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Evandro Maggi As condições para o futuro do setor automotivo brasileiro

Evandro Maggi As condições para o futuro do setor automotivo brasileiro
Indústria opera com horizontes de investimento longos e uma mudança no cenário estabelecido provoca consequências. Leia o artigo no Poder360.

O setor automotivo mundial atravessa uma das maiores transformações de sua história. Múltiplas tecnologias avançam em ritmos distintos, novos modelos de negócio surgem com a inteligência artificial, acelerando a inovação, e as tensões geopolíticas redesenham as cadeias globais de suprimentos. A mudança deixou de ser conjuntural para se tornar estrutural. E, nesse cenário, duas palavras resumem o principal desafio do Brasil: isonomia e previsibilidade.

A Toyota do Brasil escolheu o Brasil para ser sua 1ª operação fora do Japão. Atualmente emprega cerca de 9.000 colaboradores diretos, opera 309 concessionárias e mobiliza centenas de fornecedores nacionais. Uma trajetória de 68 anos criando empregos, desenvolvendo tecnologias e contribuindo para a sociedade.

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O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário global: é o 6º maior mercado consumidor e o 8º maior produtor do mundo, tem uma base industrial consolidada, cadeia de fornecedores robusta, engenharia qualificada e vantagens únicas na transição energética. Esses ativos sustentam uma cadeia que emprega mais de 1 milhão de trabalhadores, produz arrecadação e fortalece a transferência de conhecimento. Cada vaga em uma linha completa de produção cria até 10 empregos indiretos, contra 2 a 3 na montagem de kits importados.

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Sob essa ótica, foram estabelecidos o Programa Mover e a Nova Indústria Brasil. A indústria instalada decidiu investir mais de R$ 140 bilhões até 2030, dos quais R$ 11,5 bilhões são da Toyota, com nova fábrica em Sorocaba (SP), mais de 2.000 empregos diretos e a expansão da tecnologia híbrida flex –a mais avançada solução de descarbonização desenvolvida no país.

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Mas vivemos um momento em que uma decisão regulatória poderá redefinir o equilíbrio entre produzir ou só montar veículos no país. Em novembro de 2023, o governo federal estabeleceu, em diálogo com o setor produtivo, um cronograma claro de recomposição tarifária para veículos eletrificados –com alíquota cheia de 35% para CBU eletrificados a partir de julho de 2026 e para kits CKD/SKD na sequência.

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Os números do próprio mercado mostram que o Brasil não fechou as portas –ao contrário. De 2023 a 2025, as importações de veículos saltaram de cerca de 351 mil para quase 498 mil unidades, alta acumulada de mais de 40%, atingindo 18,5% do mercado interno em 2025, com pico próximo a 21% no início de 2026. Os embarques vindos da China cresceram 187% em um único ano e os eletrificados importados praticamente triplicaram no período. Manter o cronograma acordado não é, portanto, fechar o mercado: é assegurar que a abertura conviva com a produção local.

A indústria automotiva opera com horizontes de investimento longos e uma mudança no cenário estabelecido provoca consequências para todo o setor. Não se trata de fechar o mercado ou resistir à concorrência –a abertura, aliás, já é realidade: só no 1º trimestre de 2026, 11 novas marcas ingressaram no Brasil, com estoques de importados equivalentes a 150 dias de vendas. Trata-se de alinhamento entre o discurso de fortalecimento da indústria com produção nacional e os instrumentos que sustentam decisões de bilhões de reais e milhares de empregos.

A Toyota acredita no Brasil há 68 anos, acredita hoje e seguirá acreditando. Por isso entendemos que a preservação do cronograma vigente é uma decisão de país: significa previsibilidade para os investimentos, segurança jurídica e isonomia nas condições competitivas entre quem decidiu produzir no Brasil.

Aos nossos colaboradores, fornecedores e parceiros: a melhor resposta que podemos dar é continuar produzindo, inovando e criando valor –com a confiança de que as condições de competitividade sejam as mesmas para todos.

O Brasil tem todas as condições de liderar a mobilidade sustentável da próxima década. Mas só será protagonista se decidir, agora, que quer ser um país que produz localmente e assegure condições de concorrência com isonomia.

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