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Enchentes no Himalaia deixam 900 presos em túneis no Nepal - Aventuras na História

Enchentes no Himalaia deixam 900 presos em túneis no Nepal - Aventuras na História
Avalanche de lama e gelo atinge o Nepal, e agora socorristas correm contra o tempo em usinas hidrelétricas após tragédia que já deixa centenas de mortos e milhares de desaparecidos

Equipes de resgate no Nepal e no Tibete travam uma corrida contra o tempo para tentar alcançar mais de 900 pessoas que permanecem presas nos túneis e em áreas subterrâneas de cerca de seis projetos hidrelétricos. O confinamento ocorreu após enchentes repentinas e devastadoras atingirem a região do Himalaia, conforme divulgado nesta segunda-feira, 31, pela autoridade de gestão de desastres do Nepal.

A tragédia foi provocada por uma avalanche sem precedentes composta por gelo, rochas, lama e detritos, que atingiu os vales nepaleses na última quarta-feira. O número de mortos no Nepal subiu para 903, enquanto do lado tibetano da fronteira foram registradas 16 mortes.

As autoridades contabilizam mais de 4.000 desaparecidos no Nepal — entre os quais 592 estrangeiros — e outros 500 no Tibete. Em meio à devastação, centenas de corpos não identificados vêm sendo sepultados em covas rasas nas planícies após serem arrastados pela força das águas.

Trabalhadores soterrados e resgate em túneis

De acordo com as autoridades nepalesas, a prioridade das operações na segunda-feira centrava-se na localização de 933 pessoas desaparecidas especificamente em empreendimentos hidrelétricos na zona afetada. Imagens e vídeos do local mostram equipamentos de terraplenagem operando na remoção de lama para liberar o acesso às galerias.

Contudo, as dificuldades operacionais são elevadas, conforme explicou o porta-voz do exército nepalês, Raja Ram Basnet: “Uma grande quantidade de entulho foi depositada, o que representa um grande desafio para a abertura dos túneis”.

As condições enfrentadas no terreno são extremas. Ashish Gurung, um guia que atua como socorrista voluntário, relatou os obstáculos encontrados durante a tentativa de acessar a usina hidrelétrica de Chilime, no distrito de Rasuwa, no domingo. “Há lama por toda parte”, declarou ele ao The Guardian. “Dentro do túnel era pior. É muito difícil se mover, a lama está muito profunda.”

Para avançar sobre o terreno movediço e garantir a segurança com sistemas de cordas, os socorristas utilizaram pedaços de madeira como pontes improvisadas e instrumentos de medição. “Caminhar ali é muito difícil; em um ponto, a água chegava até o nosso peito”, explicou Gurung. “Chegamos perto da primeira estação, a cerca de 130 metros da entrada. Lá dentro, dava para ver mais longe; parecia que só havia corpos.”

Apesar do cenário desolador, mapas fornecidos pela empresa de energia indicam a existência de infraestruturas internas projetadas como zonas de proteção. “Eles têm uma área segura lá dentro”, afirmou o guia. “Alguns deles podem estar vivos. Espero que estejam vivos.”

Impactos, mobilização e tensão geopolítica

A Cruz Vermelha estima que mais de 90.000 pessoas tenham sido impactadas pelo desastre. O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou o evento como um desastre natural devastador e sem precedentes, ressaltando a dificuldade de calcular a extensão total dos danos.

“Apesar do clima adverso, do terreno difícil e dos riscos contínuos, estamos avançando com determinação para salvar a vida de nossos cidadãos”, publicou o premiê, destacando a mobilização de quase 21.000 agentes de segurança, além de civis e voluntários.

O governo do Nepal informou que não necessita de ajuda internacional para operações gerais de busca, mas tem recorrido ao conhecimento especializado da Índia e da China para intervenções em túneis.

Por sua vez, a China mobilizou mais de 2.100 socorristas, utilizou equipamentos de detecção de sinais vitais e destinou 220 milhões de yuans (cerca de R$ 169 milhões) para apoiar os trabalhos, que incluem o envio aéreo de suprimentos. Segundo a mídia estatal chinesa CCTV, 261 dos 546 desaparecidos reportados no Tibete são estrangeiros, incluindo mais de cem nepaleses.

Embora as buscas tenham sido paralisadas várias vezes devido ao mau tempo e ao risco de transbordamento de um lago formado na fronteira, as condições meteorológicas melhoraram na segunda-feira, permitindo a retomada dos trabalhos em ritmo acelerado em Rasuwa. Enquanto isso, em Devighat, moradores vasculhavam os escombros de suas casas às margens do rio Trishuli.

A emissora chinesa CCTV atribuiu a catástrofe à instabilidade das geleiras provocada pelos impactos de longo prazo do aquecimento global. No entanto, autoridades nepalesas disseram à Reuters recear que a falta de compartilhamento de dados por parte da China sobre níveis de água e riscos glaciais possa comprometer a preparação para futuros desastres.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História. curiosidades enchente Hidrelétricas Himalaias Mudanças Climáticas Mundo Nepal notícias Presos resgate Socorro tragédias túneisTodo conteúdo