A Argentina transformou o caminho até a final da Copa de 2026 numa sucessão de fugas no último instante. Em seus quatro jogos eliminatórios, a seleção de Lionel Scaloni nunca chegou aos 37 minutos do segundo tempo com a classificação assegurada: precisou da prorrogação para superar Cabo Verde e Suíça e conseguiu viradas nos minutos finais contra Egito e Inglaterra. A vitória por 2 a 1 na semifinal, com gols aos 40 e nos acréscimos, completou uma campanha em que a derrota pareceu próxima mais de uma vez, mas nunca chegou a se consumar.
Análise: Argentina não se rende diante de derrota iminente e bate Inglaterra com técnica e emoçãoLeia mais: Argentina vira sobre a Inglaterra e vai à final com coragem, Messi decisivo e ajuda de Tuchel, analisam colunistas do GLOBO Croácia em 2018, sobrevivência nos pênaltisA principal comparação é com a Croácia de 2018, primeira seleção a chegar a uma final depois de disputar três prorrogações consecutivas. Os croatas saíram atrás contra a Dinamarca nas oitavas, empataram e venceram nos pênaltis; estiveram duas vezes em desvantagem contra a Rússia nas quartas e avançaram novamente nas cobranças; e levaram um gol da Inglaterra aos cinco minutos da semifinal antes de empatar no segundo tempo e vencer aos 109, com Mandzukic. Foram 360 minutos para atravessar três fases e chegar à decisão contra a França. Na decisão, ficaram com o vice após derrota de 4 a 2 para a França.
Argentina em 1990, com sofrimentoA Argentina de 1990 construiu uma campanha menos ofensiva, mas igualmente carregada de sofrimento. Classificou-se na fase de grupos com apenas uma vitória, perdeu jogadores por lesão e passou pelo Brasil nas oitavas em uma partida na qual foi dominada até Maradona encontrar Caniggia. Nas quartas, Goycochea defendeu dois pênaltis contra a Iugoslávia depois de um empate sem gols. Na semifinal, diante da anfitriã Itália, a seleção saiu atrás, empatou com Caniggia e novamente sobreviveu nas cobranças. Chegou à final - derrota para a Alemanha, 1 a 0 - com somente cinco gols marcados e sem quatro jogadores suspensos.
Alemanha em 1982, drama contra a FrançaA Alemanha Ocidental de 1982 viveu o maior drama de sua trajetória na semifinal contra a França, uma das partidas mais eletrizantes da história das Copas. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal, os franceses abriram 3 a 1 na prorrogação e pareciam classificados. Rummenigge e Fischer buscaram o 3 a 3, e os alemães venceram nos pênaltis, numa noite também marcada pela violenta entrada do goleiro Schumacher em Battiston. Antes disso, a Alemanha já havia começado a competição com uma derrota histórica para a Argélia e avançado na segunda fase após um empate tenso com a Inglaterra. Na decisão, derrota para a Itália.
Itália de 2006A Itália de 2006 também recorreu aos últimos segundos para se aproximar do título. Nas oitavas, jogou quase todo o segundo tempo com um homem a menos contra a Austrália e só venceu com um pênalti convertido por Totti aos 50 minutos. A semifinal contra a anfitriã Alemanha caminhava para as cobranças de pênalti quando Grosso marcou aos 119; Del Piero fez o segundo aos 121. A própria final aumentou a carga dramática da campanha: empate com a França, expulsão de Zidane na prorrogação e título italiano nos pênaltis.
Argentina de 2022A Argentina de 2022 teve menos partidas resolvidas tarde antes da final, mas acumulou grandes oscilações emocionais. Perdeu para a Arábia Saudita na estreia, passou a jogar sob risco de eliminação e sofreu até a última defesa de Emiliano Martínez contra a Austrália nas oitavas. Nas quartas, abriu 2 a 0 sobre a Holanda, sofreu o empate aos 56 minutos do segundo tempo e avançou nos pênaltis. Depois de uma semifinal tranquila contra a Croácia, viveu uma decisão extraordinária diante da França: perdeu duas vantagens, levou o empate por 3 a 3 aos 13 minutos da prorrogação e ficou com a taça nas cobranças.
França de 2006A França de 2006 percorreu um caminho diferente, mas igualmente cinematográfico. Com Zidane próximo da aposentadoria, empatou os dois primeiros jogos, chegou à última rodada da fase de grupos ameaçada e avançou sem brilho. No mata-mata, porém, virou sobre a Espanha nas oitavas, eliminou o então campeão Brasil com atuação histórica de Zidane e passou por Portugal com um gol de pênalti do camisa 10. A trajetória terminou numa final com gol de cavadinha, reação italiana, cabeçada em Materazzi, expulsão na prorrogação e derrota nos pênaltis.
Tabela da Copa: Acompanhe os resultados de todos os jogos e a classificaçãoNewsletter 'Hoje na Copa': Receba sempre pela manhã as notícias mais importantes do dia A comparação dos caminhos até a final Argentina de 2026 Viradas: 2, contra Egito e InglaterraProrrogações: 2, contra Cabo Verde e SuíçaDisputas de pênaltis: 0Jogos de mata-mata sem classificação assegurada aos 82 minutos: 4 de 4Melhores momentos de Inglaterra x Argentina
Croácia de 2018 Viradas: 1, contra a InglaterraProrrogações: 3, contra Dinamarca, Rússia e InglaterraDisputas de pênaltis: 2Jogos de mata-mata sem classificação assegurada aos 82 minutos: 3 de 3 Argentina de 1990 Viradas: 0Prorrogações: 2, contra Iugoslávia e ItáliaDisputas de pênaltis: 2Jogos de mata-mata sem classificação assegurada aos 82 minutos: 2 de 3 Alemanha Ocidental de 1982 Viradas: 1, considerando a reação de 1 a 3 para 3 a 3 contra a FrançaProrrogações: 1Disputas de pênaltis: 1Jogos de mata-mata anteriores à final: apenas a semifinal, devido ao formato da competição Itália de 2006 Viradas: 0Prorrogações: 1, contra a AlemanhaDisputas de pênaltis antes da final: 0Classificações obtidas depois dos 90 minutos: 2, contra Austrália e Alemanha Argentina de 2022 Viradas: 0 no mata-mata anterior à finalProrrogações: 1, contra a HolandaDisputas de pênaltis: 1Jogos em que perdeu uma vantagem antes de avançar: 1Nenhuma dessas campanhas repete exatamente a combinação argentina de 2026. A Croácia de 2018 continua sendo a referência em prorrogações, e a Argentina de 1990, em sobrevivência nos pênaltis. A equipe atual, porém, tornou-se um caso singular por chegar à final depois de resolver todos os seus quatro mata-matas a partir dos 38 minutos do segundo tempo. Se não é possível medir objetivamente a emoção, existe ao menos um argumento estatístico forte: nenhuma outra finalista precisou adiar tantas vezes, e de tantas maneiras diferentes, o momento da própria classificação.
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