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Ataques israelenses no Líbano matam 11 pessoas na madrugada de segunda pelo menos dois são bebês

Ataques israelenses no Líbano matam 11 pessoas na madrugada de segunda pelo menos dois são bebês
Operações fazem parte da escalada do conflito iniciada no domingo 6 , que colocou na prática o fim ao cessar-fogo de junho

Novos ataques israelenses ao sul do Líbano já deixaram 11 mortos na madrugada de segunda (7), sendo dois deles bebês, anunciou a mídia estatal libanesa. A ofensiva acontece apenas um dia após a escalada que deixou sete mortos.

Nove pessoas morreram em apenas um dos ataques, que destruiu um prédio residencial de três andares em Kfar Rumman, de acordo com a agência NNA. As outras duas vítimas fatais eram socorristas cujo carro foi alvo das forças israelenses.

O Exército de Israel havia ordenado moradores de Deir Zahrani – a cerca de 9 km do estratégico monte Ali Taher – que evacuassem a área nesta madrugada, antes do início dos bombardeios com drones explosivos, segundo a AFP. Não há informação de soldados feridos.

Devido à escalada de violência neste fim de semana, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, pediu aos EUA e à comunidade internacional que ajudem a frear os ataques de Israel.

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As Forças de Defesa de Israel anunciaram no início deste domingo (6) que começariam a realizar ataques ao sul do Líbano e orientaram que moradores de Arab Salim deixassem a região imediatamente. Pelo menos duas mulheres foram mortas.

Parentes, amigos e moradores de Arab Salim carregam o caixão de Israa Bahjat, uma das mulheres mortas durante o ataque ao sul do Líbano em 6 de setembro — Foto: AMMAR AMMAR/AFP

A operação seria retaliação a lançamentos de drones feitos pelo Hezbollah – organização paramilitar islâmica que atua no país – contra seus soldados, disseram os militares israelenses.

O cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, acordado em junho já demonstrava sinais de desgaste. Apesar de as hostilidades terem chegado ao fim em boa parte do Líbano, o estratégico monte Ali Taher continuava recebendo bombardeios isralenses diários nas últimas semanas.

Por que Ali Taher – e o sul do Líbano – são tão importantes?

Mediado pelos EUA, o acordo de 26 de junho prometia que Israel se retiraria do país se o Hezbollah se desarmasse. O grupo, que não participou das negociações, se recusava a entregar a área ao norte do rio Litani, onde está Ali Taher. Segundo as forças israelenses, o motivo seria uma rede de túneis no seu subterrâneo que o Hezbollah usa como abrigo para seus soldados e armazém de armas.

O Hezbollah, por sua vez, teria rejeitado uma proposta do próprio governo libanês de entregar o monte ao seu exército. Isto porque o grupo temia que os militares libaneses perderiam seu controle para os israelenses – que poderiam até passar a exigir uma parte do território libanês. Oficialmente, sua liderança dizia que não haveria desarmamento na área se Israel não se retirasse primeiro.

Israel ocupou Ali Taher por 18 anos antes de sua retirada do Líbano em 2000. Ele dá uma vista privilegiada para diversos vilarejos e estradas principais da região – e sua perda não prejudicaria apenas os abrigos e abastecimentos do Hezbollah, mas sua própria sobrevivência na área.

Apoiado pelo Irã, que segue em guerra com EUA e Israel, o Hezbollah também atacava com drones os militares israelenses na área nas últimas semanas, apurou a agência Associated Press. A tensão chegou ao seu ápice na quinta (3), quando Israel anunciou que havia tomado o controle operacional de Ali Taher, enquanto a mídia estatal libanesa reportava que suas forças aéreas seguiam bombardeando o monte.

Com o início da operação em Arab Salim, situada a 7 km da montanha, ficou claro que a escalada de violência não está mais contida apenas aos abrigos do Hezbollah de Ali Taher – e pode levar a novos focos de combate por todo o país, além de dificuldades para as negociações de paz também com o Irã.

Moradores do vilarejo de Mayfadoun, a 14 km de Arab Salim, inspecionam a destruição após ataque de 5 de setembro — Foto: AMMAR AMMAR/AFP

Na sexta (4), a agência estatal libanesa NNA havia noticiado que ataques israelenses já atingiam sete vilarejos nos distritos de Tiro e Nabatieh, incluindo Mayfadoun, mas não havia informação de feridos. Neste domingo (6), aviões israelenses bombardeiam também Zawtar al-Sharqiyah, a cerca de 19,5 km de Arab Salim, ainda de acordo com a rede Al Jazeera.

Israel já se prepara para batalhas em múltiplos frontes, diz jornal

O tenente-general Eyal Zamir, liderança das Forças de Defesa de Israel, conduziu na manhã de domingo (6) "exercícios militares de resposta rápida" para testar a capacidade do exército israelense de atuar em um cenário "complexo e repentino" envolvendo "múltiplos frontes [de combate]", revelou ainda o jornal The Times of Israel.

Ao jornal, as forças israelenses disseram examinar sua prontidão e preparação das tropas para lidar "com um evento de larga escala", especialmente em antecipação ao período de festas religiosas judaicas. Os exercícios haviam sido mantido em segredo absoluto, até de seus principais generais, até o início da manhã, ainda segundo o jornal.

Toda a reserva das forças israelenses também foi ativada como parte do exercício, incluindo um batalhão de helicópteros.

O número de mortos vítimas de ataques de Israel no Líbano nos últimos três anos já passa de 8.900, enquanto os feridos são quase 30.600, informaram ainda autoridades de saúde pública libanesas à rede catari. Quase metade dos mortos e mais de um terço dos feridos teriam sido registrados após 2 de março, após o início da guerra no Irã.

A ACNUR, agência da ONU para refugiados, estima que 360 mil pessoas tenham sido deslocadas pelo conflito até o mês de agosto, com pelo menos 22 mil vivendo em abrigos coletivos.

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