Um abalo sísmico de magnitude 7,2 abalou o sul do Peru nesta quinta-feira, dez dias depois que um terremoto de 7,4 atingiu o oeste da Colômbia. A proximidade temporal — e o fato de ambos os países compartilharem a mesma placa tectônica — reabriu uma pergunta que já havia sido colocada após o primeiro terremoto: podem dois abalos ocorridos a milhares de quilômetros de distância estar conectados entre si?
Novo terremoto atinge Granada, deixa três feridos e força evacuação de hotéis na Espanha; veja vídeoSob paredes de bambu: Mulher de 84 anos é encontrada viva quatro dias após ter casa destruída por em terremoto na IndonésiaO movimento desta quinta-feira no Peru, segundo o Instituto Geofísico do Peru (IGP), teve seu epicentro 35 quilômetros ao norte de Coracora, na província de Parinacochas, região de Ayacucho, e uma profundidade de 108 quilômetros. Foi sentido em Arequipa, Ica, Cusco, Apurímac e até nos andares altos de alguns edifícios de Lima. O registro ocorreu às 13h (horário local) e, até o momento, não foram relatadas vítimas fatais, embora tenham ocorrido deslizamentos de terra em zonas rurais próximas ao epicentro.
O chefe do IGP, Hernando Tavera, assinalou que "por enquanto não ocorreu nada crítico", enquanto continuam os trabalhos de avaliação nas zonas mais afetadas pelo movimento.
Dois processos, uma mesma faixa tectônicaO terremoto da Colômbia, ocorrido em 10 de agosto, teve epicentro em San José del Palmar e uma profundidade próxima aos 100 quilômetros. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) classificou-o como o mais intenso registrado no país neste século. Segundo a entidade, originou-se pela subducção da placa de Nazca sob a Sul-Americana, o mesmo processo que explica boa parte da sismicidade do oeste colombiano.
Acontece que essa mesma placa percorre boa parte da costa ocidental da América do Sul. Foi o que explicou o sismólogo colombiano Darío Rivera Vargas, que precisou que "a placa de Nazca abrange o que é o Chile, Peru, Colômbia", ou seja, todos os países localizados sobre esse trecho do Pacífico.
Terremoto na Colômbia: veja imagens do sismo de magnitude 7,4 que atingiu país1 de 10 A Catedral de Manizales foi danificada pelo terremoto na Colômbia — Foto: Andres Valencia/AFP
2 de 10 Mulher é resgatada de um prédio em Cali, após terremotos na Colômbia — Foto: JOAQUIN SARMIENTO/AFP
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10 fotos3 de 10 Equipe de resgate trabalha após terremotos em Manizales, na Colômbia — Foto: JOHN BONILLA/AFP
4 de 10 Moradoras de Cali caminham pelas ruas depois de deixarem suas casas por causa do terremoto que atingiu a Colômbia — Foto: JOAQUIN SARMIENTO/AFP
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5 de 10 Pessoas reunidas numa praça de Manizales após terremoto que atingiu a Colômbia — Foto: ANDRES VALENCIA/AFP
6 de 10 Busca por sobreviventes em prédio que desabou em Cali, na Colômbia, com terremoto — Foto: JOAQUIN SARMIENTO/AFP
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7 de 10 Rua de Manizales, no oeste da Colômbia, atingida por terremoto de magnitude 7,4 — Foto: JONH BONILLA/AFP
8 de 10 Prédio é evacuado em Bogotá após terremoto de magnitude 7,4 atingir o oeste da Colômbia — Foto: RAUL ARBOLEDA/AFP
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9 de 10 Pessoas procuram por sobreviventes nos escombros de um prédio derrubado pelo terremoto que atingiu o oeste da Colômbia — Foto: JOAQUIN SARMIENTO/AFP
10 de 10 Mulher reza em rua de Cali, uma das cidades colombianas atingidas por terremoto de magnitude 7,4 — Foto: JOAQUIN SARMIENTO/AFP
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País busca por sobreviventes, tem prédios danificados e aeroportos fechadosEssa faixa corresponde, precisamente, ao Círculo de Fogo do Pacífico, uma região que atravessa cerca de 30 países — entre eles Colômbia e Peru — e que concentra cerca de 90% da atividade sísmica mundial. Ali interagem várias placas oceânicas que afundam de maneira constante sob o continente, liberando energia na forma de abalos sísmicos e, em alguns casos, erupções vulcânicas.
Compartilham placa, mas estão relacionados?Compartilhar o cinturão e a placa não equivale a dizer que dois terremotos respondam à mesma causa. Esse foi o argumento exposto por vários geólogos consultados após um episódio semelhante ocorrido há poucas semanas, quando a Venezuela e a Colômbia registraram sismos de grande magnitude com apenas seis semanas de diferença.
O geólogo argentino Andrés Folguera, professor da Universidade de Buenos Aires e pesquisador do Conicet, explicou naquele momento que os mecanismos de ruptura de cada sismo dependem da placa envolvida, da profundidade do sismo e do tipo de falha ativada, variáveis que costumam ser distintas até mesmo entre países vizinhos.
Registros do terremoto na Colômbia1 de 20 Equipes de resgate procuram por sobreviventes entre os escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Cali, Colômbia, — Foto: Joaquin Sarmiento / AFP
2 de 20 Vista aérea do desabamento do motel Molina Rosa. Sul de Cali. — Foto: Juan Pablo Rueda/ EL Tiempo
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20 fotos3 de 20 Um homem carrega uma bolsa saindo de uma construção desabada após um terremoto em Manizales, Colômbia, em 10 de agosto de 2026. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
4 de 20 Pessoas observam um edifício desabado após um terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
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5 de 20 Pessoas observam um edifício danificado após um terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
6 de 20 Pessoas após um terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
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7 de 20 Pessoas caminham entre os escombros após um terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
8 de 20 Vista de um edifício danificado após um terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
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9 de 20 Vista de escombros após um terremoto em Manizales, Colômbia, em 10 de agosto de 2026. Um forte terremoto abalou a Colômbia e países vizinhos da América Latina em 10 de agosto de 2026, com equipes médicas se apressando para socorrer as vítimas depois que edifícios foram danificados ou desabaram em várias cidades. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
10 de 20 Pessoas permanecem perto de um edifício desabado após um terremoto em Manizales, Colômbia.. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
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11 de 20 Resgatistas procuram por sobreviventes em um edifício desabado após o terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Giovanny Galvez / AFP
12 de 20 Pessoas observam uma concessionária de veículos danificada após um terremoto em Pereira, Colômbia. — Foto: Roberto Betancourt / AFP
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13 de 20 Pessoas observam os escombros em uma rua após um terremoto em Pereira, Colômbia. — Foto: Roberto Betancourt / AFP
14 de 20 Resgatistas procuram por sobreviventes em um edifício desabado após um terremoto em Pereira, Colômbia. — Foto: Roberto Betancourt / AFP
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15 de 20 Pessoas observam escombros em uma rua após um terremoto em Pereira, Colômbia. — Foto: Roberto Betancourt / AFP
16 de 20 Pessoas procuram por sobreviventes entre os escombros de um edifício desabado após um terremoto em Cali, Colômbia. — Foto: Joaquín SARMIENTO / AFP
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17 de 20 Uma mulher idosa é carregada sobre um móvel perto de um edifício desabado após um terremoto em Cali — Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP
18 de 20 Uma mulher é transportada em uma maca após ser resgatada de um edifício desabado devido a um terremoto em Cali, Colômbia. — Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP
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19 de 20 Pessoas caminham por uma rua após evacuarem suas casas devido a um terremoto em Cali, Colômbia. — Foto: Joaquín SARMIENTO / AFP
20 de 20 Os danos sofridos pela Catedral de Manizales são vistos após o terremoto em Manizales, Colômbia. — Foto: Jonh Bonilla / AFP
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Sobre a possibilidade de que eventos sísmicos distantes estejam conectados, Folguera foi enfático: trata-se de um assunto que apenas começa a ser estudado academicamente e que provavelmente será objeto de pesquisas nos próximos meses, embora sua hipótese pessoal seja a de que não existe relação direta entre eles.
A geóloga colombiana Adriana Ocampo, que trabalhou durante várias décadas na Nasa, concordou com esse diagnóstico ao ser consultada por este jornal após o terremoto da Colômbia: a atividade sísmica registrada este ano em países como Colômbia, Venezuela e México responde à dinâmica tectônica própria de cada região, não a um fenômeno anômalo nem a uma cadeia de causa e efeito entre eventos distantes.
O que explica a coincidênciaO que, de fato, pode explicar a percepção de que "tudo treme ao mesmo tempo" é a frequência natural da atividade sísmica no cinturão. O Peru, por exemplo, registra entre dois e três movimentos telúricos por dia, segundo o IGP, e já acumula 569 sismos no decorrer de 2026. A Colômbia, por sua vez, apresenta em média 2.500 eventos sísmicos mensais, a maioria imperceptíveis para a população, de acordo com o SGC.
Imagens de satélite mostram antes e depois de área mais devastada por terremotos na Venezuela1 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
2 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
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6 fotos3 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
4 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
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5 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
6 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
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Governo interino declarou a região do estado de La Guaira como 'zona de desastre'Nesse contexto, que dois abalos sísmicos de grande magnitude ocorram com dias ou semanas de diferença em diferentes pontos do mesmo cinturão não constitui uma anomalia estatística, mas uma expressão a mais do comportamento habitual de uma das zonas mais ativas do planeta.
Como lembrou Folguera, a ciência ainda não tem a última palavra sobre se existem vínculos de longo alcance entre sismos separados por milhares de quilômetros. Mas, por enquanto, a evidência disponível aponta em uma única direção: cada terremoto responde à sua própria história geológica.
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