Cerca de sete meses após os herdeiros do empresário da noite Oscar Maroni anunciarem um “rebranding” da marca Bahamas Hotel Club, a boate criada há mais de trinta anos anunciou um novo fechamento. Maroni morreu no fim de 2025 após uma série de complicações médicas, como a descoberta de um câncer que o levou à morte aos 74 anos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da empresa.
O Bahamas Hotel Club é uma boate instalada em Moema, na zona sul de São Paulo, próximo ao aeroporto de Congonhas. A casa era frequentada por garotas de programa, com bar, salão e também 22 suítes privativas nos andares superiores. A prostituição não é crime na legislação brasileira, mas a exploração da atividade é chamada de rufianismo e pode render prisão de até quatro anos e multa.
Continuar LendoPara tentar driblar a legislação, o negócio exigia que clientes e as profissionais do sexo pagassem a entrada e combinassem o serviço entre si sem intermédio dos funcionários. O arranjo nem sempre convenceu as autoridades. Maroni foi preso e liberado depois de 50 dias, em 2007. Na época, Maroni afirmou a uma emissora de televisão que o Bahamas era “sim, uma casa de prostituição de luxo, sim. Não vamos ser hipócritas, não vamos ser falsos”.
Em 2011, reverteu a condenação na Justiça. Na ocasião, o Bahamas foi fechado e só reaberto em 2013. Dez anos depois, já debilitado pela doença, Maroni passou o bastão para os filhos, que investiram R$ 2 milhões em reformas.
Como resposta, a prefeitura, comandada pelo então prefeito Gilberto Kassab, lacrou a boate e, três dias após a declaração à rede de televisão, o empresário acabou preso pela Polícia Civil por exploração à prostituição, formação de quadrilha e tráfico nacional de humanos.
Naquele momento, o empresário também já erguia, ao lado da boate, o Oscar’s Hotel, obra embargada na Justiça desde 2007. O imóvel com 223 suítes era o grande projeto de Maroni, mas nunca funcionou devido à proximidade com o aeroporto de Congonhas. As aeronaves passam a cerca de 30 metros do ponto mais alto da torre, o que sempre causou ações de autoridades como o Ministério Público e da prefeitura de São Paulo. Os Maroni conseguiram evitar na Justiça a ordem de demolição do prédio, mas o negócio nunca foi para frente e segue abandonado.
Acauã Maroni (à esq.) será responsável mais responsável pela parte financeira do Bahamas, segundo assessoria de imprensa; Aratã (à dir.), pelo marketing e implementações na casa — Foto: Claudio Gatti/DivulgaçãoPara tentar retomar à vida pública, Maroni candidatou-se a deputado federal em 2018 com o número 90, do partido Pros, e com o final “69”. Com patrimônio declarado de R$ 13 milhões, investiu cerca de R$ 2 milhões na campanha, mas recebeu apenas 9 mil votos e não foi eleito. Defensor do agro na agenda política, ainda teve a fazenda no interior de São Paulo ocupada pelo MST.
Em 2022, Maroni também recebeu tratamento contra um câncer de próstata, mas uma metástase foi descoberta em novembro de 2025, o levando à morte em 31 de dezembro de 2025. No início do ano, o filho de Maroni, Aratã Maroni, 38, revelou que o pai também sofria de DFT, ou Demência Frontotemporal, condição que afeta os lóbulos frontais do cérebro e causa confusão, esquecimento e também mudanças acentuadas de humor.
A DFT não tem cura. “Ele sabia quem a gente era, mas se confundia. Me chamava de Eros, que é o nome do meu tio, mas sabia que estava falando comigo”, lembrou Aratã à GQ Brasil, em janeiro. Com o agravo da doença, Maroni foi refugiado na fazenda da família em Araçatuba, no interior de São Paulo, onde a família cultiva soja, cana e milho.
No comando do Bahamas Hotel Club, os filhos pretendiam fazer uma remodelação da marca, com uma linha de venda de hambúrgueres com nomes sugestivos, como “Noite Picante” e “Ménage à trois” e a reforma de uma balada no subsolo do bordel. “Eu não vendo sexo. Quem vende isso é ela [a prostituta]. Eu ganho na entrada, na suíte e no bar”, afirmou Aratã, pai de duas crianças e que só se envolveu nos negócios mais diretamente após a morte do pai.
Leia mais na GQ Brasil Um homem, seis mulheres e duas estão grávidas: conheça a família poliafetiva Justiça aceita denúncia contra brasileiro que tentou abrir porta de aviãoA inspiração dos herdeiros para a nova roupagem da casa noturna vinha de Hugh Hefner, magnata criador da revista Playboy, famosa pelo coelhinho. A ideia era manter a marca atrelada à sexualidade, mas como símbolo de lifestyle, incluindo a venda de souvenirs. “Minha ideia é que o marido possa comprar uma lingerie com o [logo] do coqueirinho para a esposa sem deixá-la brava”, disse Aratã na ocasião.
Oscar Maroni, fundador do Bahamas morto em dezembro, teve doença confundida com Alzheimer — Foto: ReproduçãoA equipe de comunicação do Bahamas confirmou o fechamento, mas afirmou que não há previsão de um pronunciamento público dos herdeiros.
Maroni era pai de Aratã, Aruã, Acauã e da única mulher do quarteto, a chef Aritana, todos com nomes inspirados em uma antiga novela da TV Tupi dos anos 70.
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