Há 40 anos, a Bélgica chegava à semifinal da Copa do Mundo pela primeira vez. Na edição seguinte, a Argentina foi vice-campeã com direito a classificação sobre o Brasil nas oitavas. Mais quatro anos, e a Itália alcançou a decisão, perdendo para a seleção canarinho. Em comum: todas essas equipes aproveitaram a "nova chance" dada pelo torneio, que, entre 1986, no México, e 1994, nos Estados Unidos, não classificou ao mata-mata apenas os dois líderes de cada um dos seis grupos, mas também os quatro melhores terceiros colocados. A partir de hoje, o novo Mundial da América do Norte despertará nostalgia em quem acompanhou aquelas campanhas.
Quem pega quem na Copa? Ferramenta do GLOBO acompanha jogo a jogo como fica o chaveamento da segunda fasePlanos A, B e C: entenda vantagens e cenários caso seleção brasileira não se classifique em primeiro no grupoO aumento de seleções — para 48 — em 2026 mudou a configuração de muitos aspectos na atual Copa, desde o número de jogos (104) até os cruzamentos da fase eliminatória, que agora tem um estágio extra: os 16 avos de final. Se, desde 1998, era simples posicionar os primeiros colocados de cada grupo enfrentando os segundos nas oitavas, agora os oito melhores terceiros — saídos dos 12 grupos — também avançarão junto dos líderes, o que expande o leque de confrontos.
Segundo o novo regulamento estabelecido pela Fifa, há 495 combinações possíveis para os terceiros se classificarem, cada uma com um cruzamento próprio, e o cenário final só será definido ao fim do último jogo da fase de grupos, na madrugada de sábado para domingo. Ao final das partidas desta quarta-feira, muitas seleções terminarão em terceiro em suas chaves, mas sem saber se a estadia será maior ou se podem fazer as malas e ir para casa.
Regulamento da Copa do Mundo tem 18 páginas mostrando as 495 combinações de terceiros colocados — Foto: Editoria de ArteA única definição de momento na segunda fase é dos confrontos que terão apenas líderes e vice-líderes, caminho que foi traçado no sorteio da Copa do Mundo. É o caso, por exemplo, do grupo do Brasil (C), que cruzará diretamente com o de Holanda e Japão (E). Mas isso envolve apenas oito das 16 eliminatórias, já que as outras dependerão de quais terceiros avançarão.
Por exemplo, uma das combinações da Fifa se concretizará caso avancem os terceiros dos grupos A, B, C, D, E, F, G e H. Mas, caso alguma seleção das chaves I, J, K e L apareça no bloco de classificados, a distribuição no cruzamento muda totalmente. Os critérios para definir a classificação destas equipes são, nesta ordem: número de pontos; saldo de gols; gols marcados; ranking de fair play — cartões amarelos e vermelhos —; e ranking da Fifa.
A tensão que perdurará até o fim de semana para conhecer o conjunto de oito seleções é a mesma para as que querem descobrir seus adversários. Alemanha, México e Estados Unidos são exemplos de líderes garantidos em suas chaves, e que enfrentarão terceiros ainda desconhecidos. Os alemães, por exemplo, enfrentarão o melhor colocado considerando os grupos A, B, C, D e F. Já os mexicanos ficam de olho nos grupos C, E, F, H e I.
Quando o Brasil joga se passar em primeiro lugar? Veja possíveis datas, horários e adversáriosHoje tem jogo do Brasil? Veja horário da partida contra a Escócia na Copa do Mundo 2026 Quanto será necessário?Simulações feitas pelo site Opta Analyst mostram que um terceiro colocado com quatro pontos tem altíssimas chances (99,81%) de avançar. A "nota de corte" deve ser os três pontos, já que uma seleção com este número tem muito mais probabilidade de seguir em frente (66,77%) na comparação com quem fizer dois (4,66%).
Terceiros colocados da Copa do Mundo podem precisar de três pontos, no mínimo, para avançar ao mata-mata — Foto: Editoria de ArteOlhando para o saldo de gols nessa pontuação (três), será importante manter um número positivo (um ou mais), o que faz as chances ultrapassarem 97%, também de acordo com o Opta Analyst. Quem tiver saldo zero contará com 94,8% de probabilidade de avançar, contra 84,2% para saldo menos um, 63,4% para menos dois, e assim por diante.
Hoje, serão fechadas as três primeiras chaves da Copa, com equipes que têm boas chances de aparecer nessa briga, como Tchéquia (A), África do Sul (A) e Escócia (C). No grupo B, tratado como um dos "favoritos" a não ter um terceiro avançando, a Bósnia sonha com a vaga. Porém, com a exceção de algumas fortes seleções que vêm decepcionando, como Bélgica, Senegal e Uruguai, a tendência é que grande parte dessa disputa seja protagonizada por países de menor expressão.
Teboho Mokoena, da África do Sul, disputa a bola com Tomas Soucek, da Tchéquia — Foto: ars Baron/Getty Images/AFPNo grupo C, que será definido às 19h de hoje, Brasil e Marrocos têm quatro pontos e são os naturais favoritos a brigar pela primeira colocação. Seus desafios serão diante de Escócia e Haiti, respectivamente. Os haitianos estão zerados e já eliminados, mas os escoceses devem ter na terceira colocação a grande chance de avançar. Com três pontos e saldo de zero, vão fazer o possível para ter mínimo prejuízo contra os brasileiros.
Por sinal, a Amarelinha enfrentou terceiros colocados nas oitavas nas três vezes em que o regulamento permitiu. Foram duas classificações, diante de Polônia (1986) e Estados Unidos (1994), e uma eliminação, contra a Argentina (1990), na derradeira tarde em que Claudio Caniggia marcou após grande jogada de Diego Maradona e eliminou o Brasil da Copa disputada na Itália.
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