O El Niño deste ano está entre os mais intensos já observados na era moderna. Isso já está sendo alertado há meses por meteorologistas e se consolida a cada novo prognóstico apresentado por modelos climáticos. De acordo com a análise da MetSul Meteorologia, nas atualizações da primeira semana de setembro, o pico do fenômeno deve acontecer para novembro e dezembro, com anomalias de temperatura da superfície do mar em torno de +4°C.
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O último boletim semanal da NOAA mostrou anomalia de +2,7°C no índice ONI, na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central. Esse é o índice tradicional usado para definir o El Niño clássico de impacto global, e o valor atual já corresponde à categoria de El Niño muito forte.
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Como os índices classificam o eventoNa prática, anomalias iguais ou superiores a +2°C nessa área do Pacífico entram na categoria muito forte, conhecida informalmente como Super El Niño. A NOAA também passou a usar neste ano o índice RONI, que compensa o aquecimento geral dos oceanos tropicais, e que mostra hoje anomalia de +1,8°C, ainda dentro da faixa de El Niño forte.
Em comparação histórica, os grandes eventos recentes apresentavam valores menores nessa fase do ano. Na primeira semana de setembro, a anomalia era de 1,6°C em 2023, 1,7°C em 2015, 2,1°C em 1997 e 0,6°C em 1982. No episódio atual, o limiar de +2°C foi atingido já em julho, algo que não ocorreu tão cedo nos principais eventos das últimas décadas.
Consenso aponta pico no fim do anoOs modelos numéricos convergem para a ideia de que o pico deve ocorrer no final do ano, com algumas simulações indicando novembro e outras, dezembro. A mediana dos dados sugere valores próximos ou ao redor de +4°C na principal região de monitoramento, o que colocaria o fenômeno em território excepcional, em “nível jamais visto”, como coloca o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall.
“Caso se confirme, será valor muito acima do patamar de +2°C usado para caracterizar informalmente um Super El Niño, o que, pelo índice ONI, já foi atingido ainda em julho, e não apenas superaria por larga margem os picos de todos os eventos do fenômeno no século 20, como colocaria o episódio atual em território excepcional e jamais observado em 170 anos de observações”, pontua o meteorologista.
O ritmo de aquecimento também impressiona, porque o fenômeno avança mais rapidamente do que o Super El Niño de 2015-2016 e se aproxima do pico daquele episódio em tempo incomum.
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