oMelhor.Net

Quem era Peter Max, ícone da arte pop psicodélica dos anos 1960

Quem era Peter Max, ícone da arte pop psicodélica dos anos 1960
Quem era Peter Max Artista que marcou a cultura americana com cores vibrantes e arte psicodélica morreu aos 88 anos.

Peter Max foi um dos nomes mais reconhecíveis da arte pop americana. Com desenhos psicodélicos, cores intensas e formas inspiradas no universo e na natureza, o artista ajudou a traduzir em imagens o espírito otimista do movimento “flower power” nos anos 1960.

O artista morreu aos 88 anos na última segunda-feira, 14 de setembro, conforme comunicado divulgado por seu filho, Adam Max, na quarta-feira, 16. A causa da morte não foi informada, embora Peter enfrentasse um quadro avançado de demência.

Sua produção ultrapassou o universo das galerias. Ao longo da carreira, Max criou trabalhos para eventos esportivos, campanhas e produtos que alcançaram milhões de pessoas. Sua arte apareceu em selos, objetos de decoração, um Boeing 777 e até em um navio de cruzeiro.

Além disso, o artista foi escolhido para representar oficialmente eventos como os Jogos Olímpicos, o Super Bowl, as 500 Milhas de Indianápolis, a Copa do Mundo e a Série Mundial.

De pôsteres a grandes projetos

No auge da popularidade, entre o fim dos anos 1960 e o começo da década seguinte, as criações de Peter Max se espalharam pela cultura americana. Flores, planetas e personagens caricatos surgiam em uma explosão de turquesa, laranja e verde neon.

Os trabalhos chegaram aos dormitórios universitários, móveis, relógios, colchas e outros produtos. Max também produziu capas para as Páginas Amarelas de Manhattan, distribuídas para milhões de pessoas.

Em 1969, sua imagem estampou a capa da revista Life. O característico bigode escuro e o sorriso largo ajudaram a transformar o próprio artista em uma figura reconhecível do período.

Apesar do sucesso comercial, Max sentia falta de pintar. A quantidade de produtos com seus desenhos chegou a incomodá-lo justamente porque afastava sua atenção da criação artística.

“Meu trabalho foi realmente, eu diria, quase explorado”, disse ele. “Estava em canecas, lençóis, vestidos, sedas, lenços e gravatas — 70 linhas de produtos.”

Uma trajetória marcada por mudanças

Nascido Peter Max Finkelstein, em 1937, em Berlim, o artista deixou a Alemanha ainda bebê com a família judia. Diante da perseguição nazista, eles seguiram para Xangai e, posteriormente, viveram no Tibete, em Israel e em Paris.

Aos 16 anos, Max chegou a Nova York, cidade onde encontrou referências que influenciariam sua formação. Quadrinhos, cinema e jazz estavam entre seus interesses desde jovem.

Mais tarde, estudou na Art Students League, na School of Visual Arts e no Pratt Institute. Em 1961, abriu um estúdio de design gráfico com amigos e rapidamente conquistou espaço no mercado.

Entretanto, no início dos anos 1970, decidiu interromper temporariamente os negócios para voltar a se dedicar à pintura. Entre seus projetos posteriores esteve uma série de retratos da Estátua da Liberdade, realizada na Casa Branca a convite de Nancy Reagan, em 1981.

Arte, controvérsias e legado

A trajetória de Peter Max também teve episódios controversos. Em 1997, ele se declarou culpado por fraude fiscal após uma acusação da Receita Federal americana relacionada à ocultação de mais de US$ 1 milhão em rendimentos.

Inicialmente condenado à prisão, cumpriu a pena em um programa de trabalho externo. Também pagou impostos atrasados, multa de US$ 30 mil e realizou 800 horas de serviço comunitário ensinando arte em escolas do Harlem.

Anos depois, sua vida familiar ganhou espaço nos tabloides por causa de uma disputa envolvendo seu filho Adam e sua segunda mulher, Mary Max. O conflito envolvia acusações sobre patrimônio, cuidados com o artista e obras de sua autoria.

Apesar das controvérsias, sua produção manteve a característica de transmitir cores e imagens associadas à positividade. “Não abordo coisas negativas em minhas pinturas, não me detenho nelas em minha mente e não as transfiro para minhas telas.”

Em outra ocasião, resumiu sua maneira de enxergar o mundo com uma frase que se tornou representativa de sua personalidade artística: “Eu vejo tudo através de olhos de arco-íris.”

O reconhecimento institucional também acompanhou sua trajetória. Embora algumas análises questionassem seu espaço no circuito tradicional das artes, suas obras participaram de dezenas de exposições em museus. O Museu de Arte Moderna de Nova York, inclusive, mantém sete trabalhos de Max em seu acervo.

A relação com os Beatles

Um detalhe curioso envolve os Beatles. A arte de “Yellow Submarine” costuma aparecer associada ao nome de Peter Max, mas os créditos oficiais atribuem o trabalho ao artista Heinz Edelmann.

Max afirmou, em entrevista de 2012, que havia criado uma versão inicial antes de entregá-la a Edelmann. Já a galeria Park West descreve sua participação como um trabalho inicial de consultoria.

Ainda assim, Max manteve amizade com os integrantes dos Beatles e demonstrou interesse por diferentes manifestações culturais. Ele também se aproximou da espiritualidade oriental e ajudou a levar o guru indiano Satchidananda Saraswati aos Estados Unidos, contribuindo para a popularização da ioga no país.

Peter Max deixa dois filhos: Adam Max e Libra Astro Max. Seu primeiro casamento, com Elizabeth Nance, terminou em divórcio.

Todo conteúdo