomam o seu drink rotineiramente. 

Essa mesma pesquisa mostrou que o uso diário ou quase diário de maconha é ainda superior ao de tabaco, que é hábito diário de 19,9 milhões de pessoas. Se alguém duvidava que estamos diante de uma mudança de paradigma em relação aos hábitos que escolhemos para compor nossa vida diária, e que a cannabis definitivamente consta entre eles, aqui está a prova cabal, sendo apresentada num país onde a maioria de seus Estados já tem algum tipo de lei que regulamenta o uso e a venda de maconha.

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Chama a atenção também a tendência do uso diário dessas substâncias ao longo dos últimos anos. No caso do álcool, em 2021, eram 22,5 milhões de pessoas, o que representa uma queda de 24% em 4 anos. Em relação ao tabaco, o número de consumidores diários caiu de 27,5 milhões, em 2021, para 19,9 milhões em 2025, uma redução de 28%. Já com a cannabis, a tendência é diametralmente oposta: eram 17,7 milhões de pessoas em 2021, e esse número cresceu 21% em 4 anos.

publicidade publicidade E NO BRASIL?

Você deve estar se perguntando como essa tendência se expressa entre os brasileiros, mas, infelizmente, o Brasil não tem uma pesquisa anual como a National Survey on Drug Use and Health. O mais perto disso que nós temos é o Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), uma das principais pesquisas epidemiológicas sobre consumo de álcool e outras drogas no Brasil, realizada pela Unifesp sem periodicidade definida –a última edição foi realizada em 2023 e a anterior a ela, em 2012.

Também não temos no Lenad perguntas que afiram especificamente o uso diário das substâncias. Portanto, nosso parâmetro mais próximo para essa comparação é o consumo no último ano. E, nesse caso, o Brasil mostra a mesma tendência observada nos Estados Unidos: queda no uso de álcool e tabaco e incremento do uso de cannabis.

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De 2012 a 2023, a proporção de brasileiros que consumiram álcool no último ano caiu de 47,7% para 42,5%, enquanto o consumo de cannabis mais que dobrou, passando de 2,8% para 6%. No caso do tabaco, a prevalência caiu de 15,6% para 11,7% no período.

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Todos esses indicadores revelam um movimento em que o bem-estar está em alta e as substâncias depressoras, em baixa. Enquanto o álcool não deixa dúvida sobre o efeito no corpo e na saúde com sua inequívoca ressaca –e o que dizer do cigarro?–, a cannabis vem cada vez mais sendo considerada item de 1ª hora para nutrir o equilíbrio do corpo e da mente.

BEBIDA DE MACONHA, A PRÓXIMA FRONTEIRA

E a indústria, claro, não perdeu tempo. Enquanto a gente ainda digere os números da pesquisa, os norte-americanos já estão bebendo maconha. Isso mesmo, bebendo. As bebidas de THC viraram a categoria que mais cresce no mercado norte-americano, faturando US$ 239 milhões em 1 ano no varejo tradicional, um salto de 135%, enquanto as vendas de álcool encolheram 3,3% no mesmo período. E já não é preciso ir ao dispensário para encontrá-las. Supermercado, loja de bebidas, posto de gasolina. Adivinha qual é o drink da vez.

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A jogada é ocupar exatamente o lugar da cerveja. Lata gelada, 5 mg de THC, gás, sabor de limãozinho, dose baixinha e previsível para levar ao churrasco, ao happy hour, ao jantar de sexta. Tudo o que o brinde social oferece, menos a ressaca. A maconha, que passou o século passado escondida na moita, agora repousa na geladeira do mercado entre a cerveja sem álcool e o kombucha. Quem diria.

Tem até nome para esse movimento. Os gringos chamam de sober curious, e sua variação mais debochada, California sober, descreve quem cortou o álcool da vida e manteve a maconha. A pergunta que essa turma se faz é simples. O que eu quero sentir? Relaxar sem apagar, socializar sem perder o fio da noite, dormir de verdade. E não custa lembrar que estamos falando de uma geração que monitora o sono no relógio e conta os passos no celular. Convenhamos, não ia ser ela a seguir fiel a uma substância que cobra juros altíssimos na manhã seguinte.

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No fundo, a briga toda é pelo happy hour. Cervejaria, destilaria, marca de cannabis e fabricante de bebida funcional, todo mundo disputando o mesmo momento do seu dia, aquela janelinha sagrada entre o trabalho e o travesseiro. É a pergunta de bilhões de dólares do mercado norte-americano. E, de novo, o Brasil nessa história? Bem, por aqui a mudança de hábitos já começou, mas a cannabis segue proibida de virar bebida, comida ou qualquer coisa que fuja do frasquinho de óleo com receita ou um par de outras formulações. Lá fora, esse mercado disputa a geladeira do supermercado, enquanto por aqui ainda faz esforço para existir.

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