Em 1976, o ex-estagiário da NASA e então estudante de engenharia Gary George arrematou um lote com cerca de 1.150 fitas magnéticas descartadas pelo governo dos Estados Unidos por US$ 217,77 — quantia equivalente a aproximadamente R$ 835 na época.
A intenção inicial do comprador era revender os rolos para emissoras de televisão locais reutilizarem as mídias em novas gravações, sem suspeitar do valor histórico contido no material.
No entanto, a orientação de seu pai mudou o destino do acervo ao notar que três rolos do conjunto traziam a etiqueta “APOLLO 11 EVA | July 20, 1969 REEL 1–3”.
Seguindo o conselho familiar, George decidiu preservar o trio de fitas, que acabou mantido em seu acervo pessoal sem que o conteúdo exato fosse verificado durante décadas, em razão da escassez de equipamentos compatíveis para a leitura do formato antigo.
Fita com gravações de Apollo 11 vendidas em leilão / Crédito: Divulgação/Sotheby’s A redescoberta e a qualidade inéditaA virada na trajetória do material ocorreu em 2008, quando George soube das buscas promovidas pela agência espacial norte-americana pelas gravações originais da missão, com vistas ao aniversário de 40 anos do evento lunar. Ao localizar um estúdio especializado capaz de reproduzir e digitalizar as mídias, o proprietário constatou que os registros pertenciam à primeira geração da caminhada de Neil Armstrong e Buzz Aldrin na superfície da Lua.
As imagens gravadas abrangiam momentos marcantes, como o fincar da bandeira norte-americana na superfície lunar, a coleta de amostras e o diálogo com o então presidente Richard Nixon. Por se tratar de um registro de primeira geração, o conteúdo apresentava qualidade nitidamente superior às imagens transmitidas pela televisão em 1969.
Enquanto as emissoras de época precisavam converter o sinal de varredura lenta recebido pelas estações da NASA para o padrão televisivo — processo que causava perda de nitidez e contraste —, as fitas de George preservavam uma etapa mais próxima do sinal original, repercute o Diário do Litoral.
Fitas com gravações de Apollo 11 vendidas em leilão / Crédito: Divulgação/Sotheby’s Leilão milionário em Nova YorkApós guardar os rolos por cerca de 43 anos, período em que o material foi reproduzido apenas três vezes desde a aquisição, George levou o acervo a leilão pela casa Sotheby’s, em Nova York, no ano de 2019, data que marcou os 50 anos da missão Apollo 11.
Disputado por três interessados via telefone e internet, o lote das três fitas alcançou o lance vencedor de US$ 1,82 milhão, o equivalente a cerca de R$ 9,7 milhões na conversão aplicada à reportagem. A identidade do arrematante final não foi divulgada pela casa de leilões, consolidando a transformação do lote descartado em um dos registros mais valiosos da história da exploração espacial.
Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História. "ex-estagiário" Apollo 11 curiosidades Espaço fitas gravações Leilão lua Mundo Nasa notíciasTodo conteúdo