oMelhor.Net

Embaixador do Irã agradece apoio do Brasil e afirma que reação contra EUA e Israel irá continuar

Embaixador do Irã agradece apoio do Brasil e afirma que reação contra EUA e Israel irá continuar
Nekounam afirma que Teerã age em “direito legítimo de defesa” e que retaliações seguirão até recuo dos adversários

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira que Teerã agradece o posicionamento do governo brasileiro, que condenou a ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. Segundo ele, a manifestação de Brasília demonstra valorização da soberania, da integridade territorial e dos direitos humanos.

Ao vivo: Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e HezbollahInfográficos: Veja passo a passo da missão que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em plena luz do dia

— Nós recebemos a declaração e comunicados do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo brasilEIRO como uma ação valorosa, que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos — destacou.

Nekounam reiterou que o país já decidiu dar continuidade às respostas militares e que não haverá limites para as retaliações enquanto as agressões persistirem.

— Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Nós fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há nenhuma limitação e restrição sobre nossas respostas e retaliações diante dos ataques dos EUA e do regime sionista [em referência ao governo israelense]. Responderemos à altura. Se formos atacados vamos responder de forma firme — afirmou o embaixador. — Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa.

Continuar Lendo Mais Sobre Irã Entenda como possível ataque americano resultou em quatro mortes durante casamento no sul do Irã; EUA negam mirar civis Após nove meses no mar, porta-aviões dos EUA chega à Tailândia em meio a denúncias de problemas a bordo

Nekounam classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo ele, matou mais de 170 meninas em uma escola. O embaixador afirmou que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.

Autoridades do país afirmam que o bombardeio fez parte da operação lançada no sábado por Israel em cooperação com os Estados Unidos, mas o Exército israelense negou a acusação. Até o momento, não há autoria confirmada do ataque e nem explicação oficial sobre o incidente. Diversos vídeos e fotos verificados pelo New York Times mostraram que pelo menos metade da escola de dois andares foi destruída na explosão.

Negociações nucleares paralisadas

O diplomata disse que a retomada das negociações sobre o acordo nuclear — que estava prevista para acontecer em Viena — foi interrompida após os novos ataques. E acusou os EUA de usar as conversas como “farsa” e de buscar mudança do regime iraniano. Segundo ele, Teerã havia esclarecido as questões levantadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes da escalada militar.

Nekounam afirmou ainda que espera que a guerra não afete o comércio com o Brasil, incluindo insumos agrícolas. Segundo ele, não há relatos de brasileiros entre as vítimas e afirmou que a embaixada mantém diálogo regular com o Itamaraty sobre a situação no país.

Análise: Regime do Irã pode sobreviver, mas o Oriente Médio será transformado

O embaixador também reforçou que os ataques iranianos têm como alvo “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”, não os países vizinhos — um recado após queixas regionais sobre os riscos de expansão do conflito.

— Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministros de Relações Exteriores, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las — disse.

O embaixador também afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz — corredor por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo — não foi uma surpresa para Teerã. Segundo ele, a liderança iraniana já havia avisado que qualquer ofensiva contra o país poderia desencadear uma crise de alcance regional. Para o diplomata, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.

Mais recente Próxima Infográfico mostra locais atingidos em múltiplos fronts da guerra no Oriente Médio; veja INSCREVA-SE NA NEWSLETTER Guga Chacra Análises dos grandes acontecimentos internacionais Inscrever IrãTodo conteúdo