Um enorme diamante bruto com qualidade suficiente para a produção de joias finalmente mudou de proprietário. O Motswedi, uma pedra de impressionantes 2.488,32 quilates, foi vendido quase dois anos depois de ser extraído na mina Karowe, em Botsuana.
De acordo com o Diário do Litoral. A transação foi oficializada pela mineradora canadense Lucara Diamond em seu balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. Apesar da comercialização, a empresa decidiu manter em sigilo tanto a identidade do comprador quanto o valor individual pago pela pedra.
A venda do Motswedi integrou a receita trimestral da companhia, que alcançou cerca de R$ 225 milhões no período. Relatórios divulgados anteriormente, em 2025 e no início de 2026, ainda indicavam que o diamante permanecia no estoque da empresa.
O Motswedi foi descoberto originalmente em agosto de 2024. Após passar por processos de higienização, a pedra teve sua pesagem oficial estabelecida em 2.488,32 quilates.
Avaliações do Instituto Gemológico da América classificaram o Motswedi como o segundo maior diamante bruto com qualidade de gema já registrado. A pedra fica atrás apenas do histórico Cullinan, encontrado na África do Sul em 1905, que possuía 3.106 quilates.
Além do tamanho, o diamante apresenta características consideradas raras. Especialistas o classificam como um cristal único e transparente, de tonalidade castanha clara, com poucas impurezas e grandes áreas consideradas adequadas para a produção de joias.
O próprio nome da pedra também possui um significado relacionado à sua origem. Motswedi vem do idioma setswana e simboliza uma nascente de água que brota do subsolo.
Diamante vendido em sigiloA raridade do Motswedi também tornou mais complicada a definição de seu preço. Por se tratar de um exemplar excepcional, parâmetros convencionais utilizados para avaliar pedras preciosas não seriam suficientes para determinar seu valor.
Existe ainda a possibilidade de que o comprador tenha interesses diferentes da transformação da pedra em joias. Segundo o material, o diamante pode ser preservado intacto para exposição em museus ou mantido em coleções privadas.
Essa característica ajuda a explicar a dificuldade de estabelecer um preço para uma peça tão incomum. Além de seu valor como pedra preciosa, o Motswedi também representa um exemplar singular da natureza.
Por isso, a venda ocorreu depois de quase dois anos desde sua descoberta, enquanto a pedra permanecia no estoque da Lucara Diamond.
A venda do Motswedi acontece em um momento de transformação no mercado de pedras preciosas de Botsuana. A expansão dos diamantes sintéticos produzidos em laboratório pressionou os preços das pedras comuns.
Apesar disso, os exemplares naturais de tamanho excepcional continuam sendo valorizados pela exclusividade. O Motswedi se encaixa justamente nesse segmento, por reunir tamanho extraordinário e características consideradas adequadas para a produção de joias finas.
A própria mina Karowe continua revelando grandes exemplares. Em julho de 2026, a empresa anunciou a extração de outra pedra maciça, com 1.305,4 quilates.
Com a nova descoberta, a jazida passou a contabilizar dez exemplares com peso superior a 1.000 quilates.
O caso do Motswedi mostra como pedras naturais de dimensões extraordinárias continuam despertando interesse mesmo diante do crescimento dos diamantes de laboratório. A exclusividade de exemplares históricos e singulares mantém essas pedras entre os ativos de maior interesse para investidores e colecionadores.
Agora, porém, o destino do segundo maior diamante bruto com qualidade de gema permanece desconhecido. A Lucara Diamond confirmou a venda, mas não revelou quem adquiriu a pedra nem quanto foi pago especificamente pelo Motswedi, mantendo em sigilo uma das negociações mais curiosas envolvendo um diamante de tamanho excepcional.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes
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