Às 8h46 do dia 11 de setembro de 2001, o mundo ficou perplexo com a imagem de um avião atingindo a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos. As imagens rapidamente repercutiram em todos os continentes e as pessoas tentaram, aos poucos, compreender o que estava acontecendo. Ainda não se tinha certeza de que aquele horror era reflexo de uma trama terrorista.
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Às 9h03, quando uma multidão ainda estava atônita, aconteceu o impacto de uma segunda aeronave, desta vez contra a Torre Sul.
E a sucessão de eventos trágicos daquela manhã ainda não havia acabado. Às 9h37, a fachada oeste do edifício do Pentágono, em Arlington, foi atingida por um terceiro avião.
Às 10h03, a quarta aeronave caiu em um campo perto de Shanksville, na Pensilvânia.
Passados 25 anos daquele triste episódio da história mundial, muita gente ainda preserva memórias daquele dia.
PublicidadeO local onde ficavam as Torres Gêmeas foi reerguido com novos projetos arquitetônicos, cujo edifício principal é o One World Trade Center, acompanhado por outras torres comerciais, espaços públicos e pelo memorial das vítimas.
Números
– Cerca de 2,7 mil pessoas morreram no complexo do World Trade Center, incluindo 343 bombeiros e policiais
Publicidade– Foram 125 vítimas no interior do prédio do Pentágono e 59 a bordo do Boeing
– Outras 44 pessoas morreram a bordo da aeronave que caiu em um campo perto de Shanksville, na Pensilvânia
PublicidadeProfundas mudanças na geopolítica e na segurança
Segundo Rodrigo Perla Martins, que é doutor em História, mestre em Ciência Política, especialista em Processos de Integração Internacional e professor da Universidade Feevale, o atentado de 11 de setembro de 2001 alterou profundamente a geopolítica e a segurança global, tanto no sentido micro quanto no macro.
Confirma alguns pontos destacados pelo professor:
PublicidadeGeopolítica e segurança global
“O impacto do 11 de Setembro na geopolítica atual… Na realidade, o dia 11 de setembro de 2001 alterou profundamente a geopolítica e a segurança global, tanto no sentido micro quanto no macro. No micro, é um mundo mais vulnerável para o cidadão comum, no sentido de guerras, atentados e mesmo fronteiras onde entra e sai, está sob uma vigilância enorme. Foi flexibilizado muito a questão dos dados pessoais de como podem ser usados, até contra a pessoa. Do ponto de vista da geopolítica internacional, é para muitos historiadores e o pessoal das relações internacionais, um mundo onde os Estados Unidos se colocou a partir das grandes intervenções terrestres, vide, o Afeganistão, o Iraque, e nesse quarto de século, então, 25 anos, os Estados Unidos provocou grandes batalhas, grandes guerras, perdeu algumas, ainda leva adiante outras… Nesse momento, desde 2022, refluem um pouco as suas intervenções, porque atuam mais por proxys (guerras por procuração), vide, Israel, quem sabe até a Ucrânia. O 11 de Setembro, ao mesmo tempo, coloca os Estados Unidos no contexto internacional. Interesses também trazem a China e a Rússia que desafiam esse poder global”.
PublicidadeDesafio do poder global
“O poder global que foi desafiado, então, se dá exatamente a partir do momento que os Estados Unidos tenta reforçar a unipolaridade dos Estados Unidos no contexto de 2001, do 11 de Setembro. Para muitos, os Estados Unidos aproveitam o gancho do atentado e se colocam no mundo para resolver questões que não estavam resolvidas, até a seu favor. O Iraque foi derrubado, o Saddam Hussein, com isso toda uma questão de acesso ao petróleo”.
PublicidadePrimavera Árabe
“No contexto da Primavera Árabe, ali pós 2010, governos antes dos Estados Unidos, como o da Líbia, foram derrubados e hoje mesmo a Líbia é um Estado falido e faz com que também as potências europeias, União Europeia, tenham um amplo acesso ao petróleo líbio”.
Migrações
“Os 25 anos também são 25 anos tensos que passaram inclusive com deslocamento de populações, migrações, já ali no início dos anos 2000, no pós-atentado. Depois no contexto da Guerra da Síria ou a Primavera Árabe. Até o Brasil sente impacto dessas migrações forçadas, em virtude das guerras provocadas”.
Grupos desafiam o sistema unipolar
“Também grupos políticos desafiam o poder dos Estados Unidos, não só Rússia e China, mas grupos políticos como a própria Al-Qaeda, o Estado Islâmico, que depois são vencidos e líderes mortos. São então líderes que passam a cooperar. Na Síria, o atual presidente, ele é um ex-terrorista do Estado Islâmico, que depôs armas e fez um acordo com os Estados Unidos e assumiu o poder na Síria depois da derrubada do regime de Bashar al-Assad. A Síria passa, vamos dizer assim, para o lado ocidental da força. Assim como o próprio surgimento de China e Rússia ou pelo menos dois sistemas, dois países que desafiam o sistema unipolar forçando uma multipolaridade na geopolítica internacional, que faz com que os Estados Unidos repense algumas de suas questões com o fim de grandes intervenções terrestres. Mas tem aqui até mesmo que negociar algumas coisas com o China e com a Rússia, enfrentar outras. Os desafios internos dos Estados Unidos fazem com que também eles repensem algumas coisas. O próprio Trump, para além da questão de liderar uma vaga da extrema direita internacional, também ele tem um discurso interno de retomada do poder americano, a questão interna de empregos. Então é todo um discurso, vamos dizer assim, de um nacionalismo de extrema direita com problemas de racismo, misoginia, mas é um Estados Unidos que tenta voltar para casa depois desses últimos 25 anos de tentativa de expansão. Então isso também é uma consequência desses 25 anos”.
Mais tensão, guerras e disputas
“Algo semelhante ao atentado do 11 de setembro é difícil acontecer, assim, de maneira única. O que se tem nos últimos 25 anos, então? Mais insegurança, mais disputa internacional, mais guerras, guerras que a gente não fica sabendo, conflitos internos, tensões, estreitos, blocos econômicos e políticos que se reorganizam para se enfrentar, então… Não acredito num evento parecido, mas sim, até mesmo acredito em possíveis guerras regionais, como já acontece a guerra da Federação Russa contra a Ucrânia, ou como muitos dizem, Rússia contra a Otan com a Ucrânia no meio, ou a mesma, agora, a Otan tensionando para uma guerra contra a Federação Russa. O próprio ministro das Relações Exteriores dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Sergei Lavrov, fala de uma possível guerra da Rússia contra a Alemanha. Quer dizer, o mundo está muito mais tenso. E pós 22 com a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, tudo é mais tenso mesmo. Não acredito em repetição de um atentado como nos moldes do 11 de Setembro, mas o mundo muito mais perigoso, com mais guerras e mais interesses expostos do que se vivia até 2001. Inclusive, o 11 de setembro de 2001 marca um ataque interno nos Estados Unidos, coisa que nunca tinha acontecido. Os Estados Unidos foram atacados três vezes no seu território. Uma, na guerra civil, por eles mesmos que destruíram o sul do seu território. Depois, um ataque que eles sofreram do Japão em 7 de dezembro de 1941, com o ataque a Pearl Harbor. E agora em 2001. Imagina, os Estados Unidos poucas vezes foram atacados na história, em seu território. Aí considera que o primeiro ataque, a primeira destruição foi por eles mesmos, o segundo foi um ataque a território americano, mas não no continente, e o terceiro agora, em 2001, que é um ataque no próprio continente. Isso é marca na história”.
Repercussão
“Uma variável importantíssima nesse pós-2001, não tanto pela questão geopolítica ou dos conflitos, mas a repercussão dos mesmos, como é que desdobra isso, como é que desdobrou nos últimos 25 anos, é também a questão da Internet. Isso fez com que reverberasse de maneira muito forte entre as pessoas a questão das diferenças, dos atentados, das guerras, dos eventos conflituosos. Acho que não a mídia tradicional, que é o jornal, que sempre repercutiu, mas agora de maneira mais intensa, assim, a questão da Internet, isso mudou muito nos últimos 25 anos e fez com que pessoas comuns se interessassem pelos eventos. A internet explodindo e levando esses eventos para os celulares de todo mundo, quase de maneira instantânea”.
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