O maior exemplar de Tyrannosaurus rex já encontrado, um predador de 66 milhões de anos apelidado de Scotty, teve a causa de sua morte detalhada por uma análise inédita de tecidos moles fossilizados.
Pesquisadores identificaram vestígios de vasos sanguíneos em uma de suas costelas, algo raramente visto na paleontologia devido à rápida degradação de materiais orgânicos com o passar do tempo.
A descoberta indica que o animal provavelmente não resistiu a ferimentos sofridos durante um combate com outro dinossauro.
Lutador feridoCom quase 4 metros de altura até o quadril e mais cerca de 13,11 metros de comprimento, Scotty pesava cerca de 8,8 toneladas durante o período Cretáceo Superior.
Embora as dimensões confirmem seu status de recordista entre os de sua espécie, o fóssil revelou que o animal era um lutador frequente.
A análise recente concentrou-se em uma costela quebrada que continha traços de tecidos preservados de forma excepcional.
Tecnologia de nêutronsPara examinar os vestígios delicados sem danificar o osso, paleontólogos utilizaram técnicas de imagem por nêutrons no Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos.
O procedimento permitiu visualizar elementos leves no interior do fóssil em níveis microscópicos. Segundo o físico Mauricio Barbi, da Universidade de Regina, a experiência foi comparável a um evento de sorte improvável.
“É como ganhar na loteria. A costela de Scotty contém uma vasta rede de vasos sanguíneos mineralizados que nunca foi observada antes em um fóssil”, afirmou Mauricio Barbi em entrevista ao ORNL.
Luta e preservaçãoA presença desses vasos sanguíneos oferece uma explicação para o fim do predador. Após ter a costela fraturada em uma briga, o corpo do dinossauro reagiu com sangue saturado de ferro cobrindo a ferida e formando pequenos canais para acelerar a cicatrização.
No entanto, a resposta biológica foi insuficiente e Scotty morreu pouco tempo depois em um pântano salgado. Esse ambiente específico foi fundamental para desacelerar a decomposição, permitindo que os vasos sanguíneos fossem preservados pelo processo de mineralização.
Análise em célulasO estudo também contou com radiação síncrotron e microscopia para observar a tentativa de cura em nível celular. O uso de nêutrons complementou as descobertas iniciais sem a necessidade de intervenções destrutivas no fóssil.
De acordo com a física Marcella Berg, a técnica comprovou ser uma ferramenta valiosa para a busca de tecidos moles em outros achados arqueológicos, repercute o Popular Science.
“Os nêutrons não apenas corroboraram o que encontramos com técnicas de radiação síncrotron que levaram à descoberta de vasos sanguíneos na costela de Scotty. Eles também provaram ser uma adição altamente valiosa aos nossos estudos atuais em busca de preservação de tecidos moles em fósseis”, explicou Marcella Berg.
*Sob supervisão de Éric Moreira
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