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Leilão de itens de Brigitte Bardot arrecada quase R$ 6 milhões em Paris - Aventuras na História

Leilão de itens de Brigitte Bardot arrecada quase R$ 6 milhões em Paris - Aventuras na História
Venda de objetos pessoais de Brigitte Bardot superou estimativas em 20 vezes e vai financiar fundação animal e o único filho da falecida atriz

Um leilão com 285 objetos pessoais da falecida atriz e ativista francesa Brigitte Bardot arrecadou quase € 1 milhão (mais de R$ 5,8 milhões, na cotação atual) em Paris. O montante obtido superou em quase 20 vezes a estimativa inicial de arrecadação, conforme informações divulgadas pela casa de leilões Millon e reportadas pela Agence France-Presse (AFP).

A coleção leiloada incluiu itens variados provenientes das residências de Bardot em Paris e Saint-Tropez, abrangendo utensílios de mesa, móveis, chapéus de palha, óculos de sol, camisolas, guitarras, coleiras para cães e autorretratos. O evento atraiu o registro de cerca de 3.000 licitantes franceses e internacionais.

Brigitte Bardot provou mais uma vez ser uma alquimista notável: transformou uma estimativa de cerca de 50.000 euros em quase 1 milhão de euros, incluindo taxas”, disse o leiloeiro Alexandre Millon.

Entre os destaques das vendas, um par de coleiras para cães com etiqueta de identificação contendo o nome e o telefone da atriz, avaliado originalmente em € 30, foi arrematado por um comprador russo por € 9.400.

Um autorretrato da artista alcançou quase € 40.000, enquanto a máquina de escrever utilizada em sua autobiografia foi vendida por € 4.634. Duas guitarras com estimativa inicial de € 300 a € 500 foram negociadas por € 8.600 e € 1.900, e três bichos de pelúcia em formato de filhotes de foca somaram quase € 2.200.

Destinação e impacto institucional

Os recursos financeiros obtidos serão divididos entre Nicolas-Jacques Charrier, único filho da atriz, e a Fundação Brigitte Bardot. Criada em 1986, a entidade atua na proteção animal em 70 países, apoia 350 grupos na França e contabiliza o acolhimento de 13.000 animais por meio de quatro abrigos e 150 instituições parceiras.

Esta venda é a continuação lógica daquela que ela própria organizou em 1987 com os seus pertences mais preciosos para criar a sua fundação”, disse Ghyslaine Calmels-Bock, diretora-geral da Fundação Bardot, à AFP após o leilão. “Hoje, a sua luta continua através deste leilão.”

Bardot faleceu em dezembro, aos 91 anos. Após se aposentar da carreira cinematográfica na década de 1970 para se dedicar ao ativismo animal, a atriz envolveu-se na política de extrema-direita. Ela acumulou cinco condenações por discurso de ódio, voltadas especialmente contra muçulmanos, e manifestava apoio ao crescimento do partido anti-imigração Reunião Nacional.

Contestação familiar e divergência de gestão

A realização do evento gerou contestação por parte do último marido de Bardot, Bernard d’Ormale, que se manifestou publicamente dois dias antes da abertura do leilão classificando o ato como uma “piada”.

“São itens pessoais”, disse ele. “Por que fazer essa venda? Pelos animais?” Ele afirmou que isso equivalia a uma “falta de respeito à memória de Brigitte.”

D’Ormale declarou à AFP que os objetos deveriam ter sido mantidos para a preservação do legado da artista, argumentando que Bardot “não teria concordado com essa venda”. O viúvo sustentou ainda que não havia compreendido que o pregão envolveria itens de caráter tão pessoal, repercute o The Guardian.

A Fundação Brigitte Bardot rebateu as declarações e informou que o leilão havia sido aprovado por seu conselho em junho, período em que d’Ormale exerceu a presidência da instituição. A controvérsia ocorreu poucos dias após d’Ormale ter sido destituído do comando da entidade, cargo que ocupava desde a morte da atriz.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História. atriz Brigitte Bardot curiosidades França itens Leilão Mundo notícias ParisTodo conteúdo