Até hoje é difícil mensurar o impacto de uma bomba atômica. Geograficamente, pode-se calcular os quilotons de destruição; mas e psicologicamente? O livro de memórias de Kiyoshi Tanimoto, sobrevivente de Hiroshima, foi descoberto em um arquivo nos EUA e será publicado pela primeira vez em agosto.
Escritas há quase 80 anos, as 230 páginas testemunham o relato de um homem que, por um trabalho, não estava na cidade destruída. Inclusive, diante da potência do relato, o ator Takehiro Hira interpretará as páginas no cinema. Conforme o The Guardian, a pré-produção começa em novembro, antes das filmagens de fevereiro de 2027.
Produzido por Donald Rosenfield, a filme teria como intenção remontar o perigo de armas nucleares. Uma vez que recentemente vêm ocorrendo ameaças nucleares iminentes. Assim, um filme sobre Hiroshima pode recuperar a sensibilidade da massividade da destruição. O diretor destaca:
É uma visão aprofundada do que essa terrível bomba fez. […] Você não pode imaginar nada pior do que Hiroshima, mas poderia ser pior – supostamente 10.000 vezes mais forte hoje. Nós realmente temos que ter certeza de que não acontecerá novamente.”
O ataque de HiroshimaEm 6 de agosto de 1945, os EUA atacou Hiroshima com uma bomba atômica, para “finalizar” a Segunda Guerra Mundial. O primeiro, dos dois, ataques nucleares feitos pelos Estados Unidos dizimou a cidade, derretendo e reduzindo-a a escombros e pó. Cerca de 120.000 civis foram mortos nos primeiros quatro dias após a explosão.
A população, que viviam suas vidas normalmente numa segunda feira pela manhã, tiveram seus corpos desfigurados e carbonizados diante da exposição aguda à radiação. Não obstante, 3 dias depois, os americanos lançaram uma bomba de plutônio em Nagasaki, assassinando mais 73.000 pessoas.
Tanimoto, que morreu em 1986, aos 77 anos, era um padre metodista de Hiroshima, cuja vida foi poupada porque ele estava ausente naquele dia, transportando um guarda-roupa para outra cidade.
Ao voltar para o local, só pode se deparar com horrores incalculáveis. A fim de evitar que “ninguém o experimentasse nunca mais”, escreveu um livro de memórias. Assim, no prefácio, sua filha, Koko Tanimoto Kondo, escreve sobre a necessidade de as gerações futuras se lembrarem da sobrevivência como seres humanos.
Porém, o relato ficou esquecido em um arquivo dos EUA. O arquivo é a biblioteca de livros e manuscritos Beinecke, em Yale, em New Haven, Connecticut, entre os jornais de John Hersey, um repórter ganhador do prêmio Pulitzer americano que morreu em 1993. O jornalista fez amizade com Tanimoto ao visitar Hiroshima 8 meses após a bomba.
Diante disso, o livro de memórias será publicado no dia 6 de agosto, aniversário de Hiroshima, pela editora Penguin. Aqueles que leram o descreveram como “lindamente escrito” e disseram ter muita qualidade.
No prefácio, a filha do sobrevivente, Kondo, agora com 81 anos, escreve:
Por muitos anos eu não pude viver em Hiroshima, a cidade do meu nascimento. No dia do lançamento da bomba atômica eu tinha oito meses, um bebê nos braços da minha mãe. Passaram-se 40 anos até que ela pudesse trazer a si mesma para me dizer, em suas próprias palavras, como eu havia sobrevivido. Poucas pessoas falariam sobre esse tempo. Suas memórias os mantiveram quietos.”
O filme e o livroO filme que está sendo produzido contém o envolvimento de Kondo como parte das pesquisas sobre o assunto. Até agora, foi anunciado que o filme e o livro se chamarão “Hiroshima, 8:15” local e horário em que a bomba foi lançada.
Conforme The Guardian, em uma das cenas, caminhando pelos escombros, ele se depara com um bonde tombado. Relata:
Os ocupantes dentro incinerados. Ele é atraído pelas vítimas. Congelado. Como Pompéia. Cada um em uma pose diferente. Seus corpos carbonizados. Preto carvão.”
Contudo, apesar do desastre, o autor não inocenta as atitudes militares do Japão. Mas contesta, será que “merecemos a bomba atômica? Talvez… talvez não. Mas ninguém ainda entende… como foi aqui.”
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*Sob supervisão de Éric Moreira
Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: bomba atômica bomba Hiroshima Estados Unidos Hiroshima e Nagazaki História Japão Mundo notícia notícias Segunda Guerra MundialTodo conteúdo