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Tigres-da-tasmânia foram mortos por humanos, mas nem comiam gado - Aventuras na História

Tigres-da-tasmânia foram mortos por humanos, mas nem comiam gado - Aventuras na História
Nova análise dos crânios mostra que os tilacinos tinham mordida rápida e caçavam presas pequenas, não animais como ovelhas

Há quase um século, os tigres-da-tasmânia, também conhecidos como tilacinos, foram dizimados na Austrália após serem considerados uma ameaça ao gado. Agora, uma nova pesquisa indica que os animais provavelmente não eram capazes de caçar grandes presas como ovelhas, colocando em dúvida uma das justificativas usadas para persegui-los.

Os tilacinos apresentavam uma forte semelhança física com os lobos e receberam o nome científico cynocephalus, que significa “cabeça de cachorro”. Para os colonizadores da Tasmânia, principalmente britânicos, essa aparência ajudou a criar a associação entre os marsupiais e os grandes predadores europeus.

Segundo a pesquisa, porém, as características do crânio e da mandíbula mostram que os tilacinos eram muito diferentes dos lobos. Os animais provavelmente caçavam presas pequenas ou médias, como bandicotes e marsupiais do tamanho de coelhos.

Crânio grande escondia um predador diferente Os pesquisadores escanearam o crânio de um tilacino (à esquerda) para compará-lo com o de um lobo. – Créditos: Vera Weisbecker

A pesquisadora Vera Weisbecker percebeu que os crânios de tilacinos apresentavam medidas incomumente grandes. A partir disso, os pesquisadores compararam os exemplares com crânios de raposas e lobos.

Como repercutido pela CNN, embora o crânio do tilacino fosse quase tão grande quanto o de um lobo-cinzento, seu focinho era longo e fino, diferente da estrutura robusta dos grandes predadores.

A combinação entre o crânio grande, a mandíbula superior e o focinho compridos sugere que o animal utilizava mordidas rápidas e precisas para capturar presas menores.

“Quanto mais comprida for a mandíbula, mais rápido a sua ponta se move quando um animal morde. Isso aumenta o impacto do golpe”, explicou Weisbecker. Segundo a pesquisadora, o grande crânio permitia que o tilacino suportasse as forças produzidas durante a mordida.

Os pesquisadores também não encontraram correspondência entre o estilo de alimentação do tilacino e outros mamíferos predadores vivos. Funcionalmente, seu crânio apresentava mais semelhanças com espécies que se alimentam de peixes, incluindo alguns crocodilos.

Os Tigres-da-tasmânia

Quando fazendas de ovelhas e gado começaram a ser estabelecidas na Tasmânia, no século 19, os tilacinos foram exterminados. Os colonizadores atribuíram aos animais perdas de gado que, segundo a matéria, eram causadas por cães selvagens e má gestão humana.

O último tilacino em cativeiro morreu de hipotermia em 1936, no zoológico de Beaumaris, em Hobart. Pouco antes, o governo da Tasmânia havia concedido à espécie o status de animal protegido.

Os pesquisadores destacam que compreender as características do tilacino é importante também para reconstruir a diversidade que existia antes de seu desaparecimento. A espécie foi o último representante de uma antiga linhagem de marsupiais estimada em mais de 40 milhões de anos e não possui parentes vivos próximos.

O animal também se tornou uma figura importante nos atuais esforços de “desextinção”. O professor Andrew Pask trabalha com a empresa Colossal Biosciences para tentar ressuscitar o tilacino por meio da criação de um híbrido, utilizando avanços em genética, recuperação de DNA antigo e reprodução artificial.

*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

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