As baleias-cinzentas do Pacífico Oriental, cuja população chegou a se recuperar após décadas de caça comercial, podem enfrentar um novo e prolongado período de declínio devido às mudanças climáticas no Ártico. É o que aponta um estudo publicado na revista Science, que relaciona as oscilações populacionais da espécie às transformações nas áreas onde elas se alimentam durante o verão no extremo norte do planeta.
Urso invade casa, abre geladeira e assusta família no norte do JapãoEclipse solar em agosto: o que acontece com os animais e como isso altera seus ciclos naturais?A pesquisa analisou cerca de cinco décadas de dados sobre a população de baleias-cinzentas e identificou um padrão de ciclos de crescimento e queda desde os anos 1960. Os pesquisadores constataram que os grandes episódios de mortalidade ocorreram quando dois fatores se combinaram: baixa disponibilidade de alimento no Ártico e elevada cobertura de gelo marinho, que dificulta o acesso das baleias às áreas de alimentação. Em cada um desses eventos, a população diminuiu entre 15% e 25% em poucos anos.
Baleia jubarte é encontrada viva mais de 30 anos depois nos EUA1 de 5 Baleia ficou encalhada dias na faixa de areia, antes de morrer — Foto: Reprodução
2 de 5 Macho da espécie jubarte tinha entre 13 e 14 metros de comprimento — Foto: Reprodução
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5 fotos3 de 5 Parte inferior da cauda da baleia foi usada para a identificação — Foto: Reprodução
4 de 5 Baleia estava encalhada na Ilha Sable — Foto: Reprodução
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5 de 5 Tamanho e localização do animal impediram que ele pudesse ser ajudado — Foto: Reprodução
Macho da espécie ameaçada tinha cerca de 43 anosOs cientistas destacam que o episódio iniciado em 2019, marcado por centenas de encalhes ao longo da costa do Pacífico, difere dos anteriores por ocorrer em um contexto de mudanças climáticas aceleradas. Segundo o estudo, o Ártico vem passando por alterações profundas que podem comprometer de forma duradoura a capacidade da região de sustentar grandes populações da espécie.
O principal problema está na redução dos anfípodes, pequenos crustáceos que vivem nos sedimentos do fundo do Mar de Bering e do Mar de Chukchi e representam a principal fonte de alimento das baleias-cinzentas. O aquecimento do oceano, a diminuição do gelo marinho e mudanças nas correntes alteram a quantidade de matéria orgânica que chega ao fundo do mar, tornando o ambiente menos favorável para esses animais.
Mesmo sendo mamíferos de grande porte e capazes de percorrer milhares de quilômetros entre o México, onde se reproduzem, e o Ártico, onde se alimentam, as baleias mostraram-se altamente dependentes da produtividade desse ecossistema. Segundo Joshua Stewart, pesquisador da Universidade Estadual do Oregon e autor principal do estudo, essas oscilações populacionais são incomuns para uma espécie de grande porte e vida longa. Ele afirma que, quando a oferta de alimento diminui e o gelo impede o acesso às áreas de alimentação, a população sofre impactos rápidos e significativos.
O trabalho também demonstra que espécies de grande porte não estão protegidas dos efeitos das mudanças climáticas apenas por sua mobilidade. Segundo os autores, as baleias-cinzentas respondem rapidamente às alterações na cadeia alimentar do Ártico, mostrando que até animais altamente adaptáveis podem sofrer perdas expressivas quando o ecossistema deixa de oferecer alimento suficiente.
Embora a espécie tenha se recuperado após a moratória internacional da caça comercial de baleias, adotada na década de 1980, os pesquisadores alertam que o atual cenário climático pode impedir um retorno aos níveis populacionais registrados na década passada.
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