Israel afirmou nesta quarta-feira ter matado o recém-nomeado chefe do braço armado do Hamas em Gaza, dias depois de ter matado seu antecessor, enquanto intensifica a pressão militar em Gaza e expande as operações no Líbano.
O Exército israelense disse que Mohammad Odeh foi morto em uma operação em Gaza na terça-feira. Um parente de Odeh confirmou sua morte à Reuters e disse que o funeral ocorrerá após as orações do meio-dia na Cidade de Gaza.
O Hamas ainda não emitiu um comunicado oficial, mas uma declaração de sua família disse que ele foi morto junto com sua esposa e filho. Autoridades de saúde de Gaza disseram que seis pessoas, incluindo pelo menos uma mulher, foram mortas e mais de 20 ficaram feridas no mesmo ataque israelense que destruiu um andar superior de um prédio de apartamentos no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza.
Equipes de resgate ainda estavam no local procurando por mais possíveis vítimas.
Israel afirma que Odeh esteve envolvido no ataque de 2023. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na terça-feira que Odeh chefiava a divisão de inteligência do Hamas na época do ataque transfronteiriço de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, e que foi nomeado há cerca de uma semana para substituir Izz al-Din al-Haddad, o principal comandante armado do grupo, morto por Israel em 15 de maio.
Fontes próximas ao Hamas não confirmaram a nomeação de Odeh como novo chefe militar, mas concordaram que ele era visto como o possível sucessor de Haddad, como chefe da inteligência militar do grupo e possivelmente o último membro vivo do conselho superior de liderança do braço armado.
Horas antes do ataque, Israel anunciou a expansão de suas operações terrestres no Líbano, onde combate militantes do Hezbollah, aliados do Irã, desde que iniciou ataques contra o Irã com os Estados Unidos no final de fevereiro. Israel também está intensificando suas atividades militares na Cisjordânia.
Israel e Hamas estão em impasse nas negociações indiretas sobre a implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo, que inclui o desarmamento do grupo e a retirada do Exército israelense. O cessar-fogo, acordado em outubro, deixou Israel no controle de mais da metade de Gaza, com o Hamas controlando uma pequena faixa de território costeiro.
Em um comunicado, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o Hamas não exercerá mais controle civil ou militar sobre Gaza e que um plano para o que ele descreveu como "migração voluntária" do enclave também será implementado "no momento certo e da maneira certa".
Cerca de 900 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde que a trégua entrou em vigor, segundo dados de autoridades de saúde de Gaza que não distinguem entre combatentes e civis. Quatro soldados israelenses foram mortos por militantes durante o mesmo período, informou o Exército do país.
Israel matou dezenas de líderes e militares do Hamas desde o início da guerra em Gaza e prometeu matar ou capturar qualquer pessoa que, segundo o país, tenha participado dos ataques de 7 de outubro de 2023. O Hamas não divulga números de baixas entre seus combatentes.
Israel afirma que seus ataques pós-cessar-fogo visam impedir ataques ou impedir que pessoas se aproximem da linha de armistício com o Hamas. Mais de 72 mil habitantes de Gaza foram mortos desde o início da guerra em outubro de 2023, a maioria civis, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza.
Israel afirma tomar medidas extraordinárias para evitar baixas civis. Os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 mataram 1.200 pessoas, segundo dados israelenses.
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