O Oceano Pacífico Equatorial entrou em condição de Super El Niño, segundo todos os critérios usados pela NOAA, a agência de clima e tempo dos Estados Unidos. A meteorologista Estael Sias, da MetSul, explica que o boletim semanal divulgado nesta segunda-feira (14) mostra anomalias de temperatura muito elevadas na região Niño 3.4, referência principal para o monitoramento do fenômeno.
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Super El Niño foi oficializado nesta semana pela NOAA Foto: NOAA
Pelo índice tradicional ONI, a anomalia atingiu +2,9°C, nível considerado de El Niño muito forte e já no limite de intensidade extrema. Na prática, valores iguais ou superiores a +2°C nessa área do Pacífico são classificados popularmente como Super El Niño, o que reforça o caráter excepcional do evento atual.
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O que mostram os índices ONI e RONIA NOAA passou a usar também o RONI, ou Índice Oceânico Niño Relativo, criado para compensar o efeito do aquecimento global sobre a classificação dos episódios de El Niño e La Niña. Diferente do ONI, que compara a temperatura com uma média climatológica fixa, o RONI ajusta a referência ao aquecimento observado nos oceanos tropicais.
Com esse método, a anomalia atual na região Niño 3.4 é de +2,0°C, ainda dentro da categoria de El Niño muito forte. É a primeira vez no evento de 2026-2027 que o patamar de Super El Niño é atingido simultaneamente pelos dois indicadores usados pela NOAA.
Entre os eventos mais intensos da históriaCom +2,9°C no ONI, o El Niño de 2026-2027 já figura entre os mais fortes já observados na era moderna. O valor ainda está próximo dos maiores registros históricos, como o Super El Niño de 2015-2016, que chegou a 3,0°C, e o de 1982-1983, com pico de 2,6°C.
Outro destaque é a antecipação do fenômeno. Nos grandes eventos das últimas décadas, o patamar de Super El Niño costuma ser alcançado mais tarde no ano, enquanto em 2026 ele foi atingido ainda em julho, o que reforça a excepcionalidade da evolução atual.
Modelos apontam pico no fim do anoAs simulações numéricas indicam consenso de que a intensidade máxima deve ocorrer no fim do ano, com algumas projeções sugerindo novembro e outras dezembro. A mediana dos modelos aponta que a anomalia pode se aproximar de +4°C na principal região de monitoramento.
Se isso se confirmar, o evento ficará muito acima do limite informal usado para definir Super El Niño e poderá superar com larga margem os picos observados no século 20. Especialistas, porém, lembram que intensidade térmica não se traduz automaticamente em impactos proporcionais.
Intensidade não define sozinho os impactosO efeito de um El Niño depende de vários fatores além da temperatura do Pacífico, como a circulação atmosférica, os ventos, a posição das águas mais quentes e a interação com outros padrões climáticos. Por isso, um evento mais intenso não significa necessariamente consequências maiores em todas as regiões.
Os impactos podem variar bastante de lugar para lugar. No Brasil, por exemplo, o atual episódio já mostra comportamento diferente do observado em 2023, com efeitos distintos entre regiões, incluindo excesso de chuva em áreas do Sudeste e menor chuva no Sul em comparação com o ciclo anterior.
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