A coroa da imperatriz Eugênia, danificada durante o roubo ocorrido no Museu do Louvre em outubro do ano passado, poderá passar por uma “restauração completa“, sem necessidade de reconstrução estrutural, informou a instituição francesa nesta quarta-feira, 4. Segundo o museu, apesar de a peça ter ficado “muito deformada” após o crime, os danos são reversíveis.
O objeto histórico foi prejudicado no momento em que os ladrões a deixaram cair durante a fuga. Ainda assim, técnicos do Louvre avaliaram que a integridade geral da joia foi preservada, o que permite uma intervenção cuidadosa e integral. Em outubro, poucos dias após o roubo, a presidente do museu, Laurence des Cars, já havia indicado à comissão de cultura do Senado francês que o processo de recuperação seria “delicada, mas possível”.
De acordo com o Louvre, a coroa sofreu danos ao ser retirada de sua vitrine por meio de uma “abertura relativamente estreita feita” pelos criminosos. Mesmo assim, quase todos os seus componentes originais foram mantidos. A única perda estrutural significativa foi uma das oito águias douradas que ornamentam a peça.
Coroa da imperatriz Eugênia em seu estado sem danos / Crédito: Divulgação/Museu do Louvre/Thomas ClotNo que diz respeito às gemas, a instituição informou que as 56 esmeraldas que compõem a coroa foram preservadas. Houve, no entanto, a perda de cerca de dez diamantes de pequeno porte, de um total de 1.354 pedras originalmente incrustadas na joia. Ainda assim, o museu considera que essas ausências não comprometem a possibilidade de restauração completa, repercute o UOL.
Para assegurar a conservação adequada da peça, o Louvre informou que um restaurador especializado será designado “após um processo de licitação”. A escolha do profissional será acompanhada por um comitê de especialistas criado especificamente para supervisionar os trabalhos. O grupo será presidido pela própria Laurence des Cars e contará com seis personalidades da área, além de um “representante das cinco casas históricas da joalheria francesa”: Mellerio, Chaumet, Cartier, Boucheron e Van Cleef & Arpels.
Roubo do LouvreNa manhã do dia 19 de outubro de 2025, um grupo de quatro homens entrou no Museu do Louvre, na capital francesa, em uma caminhonete de mudanças furtada, e equipada com uma escada extensível. Utilizando coletes refletivos, eles estavam disfarçados como trabalhadores de manutenção, e quebraram uma janela para acessar a galeria Apollo, onde estavam as joias roubadas.
O roubo, que teve repercussão internacional, resultou no desaparecimento de oito joias da coroa francesa do século 19, que continuam sem paradeiro conhecido. Segundo o museu, o conjunto levado pelos criminosos está avaliado em cerca de €88 milhões (mais de R$ 550 milhões).
Apesar das perdas ainda não recuperadas, o anúncio sobre a restauração da coroa da imperatriz Eugênia representa um avanço importante nos esforços do Louvre para preservar uma de suas peças mais emblemáticas. A instituição reforça que, embora o processo exija extremo cuidado técnico, a avaliação atual permite descartar a necessidade de reconstrução, concentrando os trabalhos na recuperação dos elementos originais sobreviventes.
Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História. "coroa da Imperatriz Eugênia" "roubo do Louvre" Coroa Crimes curiosidades França Imperatriz Eugênia Mundo Museu do Louvre notícias restauração rouboTodo conteúdo