O leão Ruben viveu em completo isolamento por seis anos após o encerramento das atividades de um zoológico na Armênia.
Sem o contato com outros de sua espécie e sobrevivendo com pouca alimentação, o felino perdeu a capacidade de rugir e apresentou sérias limitações físicas.
A situação mudou apenas em 2023, quando uma organização internacional interveio para transferi-lo a um santuário na África do Sul.
Solidão e silêncioA trajetória de abandono começou com a morte do proprietário do zoológico armênio. Enquanto os outros animais foram removidos do local, Ruben permaneceu sozinho em uma cela pequena por seis anos.
Conforme informações da entidade Defensores de Animais Internacionais (ADI), o felino enfrentou desnutrição e severas dificuldades de locomoção devido à falta de espaço e cuidados adequados durante o período de clausura.
Resgate do leãoEm janeiro de 2023, a ADI recebeu o animal e iniciou os preparativos para sua transferência intercontinental. Segundo a organização, o estado de Ruben era alarmante no momento do primeiro contato.
“Quando o dono do zoológico morreu, todos os outros animais foram removidos e o mundo de Ruben ficou em silêncio por seis longos anos. Quando o vimos pela primeira vez em janeiro de 2023, ele estava em péssimas condições e piorou ainda mais, mal conseguindo dar alguns passos”, afirmou a instituição.
Últimos meses livresAo chegar ao Santuário de Vida Selvagem ADI, em solo sul-africano, o comportamento do leão se transformou radicalmente. Ele passou a interagir com outros felinos e a explorar a vegetação natural do local.
“Ruben não se deixou abater e, a partir daquele dia, agarrou a vida com todas as suas forças. Rolava na grama sob o sol africano, dormia sob as estrelas que brilhavam sobre seus ancestrais e, depois de tantos anos de silêncio, rugiu com os outros leões. Sua caminhada melhorou e ele conseguiu subir a colina até o topo de sua toca especial para rugir”, descreveu a instituição em publicação oficial.
Mesmo com a melhora em sua qualidade de vida e saúde, o animal faleceu em abril de 2024, aos 15 anos de idade. Em nota de despedida, a ADI ressaltou que, embora o convívio tenha durado apenas sete meses, Ruben pôde desfrutar de sua dignidade e instintos selvagens.
O tempo de Ruben conosco foi curto – sete meses – mas ele saboreou cada momento, vivendo a vida intensamente. Por sete preciosos meses, Ruben rugiu novamente, viveu como um leão e nos inspirou a nunca desistir”, completou a organização.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes
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