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Sessão para julgar impeachment de Santiago Peña começa no Paraguai G1

Sessão para julgar impeachment de Santiago Peña começa no Paraguai G1
Presidente poderá comparecer pessoalmente ou enviar um advogado. Para afastá-lo, são necessários ao menos 30 votos entre os 45 senadores que compõem comissão especial.

Como é o escândalo financeiro que derrubou o presidente do Paraguai e gerou mais protestos

O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña para adiar em 72 horas o julgamento do processo de impeachment aberto contra ele. Foram 39 votos contra, três a favor e duas abstenções.

Logo depois, os senadores aprovaram, por unanimidade, a admissão das provas apresentadas pela comissão de acusação da Câmara dos Deputados, dando andamento ao processo. Foram 41 votos favoráveis e nenhum contrário.

Com a decisão, documentos, relatórios e outros registros apresentados pela comissão passam a integrar formalmente o processo. Os senadores também rejeitaram as objeções preliminares da defesa, que questionava a validade das provas.

Agora, o imbróglio avança para a fase final de alegações e julgamento.

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O que está acontecendo com o presidente do Paraguai?

Peña está no centro da crise bancária que atingiu o Paraguai. Ele é acusado de ter sido conivente com a quebra do banco digital Ueno, que encerrou as atividades e deixou mais de um terço da população paraguaia sem acesso às contas bancárias.

Pressionado pela oposição e isolado entre os próprios aliados, o presidente apresentou uma carta de renúncia na quinta-feira (5), mas o pedido ainda não foi aceito pelo Congresso. (leia mais abaixo)

O processo de impeachment foi aberto na Câmara dos Deputados também na quinta-feira e corre em paralelo ao pedido de renúncia apresentado por Peña. A renúncia não é automática: cabe ao Congresso decidir se aceita ou rejeita o pedido.

Durante a sessão desta sexta, o advogado de Peña, Adolfo Ferrreiro, classificou o processo como irregular devido ao prazo considerado insuficiente para a preparação da defesa. Ele também afirmou que o presidente recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos caso o impeachment seja aprovado.

Cinco fases do impeachment 1 de 3 Vista geral do Congresso Nacional do Paraguai durante o julgamento de impeachment após a renúncia do presidente Santiago Peña em Assunção, em 6 de novembro de 2026. O presidente paraguaio Santiago Peña, que enfrenta um processo de impeachment em decorrência de um escândalo bancário que afetou milhões de pessoas, solicitou três dias adicionais para se preparar em 6 de novembro — Foto: DANIEL DUARTE / AFP

Vista geral do Congresso Nacional do Paraguai durante o julgamento de impeachment após a renúncia do presidente Santiago Peña em Assunção, em 6 de novembro de 2026. O presidente paraguaio Santiago Peña, que enfrenta um processo de impeachment em decorrência de um escândalo bancário que afetou milhões de pessoas, solicitou três dias adicionais para se preparar em 6 de novembro — Foto: DANIEL DUARTE / AFP

O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, havia afirmado na quinta-feira a jornalistas que não seria possível concluir o julgamento em apenas um dia. Segundo Núñez, o processo de impechament ocorrerá em cinco fases. A sessão desta sexta foi a segunda fase, e ainda não havia previsão para as outras três sessões.

Depois da manifestação de Peña nesta sexta, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Na sequência, as partes terão a oportunidade de apresentar seus argumentos finais. Só então os 45 integrantes do Senado votarão o impeachment.

Para afastar Peña definitivamente, serão necessários pelo menos 30 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos senadores. Se condenado, ele perderá o mandato e também deixará de ter direito à condição de senador vitalício.

➡️ No Paraguai, ex-presidentes que concluíram seus mandatos ou renunciaram ao cargo ganham o título de senador vitalício, o que garante imunidade parlamentar pelo resto da vida. Neste caso, no entanto, ex-líderes que sejam "condenados em julgamentos políticos" — caso do impeachment — terão esse direito revogado.

Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a Presidência e deverá concluir o mandato, que termina em agosto de 2028. Se Peña for absolvido, preservará o cargo de senador vitalício.

Crise política 2 de 3 presidente Santiago Peña, a quem culpam pela crise desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas, em Assunção, Paraguai, 5 de novembro de 2026 — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo

presidente Santiago Peña, a quem culpam pela crise desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas, em Assunção, Paraguai, 5 de novembro de 2026 — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo

O processo de impeachment ocorre após a quebra do banco ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição fechou as portas na última terça-feira (3), depois que o Banco Central paraguaio iniciou sua liquidação por insuficiência de recursos para cobrir as obrigações financeiras.

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025.

Após o escândalo, parlamentares da oposição passaram a acusar o presidente por um suposto conflito de interesses, manipulação de regras e irregularidades envolvendo recursos previdenciários. A acusação também aponta que o Banco Central teria encoberto problemas financeiros da instituição.

3 de 3 Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que apresentou renao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo

Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que apresentou renao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo

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