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Como foi formada a República Islâmica do Irã, alvo de ataques dos EUA e de Israel

Como foi formada a República Islâmica do Irã, alvo de ataques dos EUA e de Israel
Revolução Iraniana de 1979 é considerada um dos eventos geopolíticos mais importantes do século XX

A Revolução Iraniana de 1979 é considerada um dos eventos geopolíticos mais importantes do século XX. Ela estabeleceu o modelo para uma nova forma de Islã político e deu início a um Estado teocrático estável, mais de quatro décadas depois de sua fundação. Mas antes que o movimento encabeçado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989) promovesse transformações profundas, o Irã era um lugar diferente, ao menos oficialmente.

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Desde os anos 1930, quando Reza Shah comandava o país, o hijab era proibido, e as relações com os EUA eram de parceria e havia uma busca por valores ocidentais, inclusive nos hábitos da sociedade. Essa linha foi mantida por Mohammed Reza Pahlevi, sucessor de Reza Shah, que usou o apoio de Reino Unido e Estados Unidos para derrubar o premier nacionalista Mohammed Mossadegh, em 1953, e se consolidar como um líder supremo de fato.

As reformas do Xá foram bem recebidas por alguns setores da sociedade, mas para muitos elas foram rápidas demais. O estilo de vida luxuoso da elite imperial, personificado em uma festa extravagante para celebrar os 2,5 mil anos do Império, ao mesmo tempo em que o país enfrentava grandes índices de miséria, deram força a uma oposição que juntava comunistas, feministas e lideranças religiosas, como Khomeini, que vivia no exílio. A repressão da temida polícia secreta, a Savak, e seus métodos grotescos de tortura, deu ao aiatolá um público amplo, que se alimentava de suas ideias por fitas contrabandeadas.

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No final dos anos 1970, o furor por mudanças incendiou o país, levando multidões às ruas, mesmo diante da repressão por vezes armada da polícia. O estopim final veio em 1978, quando 64 manifestantes foram fuzilados nas ruas de Teerã. Semanas depois, o imperador fugiu pilotando o próprio avião rumo ao Egito, e Khomeini voltou em um voo da Air France, para ser recebido por mais de um milhão de pessoas em Teerã.

No decorrer da onda atual de manifestações, parte da oposição compareceu às ruas para defender o retorno da monarquia Pahlevi, com o filho do último xá e ex-príncipe herdeiro da dinastia persa, Reza Pahlevi, assumindo a liderança.

Virada teocrática

O aiatolá que relutou em assumir o poder se tornaria um líder supremo, acumulando um poder similar ao do xá ("rei" em persa) deposto, e alguns dos grupos que o apoiaram no movimento revolucionário se viram traídos: os comunistas do Partido Tudeh foram fuzilados em massa, os Mujahedin do Povo foram perseguidos (e eventualmente se juntaram a Saddam Hussein na guerra contra o Irã) e as mulheres tiveram muitos direitos revogados, incluindo o de usar não o hijab ou o chador. Milhares de pessoas morreram e centenas de milhares deixaram o país, algumas fugindo para salvar suas vidas e nunca mais voltar.

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O novo sistema que nascia com a República Islâmica do Irã, conhecido apenas como “Nezam”, ou “O Sistema” em persa, combina elementos nominalmente democráticos com outros teocráticos e autoritários. Nominalmente, ele permite às instituições um grande nível de fiscalização e controle mútuos, mas, na prática, quem decide os rumos nacionais é o líder supremo, hoje Ali Khamenei. Teoricamente o líder supremo pode sofrer impeachment, caso a Assembleia dos Especialistas, escolhida pelo voto direto, decida assim.

À Assembleia também caberá escolher o sucessor de Khamenei, embora poucos dentro do Irã tentem apostar como será esse processo após a morte dele. Isso se deve à percepção de que, na prática, o Irã se tornou, nos últimos 47 anos, um Estado militar governado pela poderosa Guarda Revolucionária, deixando em segundo plano a teocracia xiita prometida pela Revolução de 1979.

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