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Como a ata do Copom e os dados da produção industrial podem mexer com o mercado

Como a ata do Copom e os dados da produção industrial podem mexer com o mercado
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A terça-feira (3) é marcada pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelos dados da produção industrial de 2025. Ambos devem ajudar os investidores a calibrar as expectativas para o tão aguardado corte da Selic em março. Lá fora, o shutdown parcial nos Estados Unidos atrasará a divulgação do relatório de emprego Jolts, previsto para hoje. Mas nada que vá assustar o mercado, uma vez que as negociações entre a Casa Branca e o congresso norte-americano já estão em andamento. Portanto, essa paralisação não deve durar tanto.

Leia também: Ata do Copom: Tamanho e duração do ciclo de cortes da Selic será determinado com o tempo Siga o Valor Investe:

Ata do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve inalterada a meta para a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano na última quarta-feira (28). A decisão já era esperada pela maioria dos economistas e analistas do mercado financeiro. No entanto, o comunicado trouxe, enfim, uma sinalização de que o ciclo de flexibilização dos juros deve começar em março.

"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Banco Central na nota.

Na ata, o Comitê afirmou que a magnitude e a duração do ciclo de corte de juros serão determinados ao longo do tempo. Nela, o Banco Central ainda afirmou que a manutenção da taxa de juros por um período elevado se mostrou adequada para que a inflação voltasse à meta.

Portanto, a expectativa continua sendo sobre o tamanho desse corte no próximo encontro. Uma parte dos indicadores econômicos até apontam que há um espaço para um corte maior, já que a inflação tem dado sinais de arrefecimento. Por outro lado, os dados de emprego continuam mostrando uma atividade aquecida.

Embora pareça contraditório, a força do emprego é uma das preocupações da autoridade monetária devido ao risco de pressão inflacionária.

Quanto mais aquecido está o mercado de trabalho, mais inflação pode surgir. E nesse cenário, os juros tendem a permanecer elevados, já que a Selic, taxa básica de juros do Brasil, funciona como ferramenta principal do Banco Central para controlar a alta dos preços.

Quando há mais inflação, a autoridade monetária costuma manter juros altos para tornar o crédito mais caro. Como consequência, empréstimos e financiamentos, tanto para consumidores quanto para empresas, ficam mais caros. Isso reduz o consumo, diminui a quantidade de dinheiro circulando e favorece a queda dos preços. Dessa forma, a inflação retorna ao controle.

Produção industrial

A produção industrial também deve trazer pistas do quão aquecida está a economia do país e, portanto, o quanto há de pressões inflacionárias. Segundo a mediana das 15 estimativas coletadas pelo Valor Data, a produção deve ter crescido 0,6% em 2025. Caso se concretize, a mediana significa forte desaceleração ante 2024, quando a produção industrial cresceu 3,1%. As projeções foram de 0,5% a 1,5%, sempre em variações positivas.

O resultado oficial da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) será divulgado nesta terça-feira, às 9h, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto isso, nos EUA…

O mercado aguardava ansioso dados de emprego nos Estados Unidos nesta semana, mas terá que esperar um pouco mais. O levantamento Job Openings and Labor Turnover Survey (Jolts), previsto para hoje, deve ser adiado, assim como o relatório de empregos ("payroll") de janeiro, que sairia nesta sexta-feira (6).

No entanto, contrário do "shutdown" anterior, em outubro, que afetou todo o governo federal, a atual paralisação é apenas uma suspensão parcial do financiamento dos órgãos públicos, segundo agências internacionais.

De acordo com a Dow Jones, o Departamento do Trabalho, que abriga o Bureau of Labor Statistics (BLS, na sigla em inglês) está entre as agências afetadas pelo pacote de financiamento atrasado que agora está sob análise da Câmara dos Representantes. A expectativa, contudo, é que o assunto seja resolvido em breve.

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