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Ex-candidato presidencial Enrique Márquez é um dos primeiros opositores libertados na Venezuela vídeos

Ex-candidato presidencial Enrique Márquez é um dos primeiros opositores libertados na Venezuela vídeos
Ex-candidato presidencial Enrique Márquez é um dos primeiros opositores libertados na Venezuela vídeos

O ex-candidato à Presidência da Venezuela Enrique Márquez e o ex-deputado Biagio Pilieri, opositores ao chavismo, foram soltos da prisão na noite de quinta-feira, como parte da primeira onda de libertações anunciada pelo governo interino de Delcy Rodríguez. A medida foi tomada após pressão dos Estados Unidos e, segundo a Casa Branca, revela o poder que o presidente Donald Trump está exercendo sob a administração do país latino desde a deposição de Nicolás Maduro. Imagens do momento da libertação de Márquez e Pilieri se espalharam nas redes sociais e familiares falam da emoção do reencontro tão aguardado. ONGs de direitos humanos, no entanto, denunciam que menos de "uma dúzia" de presos foram soltos até o momento. Os números oficiais não foram divulgados.

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A coalizão Mesa da Unidade informou no X a saída de Márquez e do dirigente Biagio Pilieri, um colaborador próximo da líder opositora María Corina Machado. “Esperamos que nos próximos minutos se concretizem mais libertações, até alcançar a liberdade de TODOS os presos políticos”, escreveu a Unidade, que até agora tem confirmação desses sete libertados.

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— Já terminou tudo — disse Márquez à esposa, em um bairro de Caracas para onde foi levado por policiais junto com Pilieri, segundo um vídeo de um jornalista local que os acompanhou.

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Ele foi candidato nas eleições de 2024, nas quais Maduro foi reeleito em meio a denúncias de fraude. Sua candidatura foi vista como uma alternativa diante de uma eventual inabilitação do candidato de María Corina Machado, Edmundo González Urrutia, que ainda reivindica a vitória.

Biagio Pilieri, ex-deputado do partido Convergência Nacional, de centro-direita, foi preso em 28 de agosto de 2024 e mantido na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), em Caracas, no bairro de El Helicoide, de onde saiu um ano e cinco meses depois.

“Graças a Deus. Hoje, 8 de janeiro de 2026, meu pai, Biagio Pilieri, foi libertado”, escreveu um de seus filhos nas redes sociais. Ele afirmou que o ex-deputado ficou “um ano, quatro meses e 11 dias” preso de forma injusta, disse que a detenção “nunca deveria ter ocorrido” e agradeceu o apoio de familiares, amigos, organizações e da imprensa, além de defender a libertação de todos os presos políticos no país.

Além deles, a advogada Rocío San Miguel, principal especialista venezuelana em temas militares e diretora da ONG Controle Cidadão, Juan Pablo Guanipa, ex-primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional, e o jornalista Roland Carreño também figuram na lista de presos políticos libertados na primeira leva. A ativista, que tem dupla nacionalidade, e outros quatro espanhóis teriam sido libertados mais cedo e partiram para a Espanha.

Larry Osorio, sargento-mor de segunda classe do Exército venezuelano, foi libertado ontem à noite do centro de detenção El Helicoide, em Caracas, segundo o grupo de direitos humanos Foro Penal. Ele é o oitavo prisioneiro político libertado no último dia e o primeiro membro do serviço militar. Osorio, 44, havia sido preso por sua suposta conexão com um grupo sem fins lucrativos que fez acusações públicas sobre ligações entre o governo venezuelano e os rebeldes das FARC da Colômbia e outros grupos. Ele estava detido em El Helicoide desde agosto de 2021.

Uma fonte diplomática do Brasil em Caracas afirmou antes ao GLOBO que ainda não se tinha uma confirmação oficial dos nomes, embora as redes de notícias já mencionassem Rocío — presa em fevereiro de 2024 sob acusação de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe — e Márquez, detido em janeiro de 2025 sem acusação formal conhecida. Comentam-se ainda os nomes de Perkins Rocha, advogado de María Corina Machado, e Rafael Tudares, genro de Edmundo González Urrutia, entre os possíveis libertados.

ONGs denunciaram nesta sexta-feira que menos de uma dúzia de pessoas foram soltas desde então. A ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) diz que foram apenas 11, número também contabilizado pelo Comando Com Venezuela Madri, plataforma que reúne a oposição venezuelana. Por sua vez, a ONG Foro Penal diz que foram apenas 9 libertados. Não há um número oficial divulgado.

'Gesto de paz unilateral'

O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, defende a medida como um “gesto de paz unilateral”. Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, as solturas começaram “a partir deste exato momento”, sem que tenha sido informado o total de beneficiados. De acordo com ele, a decisão foi tomada “para a convivência pacífica” e não envolveu negociação com outras partes.

O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.

— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica. (Com AFP)

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