Durante discurso nesta quarta-feira (23) do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, um representante dos Estados Unidos presente deixou o plenário pouco após o início da fala.
Pezeshkian começou o discurso falando que o país foi vítima de terrorismo e mostrou imagens das vítimas do ataque a uma escola, que teria sido feito erroneamente pelos Estados Unidos e por Israel, matando mais de 100 estudantes.
'Eu tinha preparado um discurso, mas depois que os Estados Unidos nos descreveu como terroristas, tive de mudá-lo. Eles nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais', declarou.Assim que falou isso, o integrante da delegação americana, assim como da israelense, deixaram o plenário. Veja o momento:
Autoridade dos EUA deixa Assembleia da ONU durante discurso de presidente do Irã
'Os Estados Unidos, usando armas com múltiplas ogivas, alvejaram aquele ginásio esportivo. Eles martirizaram, assassinaram nossos cientistas, nossos homens, mulheres e crianças. Crianças inocentes que, na verdade, não haviam cometido crimes, nem pecados', seguiu.Ele também mostrou imagens do líder supremo, Ali Khamenei, que foi assassinado no primeiro dia de guerra pelos EUA.
2 de 5 Representante dos Estados Unidos deixa plenário da ONU em discurso de presidente do Irã. — Foto: ReproduçãoRepresentante dos Estados Unidos deixa plenário da ONU em discurso de presidente do Irã. — Foto: Reprodução
Masoud Pezeshkian ainda falou sobre a Palestina, que ele chama de 'uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional'.
'Gaza continua sendo um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento da população civil'. 'Enquanto a ocupação e a injustiça persistirem no mundo, a resistência continuará. Se estiver enfraquecida em uma forma, ressurgirá em outras, talvez ainda mais forte'.A segurança do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que está em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas está sendo assegurada pelo Serviço Secreto dos EUA. A informação é de autoridades americanas para a rede de TV CNN.
Outros funcionários iranianos são protegidos pelo Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado, disseram as autoridades.
3 de 5 Discurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante Assembleia da ONU. — Foto: ReproduçãoDiscurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante Assembleia da ONU. — Foto: Reprodução
Os serviços federais de segurança de Pezeshkian e outros membros da delegação iraniana contam com o apoio de membros do Departamento de Inteligência da Polícia de Nova York, além de detetives da NYPD e escoltas da polícia rodoviária.
Como membro fundador da ONU, o Irã mantém presença no evento diplomático global há décadas, liderado mais recentemente pelo presidente do país, Pezeshkian, e seu antecessor, Ebrahim Raisi.
Mas a presença da delegação iraniana este ano, em território nacional de um país com o qual permanece em guerra, é inédita nos últimos anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que autoridades iranianas e americanas tiveram uma longa conversa, de mais de três horas, à margem da Assembleia Geral da ONU.
Segundo ele, os iranianos conversaram com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Ele disse que haverá uma nova reunião em um futuro muito próximo.
4 de 5 Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: ReproduçãoPresidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Reprodução
Witkoff disse que se sentiu muito bem com a reunião, o primeiro contato desse tipo desde que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, se encontrou com uma delegação iraniana para firmar um memorando de entendimento na Suíça, em junho .
Autoridades iranianas confirmaram que a reunião com Witkoff contou com a presença do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e foi mediada por diplomatas do Catar.
Um alto funcionário iraniano também indicou que o país estava preparado para reabrir o Estreito de Ormuz dentro de uma semana, desde que os EUA tomassem medidas recíprocas para aliviar a pressão militar e econômica que exercem sobre o Irã.
Anteriormente, o Irã havia estabelecido sete pré-condições onerosas para suspender o bloqueio ao estreito, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, incluindo o fim da guerra dos EUA "em todas as frentes" e um compromisso dos EUA de encerrar todas as ações agressivas contra o Irã, incluindo sanções.
A nova posição, revelada em meio a negociações frenéticas nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em Nova York e comunicada por um funcionário iraniano em Teerã à agência de notícias japonesa Kyodo e, posteriormente, à Reuters, envolveria o relaxamento de algumas dessas pré-condições.
Uma fonte do governo afirmou que a posição havia sido aprovada pelo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, embora alguns veículos da mídia iraniana próximos à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) tenham negado a adoção de qualquer nova posição, refletindo divergências em Teerã.
Diplomatas vinham sondando o terreno para possíveis negociações entre os EUA e o Irã, com diplomatas do Catar em conversas com Araghchi. No entanto, um encontro entre o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e Trump havia sido praticamente descartado por ser considerado muito explosivo.
5 de 5 Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: ReproduçãoPresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Reprodução
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