A coincidência da divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), calculado mensalmente pelo Banco Central, com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de setembro dispensou explicações mais complicadas para a decisão de continuar o ciclo de cortes dos juros básicos (taxa Selic), determinada pelo Copom, no início da noite de 4ª feira (16.set.2026).
Por decisão unânime do colegiado formado pelo presidente e por diretores do Banco Central, a taxa básica é agora e pelos próximos 45 dias de 13,75% nominais ao ano. É o 5º corte numa sequência que começou em março e já podou a Selic em 1,25 ponto percentual.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se ECONOMIA MAIS FRIAOs analistas de mercado consultados pelo Boletim Focus, publicação semanal também do BC com as projeções de uma centena de economistas na maioria de bancos e demais instituições financeiras, ainda apostam que a redução dos juros básicos em setembro encerrará o atual ciclo de ajuste da taxa Selic.
publicidade publicidadeProjeções para o IBC-Br de agosto são de uma retomada moderada de 0,5% em relação a julho. Também para a inflação de setembro as estimativas são de alta, igualmente moderada, perto de 0,5%, depois da deflação registrada em agosto.
Essas projeções pontuais para setembro não interrompem, porém, a tendência cada vez mais evidente de esfriamento da economia nem a expectativa de uma trajetória menos pressionada da inflação, respondendo justamente a uma demanda menos forte.
A expectativa para o crescimento da economia no 2º semestre é de freada mais acentuada, com possibilidade de estagnação. As projeções para a variação do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026 estão em queda e, no Focus, já desceram para menos de 1,9%.
publicidade FICHAS EM NOVOS CORTESÉ por isso que um número crescente de analistas está botando suas fichas na extensão do ciclo de cortes até novembro ou mesmo dezembro. Se esses mais otimistas estiverem certos, a Selic terminará 2026 em 13,50% ou mesmo 13,25%. Nesse nível, a política monetária continuaria bastante restritiva, mantendo uma taxa básica real em torno de 8,5%.
Mesmo com mais 2 cortes em 2026, além do decidido em setembro, a política de juros continuaria contracionista. Também seriam mantidos espaços em relação às taxas de juros internacionais, ainda que lá fora a inflação, reflexo das altas nos preços do petróleo, com o prolongamento da guerra EUA-Irã, esteja em alta, assim como as taxas de juros.
Em 10 de setembro, o BCE (Banco Central Europeu) elevou suas taxas de referência em 0,25 ponto percentual, que agora variam de 2,5% a 3% ao ano. Também nesta 4ª feira (16.set) o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) subiu as taxas de referência para o intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano.
COMUNICADO REPETIDOO comunicado divulgado pelo Copom ao final da reunião praticamente repete os termos e o tom do anterior, em que justificava o corte promovido na taxa básica em agosto. No 2º parágrafo, em que o colegiado faz um resumo do quadro em que se encontram a economia doméstica e as perspectivas para a inflação futura, as diferenças são sutis. Mas todas na linha de que as tendências são favoráveis a novos cortes nos juros.
Em agosto, ao avaliar a atividade econômica, o Copom informava que “o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido”.
Em setembro, sobre a mesma avaliação, o comitê só detalhou um pouco mais: “o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”.
DISFARCE EM “COPONÊS”Também nas referências à inflação, as diferenças são quase imperceptíveis. Em setembro, o comunicado registrava que “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”.
Em agosto, a avaliação era a de que “a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”.
Mais uma vez, os próximos passos não foram detalhados, ficando a decisão por conta da evolução dos indicadores econômicos. Mas esse é só um disfarce, na linguagem típica e cifrada do “coponês” em que são escritos os documentos do BC para sinalizar que a taxa básica continuará sendo reduzida.
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