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ONU defenderá sua própria sobrevivência na Assembleia Geral G1

ONU defenderá sua própria sobrevivência na Assembleia Geral G1
Organização tem sido alvo de ataques e cortes de financiamento, principalmente pelos EUA. Assembleia Geral começa nesta terça 22 . Brasil abre sessão de debates.

Para que serve a ONU se ela não consegue encerrar as guerras?

Sob constates ataques, cortes de verba e crise de credibilidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) usará sua 81ª Assembleia Geral, que começa nesta terça-feira (22), para fazer um apelo pela sua própria sobrevivência.

A defesa institucional será a mensagem central durante a Assembleia Geral, segundo Stéphane Dujarric, porta-voz de António Guterres, o secretário-geral da ONU.

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"O secretário-geral quer que os Estados-membros reafirmem seu compromisso com esta organização", disse Dujarric.

🌏 Fundada em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, como um instrumento internacional regulador de conflitos e das relações entre os países, a Organização das Nações Unidas (ONU) é composta por 193 países — incluindo o Brasil. Há 80 anos, é a principal instituição multilateral do planeta.

➡️ Recentemente, no entanto, a ONU virou alvo de uma série de críticos, liderados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusa a instituição de ser enviesada e ineficaz. Desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, o governo dos EUA, que responde por mais de 20% do financiamento da ONU, vem cortando repasses e até programas inteiros da organização.

Países como Israel, Rússia e os próprios EUA também têm ignorado resoluções do Conselho de Segurança da ONU — para quem, em teoria, países têm de submeter pedidos para atacar outros territórios — e até mandados de prisão expedidos por órgãos judiciais da instituição.

👉 A própria organização reconhece suas limitações atuais e fala na necessidade de reformas. Em discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), Guterres admtiu que a organização está ultrapassada e que uma ampla reforma é a única saída.

"Nossas instituições e sistemas de governança global continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma era amplamente ultrapassada. Esse é o desafio central diante de nós", discursou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abriu os discursos dos líderes mundiais, também iniciou sua fala apontando a falta de "credibilidade" atual da ONU. "A credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", disse Lula.

Nos próximos dias, segundo o porta-voz de Guterres, o secretário-geral fará dezenas de reuniões bilaterais para pedir ajuda, mas também ouvir propostas de líderes mundiais sobre formas de manter a organização viva.

"O objetivo é termos uma ONU que, como ele tem dito, reflita o mundo de 2026, e não o de 1945", disse o porta-voz. "Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel".

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Guterres reconheceu a paralisia de agências da organização e, principalmente, do Conselho de Segurança. Ele culpou, no entanto, a "enorme divisão geopolítica" e disse que a sobrevivência da ONU depende de que os países, principalmente as grandes potências, respeitem o direito internacional.

"Muitos países dizem: 'Se as superpotências podem violar a lei, por que nós não podemos?'" Eles fazem o que querem, sabendo que haverá impunidade total", afirmou Guterres, que discursa nesta terça-feira antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na segunda-feira (21), a ONU publicou um artigo intitulado "Por que a Assembleia Geral ainda tem importância?", em que defende que líderes mundiais continuem utilizando os espaços da ONU para discutir e tentar resolver as crises e conflitos do mundo.

"A ONU deve ser uma referência de valores e princípios para todo o mundo, pois alguém precisa afirmar que a lei da força não pode prevalecer sobre a força da lei", acrescentou.

'Encolham a ONU' 1 de 1 O plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 21 de setembro de 2026. — Foto: David Dee Delgado/ Reuters

O plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 21 de setembro de 2026. — Foto: David Dee Delgado/ Reuters

Desde o ano passado, o secretário-geral vem lutando com a crise financeira aguda da ONU, que fez a organização ter de cortar programas inteiros para sobreviver.

Para o diretor do Instituto de Assuntos Globais e Crises Internacionais, Richard Gowan, a única forma da ONU sobrevivência é "voltar ao básico".

Em um artigo na revista "Foreing Affairs" publicado na segunda-feira (21) e intitulado "Encolham a ONU", Gowan defende que a organização passe a focar em funções essenciais, como a mediação de conflitos e a ajuda humanitária. E propõe que a próxima liderança da ONU, que substituirá Guterres, abandone burocracias excessivas e cúpulas grandiosas em favor de uma diplomacia mais ágil e enxuta.

"Diante de desafios crescentes, uma iminente transição de liderança poderá determinar se a ONU conseguirá se estabilizar e talvez até recuperar parte de sua credibilidade — ou se deslizará ainda mais para a decadência", escreveu.

"Esta ONU mais enxuta pode ser a ONU de que o mundo precisa", escreveu.

Brasil manifesta apoio

Em meio à crise interna, eleições e relações tensas com Donald Trump, Lula também deve usar seu discurso, que abrirá a Assembleia Geral, para defender a ONU e o multilateralismo.

No fim de semana, o Brasil assinou, junto de países da União Europeia, do Canadá e do Quênia, um manifesto pedindo que líderes não abandonem o multilateralismo.

O tema deve fazer parte do seu discurso nesta terça, segundo indicou o presidente em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da rede CNN Internacional, na segunda-feira.

"O multilateralismo é o que funcionou até agora para manter o comércio do mundo em uma certa harmonia, porque se não tivermos harmonia comercial, tudo será um caos na economia mundial", disse Lula na entrevista.

O brasileiro afirmou, também, que Donald Trump tem caminhado na contramão do multilateralismo.

"Isso é muito perigoso, porque sempre existe a possibilidade de prevalecer o mais forte, aquele que é mais forte economicamente, aquele que tem mais armas, aquele que tem mais tecnologia".

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