Uma das imagens mais famosas associadas à morte do rei Haroldo II, durante a conquista normanda da Inglaterra, pode ter sido alterada ao longo dos séculos. A figura da Tapeçaria de Bayeux tradicionalmente identificada como o monarca sendo atingido por uma flecha no olho talvez originalmente segurasse uma lança, segundo pesquisadores que analisaram as restaurações da obra medieval.
A controvérsia envolve duas figuras representadas na cena que retrata a morte de Haroldo durante a Batalha de Hastings, em 14 de outubro de 1066. Enquanto uma delas aparece com o que parece ser uma flecha atravessando o rosto, outra é mostrada caída ou aparentemente atingida. Historiadores não têm consenso sobre qual delas representa o rei.
Segundo o professor Michael Lewis, do British Museum, a associação de Haroldo com a flecha no olho só aparece em fontes a partir do século 13. Por isso, alguns pesquisadores consideram possível que o episódio não fizesse parte da representação original da tapeçaria.
Onde está Haroldo na tapeçaria?A análise das restaurações ajudou a alimentar essa hipótese. Em 1982, a Tapeçaria de Bayeux passou por um processo de conservação no qual o tecido usado como suporte foi removido, permitindo que especialistas examinassem cuidadosamente os pontos e as intervenções realizadas ao longo do tempo.
De acordo com o British Museum, a primeira figura tradicionalmente identificada como Haroldo originalmente segurava uma lança. Isso pode ser percebido por pequenos orifícios registrados nos primeiros desenhos conhecidos da tapeçaria, feitos pelo historiador francês Bernard de Montfaucon no fim da década de 1720.
Quase um século depois, quando Charles Stothard desenhou a obra, por volta de 1817, ele teria conectado os pontos e representado uma flecha no lugar da lança. Uma possível explicação é que Stothard conhecesse a tradição segundo a qual Haroldo teria morrido após ser atingido no olho. Seus desenhos podem, posteriormente, ter servido de referência para restauradores.
A Tapeçaria de Bayeux é considerada um dos mais importantes registros culturais da Idade Média. A obra conserva 58 cenas, 626 figuras humanas e 202 cavalos, além de representar navios, castelos, armas, animais e aspectos da vida cotidiana.
Produzida provavelmente na Inglaterra no século 11, a tapeçaria narra acontecimentos iniciados em 1064, quando Eduardo, o Confessor, envia Haroldo Godwinson à Normandia. A história culmina na invasão inglesa por Guilherme, duque da Normandia, e na Batalha de Hastings, que terminou com a derrota e morte de Haroldo.
O trecho final da obra não sobreviveu, o que significa que a tapeçaria original provavelmente era ainda mais extensa.
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