O El Niño oficializado no mês passado já é apontado como o mais intenso observado nesta época do ano, mas ainda deve ganhar força nos próximos meses. A avaliação da MetSul Meteorologia indica que o Pacífico tropical continua acumulando calor de forma acelerada, sustentado por uma sequência incomum de processos atmosféricos.
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El Niño — situação do Pacífico no dia 15 de julho de 2026 Foto: NOAA
Entre os fatores que explicam esse reforço estão os chamados estouros de ventos de oeste, ou, em inglês, westerly wind bursts (WWBs). Em vez dos ventos normais de leste para oeste, episódios de inversão vêm empurrando água quente em direção à costa da América do Sul, alimentando o aquecimento do Pacífico central e oriental.
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Como o calor se espalha pelo oceanoEsses ventos também favorecem a formação das ondas Kelvin oceânicas, que se deslocam abaixo da superfície transportando água quente para leste. Quando chegam perto do Peru e do Equador, essas ondas aprofundam a camada de água quente e inibem a ressurgência, mecanismo que normalmente traz águas frias das profundezas para resfriar a superfície.
PublicidadeSem esse alívio natural, a superfície do mar segue aquecendo por semanas ou até meses. Além do calor já visível na superfície, há uma grande reserva de energia armazenada abaixo do mar, na chamada língua quente subsuperficial, que ainda deve emergir gradualmente e reforçar o fenômeno.
Grande quantidade de água muito quente avança abaixo da superfície do Pacífico e vai intensificar ainda mais o El Niño Foto: MetSul
Sinais de evento histórico no PacíficoOs dados mais recentes mostram anomalias muito elevadas de temperatura, inclusive próximas à costa do Peru, onde algumas áreas estão entre 7°C e 8,5°C acima da média histórica. Pela tradicional medição da NOAA, a região Niño 3.4 já alcançou +2°C, limiar de evento muito forte e de Super El Niño.
PublicidadeA antecipação é inédita em comparação com outros episódios marcantes. Em 2023, por exemplo, esse patamar só foi atingido no fim de novembro, enquanto eventos históricos como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016 chegaram a esse nível mais tarde no ano.
Risco aumenta para o Sul do BrasilPara os próximos meses, a tendência é de novos episódios fortes de ventos de oeste, especialmente entre o fim de julho e o início de agosto. Se isso se confirmar, novas ondas Kelvin poderão levar ainda mais calor para o leste do Pacífico e intensificar o El Niño.
PublicidadeNo Brasil, os impactos devem crescer ao longo do segundo semestre e no verão, com destaque para o Sul. A MetSul avalia que Santa Catarina e Paraná também podem ser fortemente atingidos, com chuva acima da média, cheias de rios, enchentes e episódios frequentes de tempo severo.
Há previsão de mais temporais, granizo, vendavais e até eventos com tornados e microexplosões atmosféricas. Ainda assim, especialistas destacam que não é possível garantir a repetição exata da tragédia de 2024 no Rio Grande do Sul, porque cada El Niño tem características próprias e os extremos dependem de vários fatores combinados.
América do Sul vai ser atingida por dois rios atmosféricos com previsão de chuva excessiva a extremaAssista a este vídeo no YouTube Publicidade Perguntas frequentes sobre o El NiñoO que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média e os ventos alísios, que sopram de leste para oeste, enfraquecem. Essa combinação altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do planeta. Os episódios costumam ocorrer, em média, a cada três a cinco anos.
PublicidadeQual é a diferença entre El Niño e La Niña?
Os dois fenômenos são opostos. No El Niño, as águas do Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Já na La Niña, ocorre o resfriamento dessas águas, acompanhado pelo fortalecimento dos ventos alísios. Cada um provoca efeitos diferentes sobre o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do mundo.
PublicidadeComo o El Niño afeta o clima?
O aquecimento do Pacífico modifica a circulação da atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em vários continentes. Dependendo da região, pode provocar secas, chuvas acima da média, tempestades severas ou períodos de clima mais ameno.
Quais são os impactos do El Niño no Brasil?
Os efeitos variam conforme a região. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuva excessiva, enchentes e cheias de rios. Já no Nordeste, normalmente favorece períodos de estiagem e reduz os volumes de chuva.
O El Niño pode afetar a economia?
Sim. As mudanças no clima podem influenciar a produção agrícola, o abastecimento de alimentos, os preços de produtos, a ocorrência de incêndios florestais e até gerar impactos econômicos e sociais mais amplos. Em casos extremos, fenômenos climáticos podem agravar crises humanitárias e conflitos em diferentes partes do mundo.
O El Niño foi o responsável pela tragédia climática no Rio Grande do Sul em 2024?
O El Niño teve papel importante ao favorecer um cenário de chuva intensa, mas não foi o único responsável. A catástrofe ocorreu devido à combinação de diversos fatores atmosféricos e oceânicos que atuaram ao mesmo tempo, tornando aquele episódio excepcional.
Todo El Niño provoca enchentes como as de 2024?
Não. Cada episódio de El Niño tem características próprias e seus impactos variam de intensidade. Embora o fenômeno aumente o risco de chuva acima da média no Sul do Brasil, não é possível afirmar com antecedência que uma tragédia semelhante à de 2024 voltará a ocorrer, já que eventos extremos dependem da interação de diversos fatores climáticos.
De onde surgiu o nome “El Niño”?
O nome surgiu no século XIX entre pescadores da costa do Peru. Eles perceberam que, em alguns anos, uma corrente de águas mais quentes aparecia próximo ao Natal e reduzia a quantidade de peixes capturados. Em referência ao nascimento de Jesus Cristo, passaram a chamar o fenômeno de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”.
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