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Kiev acusa a Rússia de usar míssil com capacidade nuclear na Ucrânia

Kiev acusa a Rússia de usar míssil com capacidade nuclear na Ucrânia
Se a informação for confirmada, representaria uma ameaça contundente ao país e a seus aliados

O Ministério de Defesa da Rússia disse nesta sexta-feira que atacou a Ucrânia com um míssil balístico de alcance intermediário e capacidade nuclear, conhecido como Oreshnik, em um assustador alerta do presidente russo, Vladimir V. Putin, em meio a negociações lideradas pelos EUA para pôr fim ao conflito. Segundo o ministério, o Oreshnik e outras armas foram usados para atingir instalações de fabricação de drones e infraestrutura energética na Ucrânia.

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Explosões foram relatadas na manhã desta sexta-feira perto da cidade de Lviv, no oeste do país, após a Força Aérea ucraniana alertar sobre um possível lançamento de míssil a partir de Kapustin Yar, um local estratégico russo de testes nucleares localizado perto do Mar Cáspio. O Oreshnik pode transportar ogivas convencionais ou simuladas, além de nucleares.

O ataque, perto da fronteira da Polônia, sugere uma possível intenção de sinalizar uma ameaça mais iminente, já que o país que é membro da União Europeia e da Otan. Essa foi apenas a segunda vez na guerra em que houve o lançamento do Oreshnik. O primeiro ocorreu em 2024, atingindo uma fábrica aeroespacial na cidade central de Dniéper. A ação causou apenas danos mínimos, pois o míssil carregava ogivas falsas, sugerindo um uso puramente simbólico da arma.

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O Ministério da Defesa russo classificou a ação como uma resposta a uma tentativa de ataque ucraniano no mês passado contra uma das residências do Putin na Rússia, alegação que autoridades ucranianas classificaram como uma mentira destinada a sabotar as negociações de paz. Segundo agências de inteligência dos EUA, não há provas de que tal ataque tenha ocorrido.

Momento de tensão

O ataque em Lviv ocorreu em um momento de tensão, com a Ucrânia rejeitando as exigências russas de ceder território nas negociações de paz e o governo Trump destituindo um aliado da Rússia, o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela. Os Estados Unidos também apreenderam esta semana um petroleiro de bandeira russa no Atlântico Norte, que, segundo Washington, tentava transportar petróleo bruto da Venezuela, violando as sanções.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, classificou o ataque como "uma grave ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica". Em comunicado, Sybiha afirmou que a Ucrânia informou os Estados Unidos, as nações europeias e as organizações internacionais sobre o ataque.

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“É absurdo que a Rússia tente justificar este ataque com o falso ‘ataque à residência de Putin’, que nunca aconteceu”, escreveu Sybiha. Segundo ele, Putin disparou o míssil perto de uma “fronteira da UE e da Otan em resposta às suas próprias alucinações — esta é verdadeiramente uma ameaça global”.

Uma densa fumaça sobe de um prédio após a Rússia lançar ataque com drones e mísseis contra Kiev — Foto: Eugene Kotenko / AFP

Múltiplas ogivas

Após o primeiro ataque, em 2024, Putin apresentou o Oreshnik como um novo desenvolvimento da indústria bélica russa e um motivo para o Ocidente retirar seu apoio à Ucrânia na defesa contra a invasão russa, iniciada em 2022.

Não se trata de um projeto totalmente novo. O Pentágono afirmou que o armamento foi baseado em um míssil intercontinental, o RS-26 Rubezh, que foi redesenhado com um alcance menor. Seu lançamento foi visto como uma ameaça nuclear pouco disfarçada: o míssil é parte integrante da força nuclear estratégica da Rússia.

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O míssil carrega múltiplas ogivas que se separam em voo e caem sobre o alvo. A Ucrânia não possui sistemas de defesa aérea capazes de abatê-lo.

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