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Sementes da Idade do Ferro revelam como nasceu a tradição do vinho ibérico - Aventuras na História

Sementes da Idade do Ferro revelam como nasceu a tradição do vinho ibérico - Aventuras na História
Análise genética de sementes antigas indica que fenícios trouxeram videiras do Mediterrâneo oriental há cerca de três mil anos

Um estudo genético com sementes antigas recuperadas na Espanha e na Sardenha identificou as origens históricas da produção de vinho na Península Ibérica. A investigação, liderada por Carolina Royo, do Instituto de Ciencias de la Vid y del Vino, na Espanha, analisou o material genético de 28 sementes preservadas em ambientes alagados de sete sítios arqueológicos. 

Os vestígios abrangem mais de dois mil anos de cultivo contínuo de uvas, desde a Idade do Ferro até a Idade Média. Conforme reportado pelo portal Phys.org, os pesquisadores extraíram DNA do núcleo e dos cloroplastos para comparar o perfil das amostras antigas com videiras modernas cultivadas e selvagens.

Resumo gráfico sobre sementes da Idade do Ferro que ajudam a revelar as origens do vinho ibérico. Crédito: Current Biology (2026). DOI: 10.1016/j.cub.2026.08.039. Chegada das primeiras videiras

Os resultados publicados na revista científica Current Biology mostram que as sementes cultivadas mais antigas do sul da Espanha datam de aproximadamente 1000 a.C.. Essas amostras apresentam assinaturas genéticas conectadas a variedades modernas encontradas no Mediterrâneo oriental e na região dos Bálcãs. 

O achado reforça a hipótese de que colonizadores fenícios transportaram videiras domesticadas para a região. Em publicação na Current Biology, os autores da pesquisa registraram que “a viticultura começou com a introdução de videiras domesticadas do oriente na Ibéria por volta do início do primeiro milênio a.C.”.

Sítios arqueológicos e descrições de sementes de uva antigas analisados no estudo sobre as origens do vinho ibérico. Crédito: Current Biology (2026). DOI: 10.1016/j.cub.2026.08.039. Cruzamento com espécies locais

A análise genética revelou também que as videiras importadas cruzaram com plantas selvagens nativas da Europa ocidental. Há cerca de 2.500 anos, um grupo genético distinto de uvas viníferas ibéricas já estava estabelecido. 

Esse grupo histórico mantém parentesco direto com variedades de uvas cultivadas atualmente na Espanha e em Portugal.

Das sementes analisadas na pesquisa, uma amostra medieval proveniente de Valência apresentou correspondência genética perfeita com a variedade espanhola Pasa Valenciana, ainda existente no mercado agrícola. 

As descobertas mostram uma continuidade extraordinária na agricultura do Mediterrâneo ocidental. Garrafas contemporâneas de vinho espanhol e português preservam traços genéticos herdados das primeiras plantas trazidas do oriente e de seus cruzamentos com a flora nativa.

*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

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